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ProEstoques: Brasil lança programa para avaliar estoques pesqueiros

Iniciativa histórica fortalece a gestão sustentável das pescarias no país; nova política busca dar mais transparência e proteger espécies marinhas

Programa Nacional de Acompanhamento busca a sustentabilidade de estoques pesqueiros como os representados pelos peixes recém-capturados -  (crédito: Oceana/Bento Viana)
Programa Nacional de Acompanhamento busca a sustentabilidade de estoques pesqueiros como os representados pelos peixes recém-capturados - (crédito: Oceana/Bento Viana)

O Brasil instituiu o Programa Nacional de Acompanhamento do Estado de Explotação dos Estoques Pesqueiros do Brasil (ProEstoques). A medida cria um sistema oficial para avaliar a sustentabilidade de espécies comerciais e apoiar a gestão das pescarias em bases científicas.

A Portaria nº 773, emitida em 19 de outubro de 2026 pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), estabelece a política pública. O conteúdo foi elaborado por um Grupo Temático criado em fevereiro daquele ano, composto pela Oceana e coordenado pela Associação Brasileira de Oceanografia (AOCEANO), com aprovação concedida em agosto pelo Conselho Nacional de Pesca e Aquicultura (Conape).

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Diretrizes da nova política pesqueira

A portaria determina que o ProEstoques tem como funções:

  • reconhecer os estoques pesqueiros de águas continentais e marinhas de interesse da pesca nacional;

  • estabelecer procedimentos e requisitos mínimos para avaliação desses estoques;

  • diagnosticar e divulgar periodicamente a situação das populações de pescado;

  • subsidiar a gestão sustentável da atividade pesqueira;

  • fomentar a capacitação de recursos humanos voltados à área.

As análises consideram indicadores técnicos da ciência pesqueira, incluindo taxa de mortalidade por pesca, biomassa, densidade e número de indivíduos por área. Essas avaliações preenchem uma lacuna jurídica e operacional histórica no país, que não contemplava métodos oficiais desse tipo na legislação setorial.

O diretor científico da Oceana, Martin Dias, pontuou que regras destinadas a espécies ameaçadas de extinção vinham sendo aplicadas de maneira indistinta a peixes comerciais como sardinhas, pescadas e garoupas. Segundo ele, a carência de monitoramento técnico gerava conflitos em vez de soluções eficazes para o setor.

  • Corvina
    Corvina Oceana/Rodrigo Gorosito
  • Lagosta
    Lagosta Oceana/Christian Braga
  • Pargo e ariacó
    Pargo e ariacó Oceana/Christian Braga
  • Peixe-espada
    Peixe-espada Oceana/Bento Viana
  • Sardinha
    Sardinha Oceana/Bento Viana

Histórico de diagnósticos científicos

Dados da "Auditoria da Pesca Brasil", realizada anualmente pela Oceana, apontavam a ausência de avaliações sistemáticas. Em 2020, apenas 6% dos estoques marinhos explorados no país tinham diagnósticos da sua situação populacional.

O cenário apresentou evolução no relatório de 2024, quando 71 dos 135 estoques avaliados (53%) registraram estudos técnicos, impulsionados pela atuação de universidades e centros de pesquisa. O ProEstoques busca consolidar a continuidade desses levantamentos, antes restritos a iniciativas pontuais.

O texto normativo define avaliação de estoques como um “processo científico no qual todos os dados disponíveis sobre um estoque pesqueiro são combinados para estimar a abundância, o estado de explotação, a produtividade ou outros indicadores equivalentes desse estoque, com potencial ainda de compreender os efeitos antropogênicos, socioeconômicos e ambientais na sua abundância”.

O diretor-geral da Oceana, Ademilson Zamboni, explicou que o acompanhamento científico orienta medidas práticas, como fixação de cotas, definição de temporadas de captura e respostas aos impactos das alterações no clima.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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postado em 21/10/2026 22:09 / atualizado em 21/10/2026 22:19
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