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Outono: Brasília se prepara para menos chuvas e clima ameno

Fim de semana com baixa possibilidade de chuvas marca início de novo período climático na capital federal

Paulo Davi Alves*
postado em 19/03/2022 06:00
 (crédito:  Ed Alves/CB)
(crédito: Ed Alves/CB)

O outono começa, oficialmente, amanhã. Por volta das 12h30, com o equinócio no Hemisfério Sul, é o fim do período de oscilações térmicas bruscas, dos dias alternados entre sol forte e tempestades. Entretanto, os brasilienses ainda terão chuvas acima da média, alta umidade e flora viçosa por mais um tempo, antes da estabilidade da estação que, tradicionalmente, apresenta paisagens menos vibrantes à capital federal, queda das folhas de algumas espécies e horizonte de terra marrom. Em contrapartida, é um dos momentos em que o céu límpido da cidade garante ótimas condições de observação da lua, que segue cheia até a próxima quarta-feira. Uma sábia transição natural até a chegada do inverno seco.

O meteorologista Francisco de Assis, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), acredita que as precipitações devem ocorrer até abril. "As temperaturas naturalmente começam a cair e é mais sentido na segunda quinzena de maio, quando massas de ar frio vindas da região Sul do país vão interferir na queda da temperatura. Essa queda pode ser sentida pelas chuvas, que deverão cair acima do normal esperado para o mês que vem, quando são esperados 133mm. Essa é uma boa notícia, tendo em vista o inverno seco que temos, pois com mais chuvas se mantém a umidade relativa do ar e retarda a secura sazonal do período", afirma.

Conforme as estimativas, o outono deste ano deve manter os índices de chuva e temperatura muito próximos aos do ano passado. "Esta é uma estação muito suave por aqui: na verdade, o que indicaria uma negatividade do outono seria se as precipitações cessassem antes, mas não é esta a previsão", detalha Francisco. Sobre os verões de 2020/2021 e 2021/2022, ele descreve as diferenças pluviométricas: "Certamente choveu mais neste verão do que no verão anterior, além de ter feito mais calor também. Isto certamente reflete nos índices de chuva que podem superar a média do outono", observa.

  •  02/03/2017. Credito: Minervino Junior/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia- DF. Isto e Brasilia.
    Com o fim do verão, flora do cerrado começa a se preparar para os efeitos da baixa umidade Minervino Junior/CB/D.A Press
  •  04/02/2021 Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Cidades. Dois candangos na praça dos três poderes -Istoé Brasilia.
      Caption
    04/02/2021 Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Cidades. Dois candangos na praça dos três poderes -Istoé Brasilia. Caption Cr?dito: Ed Alves/CB/D.A Press
  •  18/03/2022 Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Lua cheia nascendo em Brasília.
    18/03/2022 Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Lua cheia nascendo em Brasília. Minervino Júnior/CB/D.A.Press
  •  18/03/2022 Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Lua cheia nascendo em Brasília.
    18/03/2022 Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Lua cheia nascendo em Brasília. Minervino Júnior/CB/D.A.Press
  •  18/03/2022 Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Lua cheia nascendo em Brasília.
    18/03/2022 Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Lua cheia nascendo em Brasília. Minervino Júnior/CB/D.A.Press

Novas cores

Com o cessar inevitável das chuvas, durante o outono, as árvores tendem a se preparar para o período de estiagem, e expressam a mudança em tonalidades próprias para a sobrevivência da espécie. O mestre em ecologia Davi Ramos explica as mudanças. "Como o outono é uma estação marcada pelo fim do período chuvoso e de quedas nas temperaturas, o clima torna-se mais ameno e seco. Com isso, a vegetação busca formas de sobreviver a estas novas condições e uma delas é a mudança na coloração ou mesmo a perda da cor das folhas. É uma adaptação da planta para minimizar o consumo de água em tempos de escassez, à medida que avançamos ao inverno", detalha.

A transição de cores da flora brasiliense é típica do cerrado. "É um bioma que tem boa adaptação a secas, por isso é comum vermos as árvores perderem as folhas e a grama adquirir uma coloração mais amarelada, como se estivesse morta, mas não está", relata. Davi ainda descreve a mudança no comportamento hidrográfico da região. "Outra mudança a se notar é na tendência à diminuição do volume e da vazão de água nos reservatórios e afluentes", explica o ecólogo.

Ele alerta que, além da vegetação, os brasilienses também precisam ir se adaptando com o clima ficando menos úmido. "É importante que a população busque tomar mais água: dado à seca, que vai tomar força até o inverno, há uma diminuição drástica na umidade relativa do ar, o que acarreta em uma alta incidência de doenças respiratórias e alérgicas", enumera.

Previsão do tempo

Para este fim de semana, a previsão é de tempo mais firme. "Há apenas pequenas chances para pancadas isoladas hoje e fracas na parte oeste do Distrito Federal, especificamente em Brazlândia, na divisa com Águas Lindas de Goiás. No restante do DF, a expectativa é de céu predominantemente ensolarado e temperaturas mais elevadas para despedir o verão", explica.

A temperatura máxima hoje pode chegar aos 30°C, com mínimas marcando 18°C. A umidade relativa do ar pode variar entre 35% e 90%. No domingo, os termômetros devem marcar até 31°C, com mínima de 18°C. A umidade varia entre 35% e 90%. A umidade relativa mínima pode se dar à tarde, como explica o meteorólogo: "O cessar das nuvens de chuva justifica o aumento das temperaturas, quando essas se dissipam. Com temperaturas mais altas à tarde, as nuvens não conseguem se formar. Isso explica o porquê de não termos nenhuma possibilidade de chuva na segunda-feira, por exemplo", declara.

Para o começo da semana, os termômetros podem variar entre 18°C e 31°C, com umidade relativa entre 35% e 85%. O cenário contrasta com as precipitações de maior grau do último fim de semana, provando que famosas "águas de março" cumpriram seu dever.

*Estagiário sob a supervisão de Juliana Oliveira

 

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