
“Musicista, artista, cristã - ela espalhava beleza e fé por onde passava”. Foi assim que Fabrício de Souza Lacerda, primo de Maria de Lourdes Freire Matos, a definiu em uma publicação nas redes sociais. A mulher foi vítima de feminicídio na última sexta-feira (5/12), no 1º Regimento de Cavalaria de Guarda (RCG), quando foi apunhalada no pescoço pelo soldado Kelvin Barros da Silva, que incendiou o local logo após.
Na postagem feita em homenagem à vítima, Fabrício relembra a personalidade de Maria de Lourdes. “Minha prima tinha um jeito único de enxergar o mundo. Adorava conversar. Sempre empolgada com a vida, sonhava alto e falava de suas conquistas com um brilho no olhar que iluminava qualquer ambiente”, escreveu. “Luz, talento, sensibilidade, família, fé e sonhos: palavras que me vêm à mente ao pensar na Lulu”, completou.
O familiar pede que “a verdade prevaleça e que a memória dela siga viva de maneira transformadora em cada pessoa que teve o privilégio de conhecê-la”, concluiu.
Feminicídio
O feminicídio ocorreu na tarde de sexta-feira, próximo às 16h, quando o local onde os instrumentos musicais da banda do 1º RCG foi alvo de um incêndio. O corpo de Maria de Lourdes foi encontrado pelo Corpo de Bombeiros (CBMDF) durante o resfriamento do local, com um corte profundo no pescoço.
Após o crime, Kelvin Barros fugiu em direção ao Paranoá. Capturado pouco tempo depois por agentes da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), responsável pelo caso, o suspeito foi preso e confessou o crime na delegacia. De acordo com o delegado Paulo Noritika, que está à frente da investigação, ele apresentou cinco versões sucessivas e contraditórias. Em uma, negou o crime. Em outra, confessou, mas prestou relatos incompatíveis entre si.
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Disse que o crime teria ocorrido após uma discussão motivada por um suposto relacionamento e que a vítima teria exigido que ele terminasse com a namorada e assumisse a relação com ela. À reportagem, a família negou qualquer envolvimento dos dois e acredita que o cargo ocupado pela jovem na Fanfarra do 1º RGC teria motivado o assassinato.
A advogada criminalista Leila Santiago, representante da família da vítima e assistente à acusação, levantou a hipótese ao Correio de que Kelvin poderia ter tentado algum tipo de investida ou aproximação indevida, diferente do relatado por ele à polícia. “É possível que ele tenha recebido um “não” como resposta, uma vez que há comentários de que era um comportamento comum do Kelvin, algo coerente com a postura séria e focada da vítima, sempre dedicada aos estudos e às suas funções militares”, destacou a advogada.
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Kelvin foi autuado por feminicídio, furto de arma de fogo, incêndio e fraude processual. A família aguarda o resultado oficial do exame de corpo de delito, realizado pelo Instituto Médico Legal (IML), para providenciar o sepultamento.

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