
A Polícia Civil (PCDF) concluiu o inquérito que investigava crimes de maus-tratos contra crianças em uma creche de Brazlândia. A apuração foi conduzida pela 18ª Delegacia de Polícia, que cuida da região, e resultou no indiciamento de uma monitora suspeita de agredir alunos da instituição de educação infantil Creche Tia Nair.
As investigações começaram após a direção da creche comunicar formalmente à polícia. Imagens de câmeras de segurança mostraram comportamentos considerados incompatíveis com o dever de cuidado de crianças entre dois e três anos de idade. Segundo a polícia, ficou comprovado que a monitora submeteu, de forma reiterada, ao menos 18 crianças a agressões físicas.
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Os ataques incluíam puxões pelos braços, empurrões, apertões e tapas na cabeça. As condutas, de acordo com a investigação, extrapolam qualquer limite de correção ou contenção. Ainda conforme o apurado, os episódios ocorreram em dias distintos, entre os meses de novembro e dezembro de 2025.
Diante do conjunto de provas reunidas, a investigada foi indiciada pelo crime de maus-tratos, na forma de concurso material, em razão da multiplicidade de vítimas e de condutas. O artigo 136 do Código Penal prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, com aumento de um terço quando as vítimas são menores de 14 anos — circunstância presente no caso.
Após a constatação dos fatos, a instituição de ensino adotou medidas administrativas e colaborou com as investigações. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que vai analisar o caso e decidir sobre as providências legais cabíveis.
Respostas
Em nota, a Secretaria de Estado de Educação (SEDDF) informou que a unidade é uma instituição parceira da rede pública de ensino, vinculada à pasta por meio de convênio. A secretaria também ressaltou que, ao tomar conhecimento do caso, "determinou o afastamento da servidora apontada e adotou as providências administrativas cabíveis".
O posicionamento também diz que as crianças envolvidas serão transferidas para outras unidades escolares, conforme solicitação das famílias, que estão sendo acompanhadas pela rede. "A pasta informa, ainda, que está à disposição para colaborar com as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal, no que for necessário, respeitando o curso do inquérito e os trâmites legais".
Em nota ao Correio, o Centro Social Comunitário Tia Angelina, responsável pela unidade, destacou que “ao tomar ciência de indícios de conduta inadequada de uma colaboradora no trato com crianças atendidas na unidade, adotou imediatamente medidas concretas, firmes e transparentes para proteger os alunos e colaborar com as autoridades competentes”. A instituição ressaltou que “repudia qualquer prática de maus-tratos” e que sua prioridade é a proteção integral das crianças, com rigor no cumprimento de protocolos internos e legais.
Segundo a creche, após averiguação interna realizada por meio do sistema de videomonitoramento, a própria instituição comunicou o caso à Polícia Civil. “Demonstrando que não houve omissão, tampouco tentativa de ocultação de fatos, mas, sim, ação imediata para interrupção do risco e apuração por autoridade competente”, informou. No mesmo dia, a colaboradora envolvida foi desligada, com dispensa por justa causa.
Por fim, a entidade reforçou que não compactua com maus-tratos e que foi a primeira interessada na apuração. “O Centro Social Comunitário Tia Angelina reafirma que agiu com boa-fé, tempestividade e responsabilidade desde o primeiro momento, sempre com o objetivo de proteger as crianças, apoiar as famílias e contribuir integralmente para o esclarecimento dos fatos”.

Cidades DF
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