Proteção

O compromisso além do resgate para mudar a vida de cães no DF

Depois de salvar animais de situações de vulnerabilidade, o maior desafio é garantir a adoção consciente. Na Zoonoses, 17 cães estão prontos para uma nova vida, em novos lares

Andressa Jalyne, médica-veterinária da Zoonoses, e Candy -  (crédito:  Bruna Gaston CB/DA Press)
Andressa Jalyne, médica-veterinária da Zoonoses, e Candy - (crédito: Bruna Gaston CB/DA Press)

A fim de garantir o bem-estar animal, órgãos oficiais, ONGs e protetores independentes do Distrito Federal trabalham continuamente para resgatar cães em situação de vulnerabilidade. No entanto, após o resgate não há garantia de que esses pets serão acolhidos e poderão viver em um ambiente confortável e seguro. Para os interessados em mudar uma vida e começar o ano de 2026 com um novo amigo, a Gerência de Vigilância Ambiental de Zoonoses da Secretaria de Saúde (SES-DF), conhecida popularmente como Zoonoses, está com 17 cães prontos para serem adotados, já vacinados, vermifugados e castrados.

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Os cachorros, abrigados na Zoonoses desde janeiro de 2025, foram resgatados da casa de uma idosa que morava na Candangolândia e possuía mais de 120 animais, todos encaminhados ao órgão. A maioria dos 17 cães são machos e têm mais de dois anos de idade, sendo os últimos do salvamento que ainda não foram adotados. Além dos tratamentos em dia, eles receberam coleiras de repelente de mosquitos, para proteger contra a leishmaniose, e um microchip, que permite o rastreio dos animais em casos de fuga.

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Para adotar um dos cães, basta visitar a sede da Zoonoses, no Setor de Habitações Coletivas Noroeste, onde o interessado deverá comprovar a maioridade com um documento de identificação e assinar um termo de responsabilidade, se comprometendo a cuidar do bem-estar do animal. No local, será feita uma visita guiada, na qual os profissionais vão orientar qual pet é mais adequado para a realidade do tutor, de acordo com o temperamento de cada um deles.

Se o interesse for em um animal de pequeno porte, a família pode adotar uma cadela como a Candy, que tem três anos de idade, possui temperamento dócil, é brincalhona e não destrói objetos, como mostrado na ficha de características, que mostra todo o histórico de vacinas e tratamentos de cada um dos bichos. Caso a família queira um amigo mais ativo, podem escolher o Pituco, que possui pouco mais de um ano de idade, mostrando comportamento carente e brincalhão.

A médica-veterinária da Zoonoses Andressa Jalyne explica que o serviço de adoção é atípico, já que a função principal do órgão é realizar o controle de doenças infecciosas transmitidas por animais, com foco na preservação da saúde humana. Por isso, os pets para adoção no local, como os resgatados na Candangolândia, são abrigados somente mediante determinação judicial em casos de maus tratos, e não tinham nenhum tipo de suspeita de doenças, como raiva e leishmaniose.

A Zoonoses também oferece vacinação antirrábica gratuita, exame para leishmaniose e coleta de micos, macacos e morcegos mortos ou feridos.

Iniciativa independente

Atuando de forma independente para a adoção de animais em vulnerabilidade, a protetora Jana Beraldo, 35 anos, já contribuiu com os cuidados de 170 cachorros e gatos ao longo dos quatro anos em que atua no resgate e na divulgação de pets para serem adotados. As ações são feitas por meio do Projeto Animalis, que possui um perfil no Instagram (@animalis.bsb) onde a estudante de veterinária arrecada doações e conta histórias de sucesso da doação, mostrando desde o processo de recuperação dos animais até o seu acolhimento.

Atualmente, Jana é responsável por cinco gatos e 25 cães, em sua maioria abrigados temporariamente em lares de voluntários que cuidam dos animais até serem adotados. "Pessoalmente, não gosto do esquema dos canis, onde os animais ficam presos e sem contato com pessoas", comenta. De acordo com ela, os lares voluntários são ideais, pois habituam os cães à vida doméstica. Além disso, tiram a cuidadora da zona de conforto, pois ela se vê obrigada a buscar novas famílias para os animais, antes que eles percam o abrigo temporário.

Jana já contribuiu diretamente com o resgate de 170 animais e 120 adoções
Jana contribuiu diretamente com o resgate de 170 animais e 120 adoções (foto: Arquivo pessoal)

A protetora conta que tudo começou em 2021, quando encontrou um cão abandonado próximo a uma rodovia de Brasília: "Estava em uma loja e fiz o meu primeiro resgate. Foi um cachorro que eu adotei e chamei de Tintin. Ao longo dos meses, ao vê-lo superando os traumas do abandono e se transformando, a vontade de mudar a vida de outros animais foi crescendo". Jana criou um perfil no Instagram que, inicialmente, tinha o objetivo de divulgar resgates de outros independentes, mas se tornou uma plataforma de adoção dos animais que ela mesma salvou ao longo dos últimos quatro anos.

Para a veterinária em formação, não há distinção na hora de adotar os bichinhos. Sempre que se depara com um pet ferido ou com um filhote em vulnerabilidade, acaba tomando a responsabilidade de protegê-lo. Ela acredita que cuidar de animais em situação de abandono, ao contrário do que muitos acreditam, é uma responsabilidade coletiva. "Qualquer um pode ser um protetor, mesmo que seja de apenas um animal", diz.

 

Superlotação

A cuidadora independente ressalta que existe muito desconhecimento da população sobre os direitos dos animais. De acordo com Jana, para muitas pessoas o trabalho de resgate já está sendo cumprido pelo governo ou por ONGs. "Mas todas as organizações estão sobrecarregadas e endividadas, e não conseguem mais cuidar de nenhum outro animal", relata.

"Eu luto diariamente para mudar a forma como as pessoas vêem os animais", diz Andreia Maia, responsável pelo abrigo Arca de Noé. A aposentada atesta a extrema dificuldade nos cuidados de quase 400 animais, que abriga em um sítio, e na captação de voluntários para acolhimento. Atualmente, o Arca de Noé promove feiras de adoção para diminuir a superlotação do local, mas Andreia conta que a cada seis adoções, oito pets são abandonados na porta do abrigo.

Para evitar o abandono, a localização precisa do Arca de Noé, que fica em Planaltina-DF, não é divulgada, e as visitas são agendadas por meio do WhatsApp, por onde Andreia informa o endereço mediante interesse real de ajuda. Entretanto, a cuidadora afirma que, mesmo assim, algumas pessoas fingem intenção de adoção para praticar o abandono. "Logo após a pessoa perguntar onde é o abrigo, aparecem novos pets em nossa porta. O abandono multiplica o nosso trabalho que, hoje em dia, fugiu completamente do meu controle", assinala.

*Estagiário sob a supervisão de Eduardo Pinho

https://www.correiobraziliense.com.br/webstories/2025/04/7121170-canal-do-correio-braziliense-no-whatsapp.html  

 

  • Jana contribuiu diretamente com o resgate de 170 animais e 120 adoções
    Jana contribuiu diretamente com o resgate de 170 animais e 120 adoções Foto: Arquivo pessoal
  • Jana e o seu parceiro Tintin, o primeiro resgate da autônoma
    Jana e o seu parceiro Tintin, o primeiro resgate da autônoma Foto: arquivo pessoal
  • Piatã e Puitã, 2 anos, foram abandonados em um terminal de ônibus, onde viveram por meses. São muito companheiros, com indicação para adoção conjunta
    Piatã e Puitã, 2 anos, foram abandonados em um terminal de ônibus, onde viveram por meses. São muito companheiros, com indicação para adoção conjunta Foto: arquivo pessoal
  • O Pluto, 2 anos, f era ameaçado por moradores da região onde pernoitava, por acharem que era perigoso. É extremamente dócil com pessoas e outros animais
    O Pluto, 2 anos, f era ameaçado por moradores da região onde pernoitava, por acharem que era perigoso. É extremamente dócil com pessoas e outros animais Foto: arquivo pessoal
  • Aru, 5 anos; Pluto, 2; e Peri, 12, estão disponíveis para adoção no Projeto Animalis
    Aru, 5 anos; Pluto, 2; e Peri, 12, estão disponíveis para adoção no Projeto Animalis Foto: Fotos: Arquivo pessoal
  • Resgatado das enchentes no Rio Grande do Sul, o Peri, 12 anos, está há dois anos em Brasília sem encontrar uma família
    Resgatado das enchentes no Rio Grande do Sul, o Peri, 12 anos, está há dois anos em Brasília sem encontrar uma família Foto: arquivo pessoal
  • O Antônio, 4 anos, é calmo e ideal para quem mora em apartamento
    O Antônio, 4 anos, é calmo e ideal para quem mora em apartamento Foto: Bruna Gaston CB/DA Press
  • O Pituco possui pouco mais de um ano e é agitado e brincalhão
    O Pituco possui pouco mais de um ano e é agitado e brincalhão Foto: Bruna Gaston CB/DA Press
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postado em 23/01/2026 06:00
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