Arquitetura

Encanto da cor: vitrais embelezam monumentos em Brasília

Luz que atravessa os vitrais da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida e do Santuário Dom Bosco criam ambientes de contemplação para visitantes

"O azul, que lembra o céu, cria um clima de oração e nos aproxima de Deus", afirma Juliete Pires. - (crédito: Ed Alves/CB/DA Press)

Em contraste com o concreto bruto que marca a paisagem de Brasília, a delicadeza dos vitrais desponta em alguns dos espaços mais conhecidos da cidade. Cor, vidro e luz se unem na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida e no Santuário Dom Bosco para transformar a atmosfera desses ambientes, convertendo-os em um local de contemplação.   

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Apesar de os vitrais serem parte emblemática da Catedral, na Esplanada dos Ministérios, eles vieram depois da inauguração. A obra foi encomendada pelo arquiteto Oscar Niemeyer à artista franco-brasileira Marianne Peretti e instalada apenas em 1990, vinte anos após a inauguração da igreja. Posicionados na cobertura da nave, entre os 16 pilares de concreto, os vitrais apresentam curvas em tons de azul e verde sobre um fundo branco. 

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Pároco da Catedral há três anos, o padre Agenor Vieira explica que a instalação sempre foi um desejo de Niemeyer por acreditar ser uma necessidade de catedrais. Coube a Marianne Peretti transformar essa ideia em realidade. "Niemeyer é o pai da forma e Marianne é a mãe da ambientação", destaca o padre. 

Além do valor artístico, os vitrais cumprem uma função prática que é controlar a luminosidade. Antes da instalação, a intensa luz solar dificultava a leitura dos padres durante as celebrações. Para amenizar o problema, Marianne escolheu cores em tons frios. Há ainda razões simbólicas que explicam essa escolha. "O azul remete ao céu, o verde à natureza e o branco às nuvens. Em dias ensolarados, a luz atravessa o vidro e projeta ondas coloridas no chão", explica padre Vieira.

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Segundo o sacerdote, os vitrais também ajudam a arquitetura a conduzir os fiéis a um ambiente de recolhimento. "Sob as cores do teto, a pessoa se desconecta do mundo exterior e se conecta consigo mesma e com o espiritual", afirma.

A turista Leocadia Soares, 66 anos, veio de Maceió (AL) com a família. Para ela, as formas abstratas dos vitrais despertam reflexão. "Sei que há um significado. Pode ser pessoal, mas acho interessante pensar no que essas formas representam", comenta. Também de passagem pela capital, os dentistas Lorena Soriana, 30, e Jorge Brito, 25, aproveitaram uma escala a caminho de um congresso em São Paulo para conhecer os pontos turísticos da cidade. O casal se surpreendeu com os vitrais da Catedral. "Por vídeo impressiona, mas ao vivo é outra sensação. É realmente lindo", diz Brito.

Outro exemplo do uso marcante de vitrais está no Santuário Dom Bosco, na Asa Sul. São 2,2 mil metros quadrados que conferem ao local uma atmosfera sublime. Há dois anos reitor pároco do santuário, o padre João Carlos André explica o projeto: "Com azul em 12 tons, do mais claro na parte inferior ao mais escuro no alto, temos a impressão de estar no céu. Essa cor remete a um espaço estrelado, sensação criada pelos pequenos pontos brancos entre um vitral azul e outro. Além disso, há quatro blocos laterais com vitrais em três tonalidades de rosa".

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O padre André comenta o impacto do projeto de autoria do arquiteto mineiro Carlos Alberto Naves e dos vitrais assinados por Hubert Van Doorne, artista belga, sobre os visitantes. "O que atrai, para além da beleza, é o fato de a pessoa, ao entrar, se envolver em um mistério", avalia. Ele destaca o efeito que a luz tem sobre o local. "O amanhecer e o entardecer são belíssimos por causa da luz refletida. Eles trazem essa beleza que impacta e impressiona", comenta. 

Integrante do núcleo de Servidores do Altar da Arquidiocese de Brasília, a psicóloga Juliete Pires, 29, frequenta o santuário quase diariamente, mas não deixa de se impressionar. "É uma das grandes belezas do local. O azul, que lembra o céu, cria um clima de oração e nos aproxima de Deus", afirma.

Moradora de Brasília, a professora Márcia Ramos, 56, visitou o santuário pela primeira vez ao lado da cunhada, que veio de Porto Alegre, e da filha. Para ela, os vitrais são uma verdadeira obra de arte. "Vimos fotos da igreja com sol, e ela fica belíssima. Mas mesmo em um dia nublado, continua linda", conclui.

 *Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira

  • Márcia Ramos visita o Santuário Dom Bosco pela primeira vez acompanhada da cunhada e da filha
    Márcia Ramos visita o Santuário Dom Bosco pela primeira vez acompanhada da cunhada e da filha Foto: Ed Alves/CB/DA Press
  • "Por vídeo impressiona, mas ao vivo é outra sensação. É realmente lindo", diz Jorge Brito Foto: Ed Alves/CB/DA Press
  • "Sob as cores do teto, a pessoa se desconecta do mundo exterior e se conecta consigo mesma e com o espiritual", diz o padre Agenor Vieira, pároco da Catedral Foto: Ed Alves/CB/DA Press
  • Os 12 tons de azul utilizados nos vitrais do Santuário Dom Bosco compõem um céu estrelado
    Os 12 tons de azul utilizados nos vitrais do Santuário Dom Bosco compõem um céu estrelado Foto: Fotos: Ed Alves/CB/DA Press
  • Além do valor 
artístico, os vitrais 
filtram a luz do sol 
na Catedral
    Além do valor artístico, os vitrais filtram a luz do sol na Catedral Foto: Ed Alves/CB/DA Press
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postado em 24/01/2026 05:30
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