
Para quem procura tranquilidade no Distrito Federal, o Jardim Botânico de Brasília (JBB) se destaca pela união entre lazer e preservação ambiental, oferecendo trilhas que passam por vegetações intactas de Cerrado e jardins com coleções de plantas de todo o mundo. Além das belas vistas, o espaço possui papel central no desenvolvimento acadêmico e na educação ambiental, e oferece visitas guiadas e museus de ciência para os interessados em aprender mais sobre a região.
Quem vai a piqueniques ou frequenta os cafés e restaurantes que operam no local também pode agendar uma visita guiada, para entender melhor a relação entre o Jardim Botânico e a preservação do meio ambiente. O serviço é voltado para turmas de escolas, universidades, projetos sociais, empresas, famílias ou qualquer grupo que queira aprender a contemplar e valorizar o Cerrado com mais atenção. A gerente de educação ambiental do Jardim Botânico, Ana Beatriz Queiroz, explica que o tour aborda temas como flora, fauna e preservação ecológica, e passa por áreas do parque selecionadas de acordo com o perfil do público.
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Dentre os possíveis roteiros da visita, o jardim japonês é um dos espaços mais explorados pela equipe de educação ambiental. Foi construído com a união de plantas exóticas do leste asiático e espécies regionais. Ao analisarem os arranjos do jardim, os educadores mostram a missão do Jardim Botânico, que busca a valorização de espaços multiculturais, sempre visando à preservação do ambiente originário do DF. "Com todos os grupos em que recebemos, a gente sempre tenta trabalhar com a ludicidade. Nós vemos que aprender brincando funciona muito bem", destaca Ana.
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Para o visitante Paulo Gabriel dos Santos, 37 anos, a instalação mais interessante do parque é o jardim dos cheiros, espaço que abriga 77 tipos de plantas medicinais, aromáticas e alimentícias. Como considera um dos passeios mais interessantes de Brasília, Paulo foi ao parque, desta vez, para apresentá-lo à irmã, Jéssica dos Santos, 34, que mora no município de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul. "Nós nascemos em contato com o verde, e achei aqui lindo. Fiquei realmente encantada", afirma Jéssica, que não conhecia o espaço.
Outras atrações do tour incluem o Museu do Cerrado, também conhecido como Espaço Ciência, que expõe animais taxidermizados e caixas entomológicas de insetos, mostrando alguns animais presentes na fauna local. Todos os espaços dentro da área de visitação do Jardim são abertos ao público e podem ser descobertos, também, de forma autoguiada.
Trilhas
O Jardim Botânico de Brasília abriga, ainda, um trajeto de trilhas, que percorrem todos os 500 hectares do parque e passam por áreas de vegetação preservadas do Cerrado. Com sete percursos disponíveis, sendo que alguns deles permitem o acesso de bicicletas, a atividade já é tradição entre famílias do DF como a de Felipe Barros, 34 anos, que foi ao parque pedalar em uma das trilhas com a esposa e os dois filhos.
O morador do Tororó conta que tem o costume de vir ao Jardim Botânico com frequência e elogia a manutenção: "Minha parte favorita são as trilhas, que estão cada vez mais acessíveis, os parquinhos que estão bem legais para levar as crianças, e também o verde, que é um espaço que, de fato, dá para ter contato com a natureza". Felipe só lamenta que o parque feche às 17h. Segundo ele, é um horário cedo.
As trilhas do jardim são uma grande oportunidade de aprendizado em contato direto com plantas típicas do Cerrado. De acordo com a diretora de educação Ana Beatriz, durante as visitas guiadas, a equipe estimula as pessoas a estarem atentas às árvores. "Depois da caminhada, nós perguntamos para eles o que acharam da paisagem. O nosso papel é mostrar a beleza do Cerrado por meio das relações ambientais, para gerar encantamento", diz a educadora.
Ela explica o motivo por trás da aparência torta e ressecada das árvores, que desenvolvem grandes raízes para obter água do solo durante o longo período da seca. É apenas quando as turmas avançam no percurso, quando se deparam com uma nascente, que percebem o impacto da água na vegetação: "Quando chegamos perto da nascente, as árvores começam a ficar maiores e eles conseguem observar que tudo muda. É nesse momento que percebem que o ambiente deve ser preservado", comenta Ana. Das sete trilhas do jardim, a Krahô é a mais escolhida para grupos escolares devido à sua curta distância, já que possui menos de 2km, mas o jardim conta com trajetos de 4km e 12km, para os mais dispostos.
Objeto de estudo
Inaugurado em março de 1985, o Jardim Botânico se diferencia pela intenção de não só expor plantas de outros lugares do mundo, mas manter as vegetações tradicionais da reserva em sua coleção. A área aberta à visitação é apenas uma fração da reserva completa, que conta com 4.500 hectares de vegetação, chamada de Estação Ecológica do Jardim Botânico de Brasília. O espaço é restrito, com permissão concedida para pesquisadores que tenham interesse em estudar o ambiente local.
A estação remanescente de Cerrado é conectada à área da Estação Ecológica do IBGE e à Fazenda Água Limpa da Universidade de Brasília (UnB), que, juntas, formam um total de 10.000 hectares de vegetação preservada. "Por ser uma área protegida, nós conseguimos estabelecer pesquisas de longo prazo. É um privilégio ter perto das universidades um espaço tão importante para a execução de pesquisas", destaca o professor da UnB Reuber Brandão, do Departamento de Engenharia Florestal (EFL).
O pesquisador aponta a reserva como um "laboratório vivo", que possui diferentes espécies e possibilita o monitoramento a longo prazo da biodiversidade de flora, fauna e dinâmicas de ecossistema, com estudos que envolvem estudantes de graduação, pós-graduação e professores universitários.
Certificado como um jardim botânico de classe A, por padrões internacionais, o Jardim Botânico de Brasília também cumpre o pré-requisito de possuir uma publicação científica própria, chamada de Heringeriana. A revista começou nos anos 1990 como boletim do herbário Ezechias Heringer — produzido pelo professor que coletou as amostras que estão até hoje no herbário — mas ela teve o enfoque ampliado. Hoje, publica artigos não só de botânica, mas que tratam de assuntos da biodiversidade. Brandão também é editor associado da Heringeriana e trabalha para aumentar o reconhecimento da publicação, que divulga de 100 a 150 artigos por ano e já catalogou todos os mamíferos que residem na amostra de Cerrado.
*Estagiário sob supervisão de Tharsila Prates
Saiba Mais
Serviço
Jardim Botânico de Brasília
» Endereço: Setor de Mansões Dom Bosco - SMDB (Lago Sul) Área Especial Estação Ecológica Jardim Botânico de Brasília
» Funciona de terça a domingo, inclusive feriados, das 9h às 17h, com entrada permitida até as 16h30
» Taxa de entrada: R$ 5
» A área do piquenique e do parque infantil está interditada por tempo indeterminado, devido à retirada de pinheiros. Segundo a direção do Jardim Botânico, os pinheiros são árvores exóticas do Hemisfério Norte e se comportam como invasoras no Cerrado, impedindo o desenvolvimento da flora local.
» Visitas pedagógicas:
Disponíveis às terças e quintas para grupos a partir de 10 pessoas
» Agendamento por meio do seguinte endereço eletrônico: www.jardimbotanico.df.gov.br/educacao-ambiental/visita-orientada/

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