Manuela Sá*
Para diferentes tradições astrológicas, 2026 surge como um ano de viradas. Na cultura chinesa, começa em fevereiro o Ano Novo do Cavalo de Fogo, símbolo de movimento, liberdade e energia vital. Já na Astrologia Védica, ligada ao hinduísmo, o período será regido pela força transformadora do deus Shiva. Em comum, as duas leituras apontam para 12 meses intensos, marcados por ação, dinamismo e mudanças.
De acordo com o calendário lunar, as comemorações do Ano Novo Chinês têm início no dia 17 de fevereiro. As celebrações se estendem por 15 dias e terminam com o Festival das Lanternas, quando luzes são lançadas para o céu com a intenção de iluminar o futuro e expulsar energias negativas. São essas as festas que marcam o início do Ano do Cavalo, signo do zodíaco chinês. O calendário chinês é organizado em ciclos de 12 anos, cada um representado por um animal na seguinte ordem: Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão, Serpente, Cavalo, Cabra, Macaco, Galo, Cão e Porco.
Fundador do Instituto Han de Cultura Chinesa, em Brasília, o professor de artes marciais Marco Mourão explica que a tradição foi inspirada nos animais do campo, exceto o dragão. Em 2026, o Cavalo, signo celebrado, terá sua simbologia intensificada por estar associado ao elemento fogo. Segundo Mourão, os cinco elementos (água, fogo, terra, metal e madeira) são importantes para os chineses, pois eles acreditam que esses componentes "podem ser encontrados em tudo e são responsáveis por reger o universo".
Dessa forma, a união do movimento característico do Cavalo com a energia do fogo indica um ano de alta atividade. Nesse período, devem ocorrer aventuras e mudanças, além de ser o momento para ações rápidas. Essa combinação também simboliza renovação, sendo considerada favorável para iniciar projetos, experimentar novos caminhos ou alterar a rotina. Mourão reflete que alguns desses aspectos não são específicos do Cavalo. "Além das características específicas desse signo, o começo do novo ano, como o de qualquer ciclo, é tempo para desejar renovação, boa sorte e prosperidade", pondera.
Direcionamento
Apesar do ritmo acelerado e do potencial transformador, Mourão alerta para a necessidade de ter uma direção clara. "Este ciclo está marcado pela importância de controlar os impulsos e gerir ações rápidas e investidas em diferentes áreas da vida, como trabalho, família e relacionamentos", afirma.
Com uma loja de bolsas na Feira do Paraguai, a comerciante chinesa Yaya Ruo Xu, 36 anos, conta que pretende celebrar o ano-novo chinês em Brasília ao lado do marido e das duas filhas. Ela diz que a família vai se reunir para um jantar com comidas típicas da data. Há 14 anos no país, eles mantêm costumes semelhantes aos que tinham na China. A principal diferença, segundo Yaya, é que lá costumavam visitar um templo budista após a meia-noite, o que não fazem aqui.
"É assim que passamos o ano-novo, mas existem diversas formas de comemorar a data. Algumas pessoas, por exemplo, gostam de usar panchões, algo que não fazemos na minha família", diz. Os panchões a que Yaya se refere são cartuchos de pólvora cobertos por papel vermelho, comumente usados nas festas deste período para entrar bem no novo ciclo.
Do signo de Cavalo, Yaya segue outro costume tradicional. "No ano em que seu signo é celebrado, é preciso usar cores vermelhas. Meias, roupa íntima, camiseta, tudo na mesma cor", afirma. Na cultura chinesa, o signo é definido pelo ano de nascimento, e a cor vermelha é escolhida por simbolizar prosperidade e alegria, devendo ser utilizada para atrair sorte e afastar energias negativas.
Transformações
Para hinduístas, 2026 também tende a ser um período de transformações. A leitura parte da astrologia védica, sistema ligado ao hinduísmo que, assim como a astrologia ocidental, se baseia no estudo de corpos celestes. No entanto, essa tradição amplia a análise ao considerar as consequências de ações realizadas em vidas passadas. Esses atos formam o carma, conceito central da filosofia hindu, cujos efeitos se manifestam na existência atual.
De acordo com a astrologia védica, a energia predominante deste ano está associada a Shiva, uma das principais divindades do hinduísmo. Geralmente representado como uma figura masculina sentada em posição de lótus, ele simboliza tanto a dissolução quanto a regeneração da energia vital. Junto com Brama e Vixnu, esse deus forma a Trindade Divina Hindu, também conhecida como Trimurti.
A mentora espiritual Jennifer Ternevoy explica que Shiva "representa a consciência que dissolve a ilusão e promove mudanças profundas. Ele é o senhor da destruição do ego e de tudo aquilo que mantém o indivíduo estagnado. Sua força atua no desapego, desfazendo estruturas movidas pela vaidade para que novos ciclos possam surgir".
Jennifer ressalta, porém, que, no hinduísmo, os anos não são oficialmente regidos por deuses. A associação simbólica de 2026 a Shiva ocorre porque o período é influenciado por Saturno, planeta ligado ao tempo, à disciplina e aos processos de amadurecimento. Como Shiva é considerado o Senhor do Tempo, ele representa o princípio espiritual que sustenta essa energia planetária. "Quando se fala em ano de Shiva, trata-se de uma interpretação simbólica, arquetípica e espiritual, e não de uma regra formal da religião", destaca.
Para melhor aproveitar a energia do ano, Jennifer faz algumas sugestões. "Não é para forçar caminhos, sustentar máscaras ou ignorar sinais. É tempo de assumir responsabilidades, encerrar ciclos, simplificar a vida, fortalecer disciplina espiritual e agir com integridade", recomenda. "Quanto mais alinhamento interno, mais leve se torna a travessia".
*Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates
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