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Câncer de pâncreas: 'Não é frequente, mas extremamente agressivo', diz oncologista

Ao CB.Saúde, o oncologista Arilto Silva explica porque a doença costuma ser diagnosticada tardiamente, aponta fatores de risco, formas de prevenção e destaca que o diagnóstico precoce pode elevar as chances de cura

A dificuldade no diagnóstico precoce do câncer de pâncreas faz com que muitos pacientes descubram a doença em estágios avançados, o que impacta diretamente as chances de cura. O alerta é do oncologista clínico Arilto Silva, especialista em tumores do aparelho digestivo, durante entrevista ao CB.Saúde — parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília — desta quinta-feira (22/1).

Segundo o especialista, apesar de não figurar entre os tipos de câncer mais comuns, a doença chama atenção pela letalidade. “O câncer de pâncreas corresponde a cerca de 1% de todos os tumores malignos, então ele não é frequente, mas é extremamente agressivo”, explicou. No Brasil, são registrados aproximadamente 10 mil novos casos por ano. “É um número relevante, mas não se trata de um tumor preponderante. O problema é que, muitas vezes, o paciente tem pouco tempo de vida após o diagnóstico”.

Um dos principais entraves no combate à doença é o fato de o pâncreas ser um órgão de difícil acesso e o câncer evoluir de forma silenciosa. De acordo com Arilto Silva, os sintomas iniciais costumam ser facilmente confundidos com alterações comuns do envelhecimento. “O paciente pode apresentar indisposição, perda de apetite e alterações digestivas leves. Como isso acontece, em geral, em pessoas mais velhas, acaba não sendo associado a uma patologia”, explicou. Com a progressão do tumor, surgem sinais mais evidentes, como náuseas, vômitos, icterícia, que é o amarelamento da pele e dos olhos, e perda de peso. “Muitas vezes, só nesse estágio que a pessoa procura um médico”.

Embora não exista um rastreamento de rotina específico para o câncer de pâncreas, o oncologista destaca que é possível identificar tumores em fases iniciais por meio de exames de imagem. “Tumores pequenos, que são potencialmente curáveis, podem ser encontrados com ultrassonografia ou tomografia abdominal. Se houver alteração, a ressonância magnética é o exame mais indicado para entender melhor o que está acontecendo”, disse. 

Há também o marcador tumoral CA 19-9, exame de sangue que pode auxiliar no acompanhamento da doença. “Ele nem sempre se altera quando o tumor existe, mas, quando está elevado e o câncer é confirmado, passa a ser um marcador importante para monitorar a atividade da doença”, completa.

Esse diagnóstico precoce traz chances reais de cura. “O câncer é classificado em quatro estágios. Nos estágios um e dois, que são os mais iniciais, as chances de cura podem chegar a 70%”.

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