
A jornalista e publicitária Mayra Mesquita Araujo da Cunha morreu na quarta-feira (21/1), aos 49 anos. Servidora do Senado e filha do professor de jornalismo da Universidade de Brasília, Paulo José Cunha, ela morreu no Recife após uma pneumonia bacteriana.
Mayra estava de férias em Pernambuco para comemorar o aniversário de uma amiga. Segundo o pai, Paulo Cunha, ela chegou a um hospital da região com suspeita de crise de asma, mas os médicos constataram que o pulmão estava totalmente comprometido, o que exigiu internação imediata. “Logo foi entubada preventivamente para garantir o mínimo de oxigenação”, relata o professor universitário.
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Rapidamente, o diagnóstico apontou pneumonia bacteriana, que evoluiu para um quadro grave de forma extremamente rápida, exigindo sedação. “Ela teve algumas melhoras, foi sedada e não saiu mais da sedação, até morrer”, conta o pai, emocionado.
Dona de uma inteligência fulgurante, formou-se em publicidade e propaganda e, logo em seguida, em jornalismo. Mayra era servidora do Senado há 20 anos. Ingressou inicialmente como terceirizada e, em 2009, passou a integrar o quadro de servidores concursados. Ao longo da trajetória no órgão, participou da produção de documentários e da divulgação de produtos culturais.
Entre os trabalhos de destaque estão produções do projeto Visite 360, do programa de visitação do Senado Federal. Outros trabalhos de destaque são O sonho de Abdias, sobre o ex-senador Abdias Nascimento, e Encontro com Darcy, sobre o educador e também ex-senador Darcy Ribeiro.
No trabalho, era querida por todos que a cercavam. “Ela era assim, multifacetada, multitalentos. Uma personalidade muito vívida. Falante e sempre muito sorridente”, lembra Luciana Rodrigues, diretora de Comunicação do Senado.
O pai fala com carinho da força de vontade de Mayra para fazer tantas coisas ao mesmo tempo. Ela criou um clube do livro, trabalhava arduamente em diversas áreas e, ainda assim, encontrava tempo e espaço para a família. Recentemente, havia adquirido um apartamento e estava ansiosa pelas reformas que pretendia realizar.
Leitora voraz e sempre disposta a compartilhar histórias, criou o “Clube do Livro Breve”, reunindo amigos e interessados em literatura para a leitura de livros curtos. “Esse clube se reúne quinzenalmente para discutir um livro que ela geralmente indicava e que todos compravam para ler, para depois conversar a respeito”, relata o pai.
Amigos próximos descrevem Mayra como uma alma livre. Bianca Damaceno, uma das amigas da servidora, reforça o amor dela pelos livros e pela liberdade. “Mulher muito livre, dona de si, sem medo de ser feliz e com uma vontade de viver inspiradora. De mediadora de clube de leitura a organizadora de blocos de carnaval. De jornalista comprometida e excelente funcionária pública do Senado a companheira de mesa de bar. Quem teve o privilégio de conhecer e conviver com a Mayra, independentemente do contexto e do local, certamente guardará no coração e na memória os momentos incríveis que só ela era capaz de proporcionar”, diz.
Caio Valente, amigo de infância de Mayra, chama-a carinhosamente de “Mayroca” e fala do prazer de conviver com ela durante décadas. “Foi uma das pessoas mais espontâneas e autênticas com quem tive o enorme prazer de compartilhar bons momentos da minha vida. Mayroca sempre foi — e será — sinônimo de alegria, personalidade, liberdade e felicidade”, comenta.
Mayra partiu segurando as mãos do pai. Os pais estão em Recife, onde o corpo será cremado. “Ela era isso: uma pessoa extremamente autêntica. Aquele sorriso aberto o tempo inteiro, escancarado, na verdade, um sorriso sem limites”, conclui o jornalista Paulo Cunha.

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