Convidada do CB.Debate "Pela proteção das mulheres: um compromisso de todos", a juíza de Direito e coordenadora da Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Fabriziane Zapata, destacou o papel fundamental da imprensa na ampliação do debate e no enfrentamento dos altos índices de violência registrados no país.
Segundo a magistrada, o convite para participar do debate foi recebido com entusiasmo justamente por permitir que o tema ultrapasse os limites institucionais. “Recebi com muita satisfação, porque é sempre importante a gente ter o debate saindo da nossa bolha, do sistema de justiça, segurança pública, assistência social, é isso indo para a sociedade. E o Correio dá muita visibilidade, é um tema que eu fiquei muito satisfeita”, afirmou.
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Fabriziane Zapata atua há uma década exclusivamente com casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. “Vejo o debate com esperança porque a Lei Maria da Penha dizia que, para a gente conseguir sair desses grandes números de violência contra a mulher, a gente precisa assumir essa responsabilidade por toda a sociedade", disse. Ela acrescentou que ações institucionais, sozinhas, não alcançam toda a população: “As nossas palestras, os nossos eventos, as nossas formações não chegam nas casas das pessoas. Então a gente precisa que a imprensa abrace essa promoção dos direitos das mulheres, uma irrestrita proteção aos direitos humanos das mulheres”.
A magistrada reforçou que a mudança cultural é indispensável para a redução da violência. “Quando debatemos o temos, mostramos para toda a sociedade a necessidade da mudança cultural, mudar a visão sobre a mulher, ver a mulher como um ser igual, igual em direitos e oportunidades. Se a sociedade não muda para isso, não saímos dos números horríveis que temos hoje”, alertou.
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Ao comentar casos recentes de grande repercussão, Fabríziane Zapata chamou atenção para a quebra do estigma de que a violência doméstica ocorre apenas em relações conjugais. Ela explicou que, embora a maioria dos registros envolva relações afetivas, o problema é estrutural. “Quando a gente olha os dados, a maioria dos casos de violência, eles são essa violência conjugal, numa relação afetiva homem-mulher. Mas como a cultura coloca a mulher, a menina, a jovem, sempre numa posição inferior ao homem, é como se os corpos das mulheres fossem de menor valor”, pontuou. “Ele está ali para ser utilizado, ele é um objeto, ele é o objetificado”, completou.
Para a juíza, diferentes tipos de violência têm a mesma raiz. “Então isso é muito sério, porque você vê tanto uma pessoa que se acha no direito de violar a dignidade sexual da menina, estuprá-la e matá-la,”, relatou. “Isso mostra, no final das contas, é sempre o mesmo problema. É o problema do menor valor que o gênero feminino ocupa na nossa sociedade”, concluiu.
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O debate “Pela proteção das mulheres: um compromisso de todos” acontece hoje, a partir das 9h, no auditório do jornal (SIG), com transmissão ao vivo pelas redes sociais. A programação conta com dois painéis centrais: o primeiro, "Do discurso à ação", focado em políticas públicas com a presença de representantes do Ministério das Mulheres e do TJDFT; e o segundo, "O papel da sociedade", que abordará prevenção e engajamento coletivo com líderes comunitários e especialistas.
A iniciativa ganha relevância diante de um Brasil que, apenas no último ano, registrou 1.470 feminicídios. O encontro é aberto à participação do público, que poderá enviar perguntas presencialmente ou por meio do YouTube do Correio, contribuindo para a construção de caminhos efetivos de acolhimento e proteção às vítimas de violência no DF.
Onde pedir ajuda:
» Ligue 190: Polícia Militar (PMDF)
» Ligue 197: Polícia Civil (PCDF)
» Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres). Por esse canal, também podem ser feitas denúncias de forma anônima, 24 horas por dia, todos os dias.
Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam):
» Deam 1: EQS 204/205, Asa Sul (atende todo o DF, exceto Ceilândia)
» Deam 2: St. M QNM 2, Ceilândia (atende Ceilândia)
» Ouvidoria das Mulheres (Conselho Nacional do Ministério Público): para encaminhamento de denúncias diretamente ao Ministério Público.
WhatsApp: (61) 9366-9229
Telefones: (61) 3315-9467 / 3315-9468
» Ouvidoria Nacional da Mulher (Conselho Nacional de Justiça): para questões e denúncias sobre o andamento de processos judiciais.
Telefone: (61) 2326-4615
Assista ao vivo o CB.Debate:
