A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, defendeu nesta terça-feira (27/1) o enfrentamento da violência contra a mulher em todas as suas dimensões — física, simbólica, psicológica, econômica e política — e afirmou que a presença crescente das mulheres como sujeitos de decisão tem provocado reações violentas na sociedade. Ela participou da abertura do CB.Debate “Pela proteção das mulheres: um compromisso de todos”, realizado pelo Correio Braziliense.
Transmitido ao vivo pelo YouTube e pelas redes sociais do Correio, o evento reúne representantes do Executivo, Legislativo, Judiciário, academia e sociedade civil para discutir políticas de prevenção, acolhimento e proteção integral das mulheres.
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Marina foi a primeira palestrante do encontro e destacou que o avanço das mulheres como protagonistas sociais e políticas ajuda a explicar parte da reação violenta. “Durante muito tempo, as mulheres foram tratadas como objeto. Hoje, esse corpo que antes apenas reagia, muitas vezes em silêncio, é um corpo que age, que se coloca como sujeito político e de decisão”, disse.
A e ex-senadora e deputada licenciada citou a violência política de gênero como uma dessas expressões. Ao relembrar o período em que não exercia mandato, criticou a narrativa de que estaria “sumida” da vida pública. “Minha filha me disse: isso é violência política de gênero. Por que dizem que a senhora está sumida e não dizem isso dos homens?”, relatou, apontando que a discriminação se intensifica quando se trata de mulheres negras, de origem humilde e ligadas a causas que enfrentam resistência.
A ministra também apresentou dados alarmantes sobre feminicídio. Segundo ela, em 2024, o Brasil registrou 1.464 casos — uma média de quatro mulheres mortas por dia. “É a eliminação daquilo que não pode ser dominado ou a mutilação daquilo que deixou de ser objeto de desejo”, afirmou.
Ao destacar a importância das políticas públicas, Marina lembrou a criação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, em 1985, da Secretaria Nacional dos Direitos das Mulheres, em 2003, e do atual Ministério das Mulheres, criado em 2023. Defendeu, no entanto, que o enfrentamento à violência exige ações transversais em todas as áreas do governo e também no setor privado.
Ela também citou que cerca de R$ 200 bilhões do orçamento federal estão articulados em políticas que impactam diretamente as mulheres, como Bolsa Família, Auxílio Gás, Farmácia Popular, ProUni, Fies e programas de empreendedorismo. No Ministério do Meio Ambiente, destacou o Bolsa Verde, programa de pagamento por serviços ecossistêmicos, no qual mais da metade dos recursos é destinada a mulheres.
“Garantir renda, acesso a crédito e titularidade da terra é uma forma de combater estruturalmente a violência contra as mulheres”, afirmou. Ainda ressaltou que a existência das mulheres como sujeitos de desejo e vontade não representa ameaça: “Ela só revela a impotência daqueles que não sabem viver sem dominar”.
Confira:
