Durante o evento “Pela proteção das mulheres: um compromisso de todos”, realizado pelo CB.Debate, a pesquisadora da Fiocruz e integrante da coordenação do Laboratório Contra o Feminicídio do Distrito Federal, Socorro Souza, destacou que a principal barreira no enfrentamento à violência contra as mulheres está na distância entre as políticas públicas e a realidade vivida nos territórios. Segundo ela, a falta de compreensão sobre como funciona a rede de proteção e a ausência de políticas que considerem as desigualdades estruturais ampliam os riscos para mulheres em situação de violência.
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De acordo com Socorro, o laboratório desenvolve uma pesquisa-ação, ainda em andamento, que identificou que organizações de mulheres com mais de dez anos de atuação comunitária no DF relatam dificuldades para orientar vítimas sobre como proceder, especialmente em casos de ameaça à vida. “Mesmo com histórico de luta e organização, muitas mulheres ainda não sabem como acessar o sistema de proteção”, diz.
Outro fator crítico apontado pela pesquisadora é a vulnerabilidade socioeconômica, que compromete a autonomia das mulheres e dificulta o rompimento com ciclos de violência. Ela ressaltou que as políticas públicas ainda operam a partir de uma ideia de “mulher universal”, sem considerar marcadores como território, raça, classe e acesso a direitos. “As mulheres não vivem as mesmas realidades, e quando isso não é reconhecido, as políticas simplesmente não chegam”, explicou.
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Socorro também defendeu que o enfrentamento à violência de gênero exige mudanças culturais e de valores, além de ações institucionais. Para ela, debates são essenciais para ampliar a consciência social sobre o problema. “É uma disputa de valores, de que sociedade queremos construir. Sem isso, o enfrentamento fica incompleto”, concluiu.
O cenário da violência de gênero no Distrito Federal exige atenção urgente: em 2025, a capital registrou 11,3 mil casos de violência doméstica, uma média alarmante de 30 ocorrências por dia. O aumento de 9,4% em relação ao ano anterior, somado aos recentes casos que vitimaram uma adolescente e uma mulher idosa, reforça a necessidade de políticas públicas mais robustas e de uma rede de apoio que funcione preventivamente.
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Para enfrentar essa realidade, o evento organizado pelo Correio Braziliense reúne grandes nomes como as ministras Marina Silva e Luciana Santos, além de magistradas e especialistas. O primeiro painel focará na responsabilidade institucional do Estado, enquanto o segundo debaterá a mobilização social e a mudança cultural necessária para erradicar a violência contra a mulher.
Onde pedir ajuda:
» Ligue 190: Polícia Militar (PMDF)
» Ligue 197: Polícia Civil (PCDF)
» Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres). Por esse canal, também podem ser feitas denúncias de forma anônima, 24 horas por dia, todos os dias.
Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam):
» Deam 1: EQS 204/205, Asa Sul (atende todo o DF, exceto Ceilândia)
» Deam 2: St. M QNM 2, Ceilândia (atende Ceilândia)
» Ouvidoria das Mulheres (Conselho Nacional do Ministério Público): para encaminhamento de denúncias diretamente ao Ministério Público.
WhatsApp: (61) 9366-9229
Telefones: (61) 3315-9467 / 3315-9468
» Ouvidoria Nacional da Mulher (Conselho Nacional de Justiça): para questões e denúncias sobre o andamento de processos judiciais.
Telefone: (61) 2326-4615
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