
A deputada distrital Dayse Amarilio (PSB) defendeu no CB.Poder — parceria entre o Correio e a TV Brasília — a criação de uma CPI na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para investigar a situação atual do Banco de Brasília (BRB), envolvido no caso Master. Segundo a parlamentar, incertezas como a necessidade de aporte de dinheiro público são suficientes para justificar a comissão de inquérito.
"As pessoas querem saber se tiram o dinheiro do banco ou não tiram. A gente pode ter uma repercussão financeira gravíssima", disse às jornalistas Ana Maria Campos e Sibele Negromonte.
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Além disso, a entrevistada, que atua como presidente da Comissão de Saúde da CLDF, apontou uma situação de crise na Secretaria de Saúde do DF, que enfrenta deficit de quase 25 mil servidores, o que resultou no fechamento de 300 leitos de UTI.
Existe a possibilidade de abertura de uma CPI para investigar as transações entre o BRB e o Banco Master?
Existe o pedido protocolado com sete assinaturas. E eu assinei a CPI por acreditar que é necessário investigar a situação do BRB. Para que a CPI seja aceita são necessárias oito assinaturas, mas, para que ela seja prioridade na frente das CPIs que estão protocoladas, ela teria que ter a aprovação da maioria dos deputados, que seriam 13 assinaturas. Acho que Brasília pede isso, as pessoas querem saber se devem tirar o dinheiro do banco, já que o BRB é um uma empresa pública do Distrito Federal, que gera empregos, fomenta várias áreas da economia.
A gente sabe que, atualmente, dificilmente esse número de 13 assinaturas deve ser alcançado. E o governo alega que, em um ano eleitoral, esse debate seria muito politizado. Como é que a senhora enxerga isso?
A gente está em um ano político mesmo, com muitos movimentos partidários e ideológicos. Mas eu foco no nosso dever constitucional da Casa, e acredito que a situação não tem como se agravar. Eu acredito que a CPI pode mostrar maiores problemas, e que é muito necessária, porque a gente passa, e Brasília fica, e isso pode ter uma repercussão orçamentária e financeira gravíssima. A gente ouve alguns posicionamentos de que o BRB não vai chegar até o final do ano, ou que será necessária uma ajuda do governo ao banco, e é essa insegurança que estamos cobrando dos outros parlamentares, inclusive do presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), que vai estar conosco amanhã (hoje) no colégio de líderes, quando deve trazer essa pauta. É uma preocupação muito grande: a situação não precisa se agravar para a CPI ser instaurada.
A senhora nos relatou sobre o deficit de enfermeiros na rede pública de saúde e contou um episódio de um enfermeiro que estava atendendo 90 pacientes. Onde foi isso?
A gente tem hoje um deficit geral de todas as carreiras da saúde. Mas esse episódio foi com um colega lá do HRT (Hospital Regional de Taguatinga), que estava naquela tarde com 90 pacientes. Isso não é uma coisa ocasional, e não é só no HRT. A média de pacientes para os profissionais é muito grande. Acima do que dão conta para prestar uma assistência segura. E o mais triste é que não tem nenhuma sinalização da economia. Nós temos concursos prontos para as pessoas serem chamadas. Temos, hoje, uma média de 300 leitos bloqueados todos os dias, leitos de UTI, por falta de servidor. Tem tudo lá, mas não tem servidor.
Como é essa questão dos concursos públicos vagos?
Tem concurso, por exemplo, para técnico de enfermagem, que é o maior deficit na Secretaria de Saúde, com 6 mil servidores. Também faltam quase 2 mil enfermeiros. São concursos que tem gente aprovada, esperando só ser chamado para trabalhar. E aí o servidor, por um compromisso com a população e com a sua equipe, ele acaba pegando o Trabalho em Período Definido (TPD), que é a hora extra. E, agora, passamos por uma instabilidade muito grande, porque, até sexta-feira, a gente não tinha notícia se o TPD referente a dezembro de 2025 seria pago, e segue atrasado. Além disso, todos os servidores da Secretaria de Saúde que trabalharam no período noturno em novembro e dezembro não foram pagos, e não tem nenhuma previsão de pagamento adicional noturno.
A Câmara Legislativa promulgou uma lei de sua autoria estabelecendo que os concursos públicos do DF terão que exigir conteúdos de primeiros socorros. Como é esse projeto?
Esses projetos nascem da vivência do parlamentar, e passando por escolas do Distrito Federal, eu escutei muitos gestores e pais preocupados com essa pauta. A inspiração foi a lei Lucas, que foi um menino que faleceu em 2017 por um engasgo, que poderia ter sido evitado por uma manobra muito simples. A lei vale para todos os concursos, independentemente de ser na educação, na saúde ou em qualquer outra área. Qualquer gestor público precisa ter esse conhecimento de primeiros socorros, porque a gente sabe que o servidor ele que está atendendo ao público.
*Estagiário sob a supervisão de Patrick Selvatti

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