
Por meio da 8ª Vara Criminal de Brasília, a Justiça tornou réus os policiais civis Gustavo Gonçalves Suppa e Victor Baracho Alves, envolvidos em uma abordagem truculenta na 112 Norte, em julho de 2025. Na época, os agentes perseguiram, imobilizaram e agrediram o publicitário Diego Torres, enquanto o filho dele, de 5 anos, assistia a tudo do carro. A criança foi deixada com desconhecidos no momento em que o pai foi algemado e levado à delegacia.
Na decisão, o juiz Osvaldo Tovani, que aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) em 18 de janeiro, considerou como requisitos fundamentais o relato da vítima e de testemunhas e os vídeos da ação, nos quais Diego aparace sendo imobilizado por um dos agentes, enquanto uma mulher entra no carro e resgata a criança. O publicitário também levou socos e um "mata-leão".
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A Corregedoria-Geral da Polícia Civil (PCDF) instaurou, à época, um inquérito policial e procedimento administrativo disciplinar para apurar os fatos. Desde então, os policiais foram retirados das ruas e realocados para funções administrativas.
Segundo a PCDF, o motorista teria forçado a passagem na via, colidido com a viatura descaracterizada e fugido do local, desobedecendo sinais luminosos e sonoros de parada. Ainda conforme a corporação, teria apresentado comportamento não colaborativo, motivando o uso de algemas. Testemunhas, no entanto, relataram que a ação foi exagerada e que o homem não ofereceu resistência.
Agora, os réus precisam apresentar defesa técnica em até 10 dias, com produção de provas (testemunhas, perícias), audiências de instrução e alegações finais.
Momentos de tensão
Ao Correio, Diego relatou, à época do fato, os momentos de tensão que precederam a abordagem truculenta. "Eu estava andando pelo Eixão Norte, na altura da Quadra 115, quando esse carro descaracterizado entrou na minha frente e começou a pisar no freio bruscamente. Até que, em um determinado momento, houve um mínimo contato entre os dois veículos. Fiquei assustado, desviei e acelerei rumo à tesourinha da 114 Norte", detalhou.
"Como tem muito maluco no trânsito e a viatura estava descaracterizada, fiquei com medo. Até que eles ligaram uma sirene. Demorei a perceber que vinha de lá. Eu me esquivei e entrei no eixo W até chegar à 112, onde pudesse parar com um pouco mais de segurança e descer do carro para me explicar e resolver toda a situação", continuou.
O publicitário disse, ainda, que as agressões verbais começaram assim que os policiais desceram do carro. "Desceram me xingando, dizendo que eu estava maluco, que eu bati numa viatura e que eu estava preso. Imediatamente pedi que alguém me ajudasse, pelo menos, a acudir meu filho, que alguém pudesse avisar à mãe dele e que ela pudesse vir buscá-lo", relatou. "Não levantei minha voz em nenhum momento, eu saí numa boa querendo resolver a situação", acrescentou.
No momento da abordagem, os policiais fecharam a porta do carro nas pernas do filho de Diego. "As pernas dele ficaram vermelhas. Eu fiz exame de corpo de delito, mas ele não fez", contou.

Cidades DF
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