
A forte chuva que atingiu o Distrito Federal na tarde de quinta-feira (5/2) deixou um rastro de destruição em São Sebastião e mudou completamente a rotina da família de Rosilene dos Santos Rocha, de 50 anos. A enxurrada desceu com força pela Quadra 307, no Residencial Oeste, invadiu a casa da moradora, destruiu móveis e eletrodomésticos e abriu uma cratera no imóvel do filho dela, que mora ao lado. Segundo a família, a água subiu a um palmo acima do chão e transformou a rua em um rio de lama, pedras e entulho.
Rosilene conta que já enfrentou alagamentos outras vezes, mas afirma que nunca havia passado por uma situação tão grave. “A gente já passou por isso umas três vezes, mas essa foi a pior. Dessa vez, encheu tudo. A água entrou, a fossa transbordou e precisamos quebrar a parede do fundo para conseguir tirar a água e a lama”, relatou. Segundo ela, a enxurrada veio por volta das 15h, enquanto estava no trabalho. “Eu não estava em casa. Minha filha fez o vídeo e mandou pra mim. Quando eu vi, fiquei desesperada”, disse.
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A filha, Elinelma Rocha Silva, de 28 anos, acompanhou de perto o momento em que a água tomou conta do imóvel. “A areia que minha mãe tinha comprado estava toda arrumada. Ela estava rebocando a casa. A chuva espalhou tudo. A televisão queimou, a geladeira estava ‘nadando’ na água. As crianças estavam aqui dentro, com medo”, contou.
Moradora do local há cinco anos, Rosilene conta que perdeu quase todos seus bens. “Perdi tudo. O que dá pra aproveitar são algumas roupas, que dá pra lavar. O resto, não sobrou nada”, afirmou. Ao chegar em casa após a chuva, ela diz que se deparou com um cenário de destruição. “Quando eu cheguei aqui, meu Deus… estava tudo estragado.”
Por causa dos danos, a residência foi interditada pela Defesa Civil. “Eles interditaram aqui. Eu não posso ficar nem aqui, nem na casa do meu outro filho, que é aqui ao lado”, explicou Rosilene. Sem ter para onde ir, ela e parte da família precisaram se dividir. “Eu estou dormindo na casa da minha filha, lá em cima, que é de aluguel. Meu filho está dormindo na casa da sogra. A gente está vindo aqui sempre, mas não pode arrumar nada enquanto não tiver uma resposta", destacou.
Na casa vizinha, onde mora outro filho de Rosilene, a força da enxurrada abriu uma cratera e deixou o imóvel em risco. “O medo é esse buraco encher e a terra ceder. A água entra por baixo, com barro, tudo”, lamentou Elinelma.
Em nota, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) informou que equipes técnicas já atuam na região para minimizar os impactos da enxurrada e realizar uma avaliação detalhada das condições do pavimento e da via. “A vistoria técnica está em andamento para identificar a extensão dos danos e definir as intervenções necessárias”, afirmou a Novacap.
De acordo com a empresa, as medidas emergenciais priorizam a segurança de moradores, pedestres e motoristas, com ações voltadas à recomposição provisória dos trechos mais afetados até que as condições climáticas permitam a execução dos serviços definitivos. “Paralelamente, a Secretaria de Obras analisa as condições de drenagem da área, considerando as características do local e o volume de águas pluviais que convergem para a região, com o objetivo de avaliar soluções que reduzam a recorrência desse tipo de ocorrência”, destacou. A Novacap informou ainda que segue monitorando a situação e manterá as equipes mobilizadas para atender às demandas provocadas pelas chuvas.

Cidades DF
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