Desdobramentos

Família de Rodrigo Castanheira diz que houve emboscada

No momento, caso está a cargo do Ministério Público, que vai decidir se oferece a denúncia à Justiça ou pede novas diligências. Tio de Rodrigo Castanheira e advogado apontam que ocorreu premeditação do crime

Para Flávio Fleury, tio de Rodrigo, a briga foi planejada -  (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
Para Flávio Fleury, tio de Rodrigo, a briga foi planejada - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

A morte de Rodrigo Castanheira transformou o luto em clamor por justiça. Para o tio do adolescente, Flávio Henrique Fleury, e para o advogado da família, Albert Halex, o episódio não pode ser tratado como um desentendimento casual. No momento, a investigação está a cargo do Ministério Público, que vai decidir se oferece a denúncia à Justiça ou pede novas diligências. O Correio não teve acesso às novas informações incluídas no inquérito, em sigilo, mas tanto Flávio quanto Halex apontam para os indícios de premeditação. 

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"O sentimento aqui agora é de impunidade total. Eles (Pedro Turra e amigos) deram voltas no quarteirão esperando Rodrigo estar sozinho. Pelas filmagens, não foi uma briga, foi para executar", desabafou o tio à reportagem, reforçando que a agressão teria ocorrido a pedido de um terceiro envolvido, um jovem piloto de drift. 

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A percepção de planejamento é compartilhada pelo advogado da família. Em depoimento ao Correio, Halex classificou o crime como o retrato de uma "sociedade doente" e de jovens que se sentem "donos do mundo" por sensação de impunidade. A tese de que houve uma "emboscada" pode mudar a classificação do crime, segundo especialistas.

 

Possíveis penas

O advogado criminalista Alexandre Carvalho aponta que a descoberta de uma combinação prévia para "dar uma lição" à vítima introduz o elemento da torpeza.

Carvalho sustenta que a violência aplicada por um adulto de grande porte contra um adolescente configura, no mínimo, dolo eventual. "Pedro Turra tinha ciência de que, ao agredir uma pessoa de compleição física bem menor, poderia matá-la", pontua o também professor de direito, que prevê uma condenação entre 17 e 26 anos caso a denúncia vá ao Tribunal do Júri.

 Chegada de Pedro Turra na 38ª Delegacia de Polícia em Vicente Pires
Chegada de Pedro Turra na 38ª Delegacia de Polícia em Vicente Pires (foto: Paulo Gontijo/CB/D.A Press)

Por outro lado, o advogado criminalista Vítor Sampaio explica que o Ministério Público precisará definir se a morte foi um resultado pretendido ou uma consequência não desejada de uma agressão. Enquanto o homicídio qualificado (crime hediondo) pode chegar a 30 anos de reclusão com progressão de regime lenta, o enquadramento como lesão corporal seguida de morte prevê uma pena bem menor, de 4 a 12 anos. "A investigação deve apontar se houve planejamento e controle, o que endurece a resposta penal, ou uma explosão episódica, onde a leitura tende a ser mais branda", esclarece Sampaio.

 

Desdobramentos

A família agora espera que o inquérito alcance outros envolvidos. Segundo o tio da vítima, o advogado possui provas de que o motorista do carro onde Pedro Turra estava teria sido o mandante do ataque e agido por ciúmes de Rodrigo com uma ex-namorada. "Aguardo ansiosamente para que a justiça vá atrás dele. Por ser menor de idade, os pais dele também devem ser responsabilizados", cobrou Flávio Fleury.

Até o momento, Pedro Turra segue em prisão preventiva — medida que, segundo os juristas, é sustentada pelo risco de reiteração criminosa e relatos de intimidação de testemunhas. Enquanto o processo avança, a família de Rodrigo se prepara para a despedida de um adolescente apaixonado por esportes, que sonhava em ser jogador de futebol.

 

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postado em 08/02/2026 08:15 / atualizado em 08/02/2026 08:16
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