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Empreendedorismo feminino em debate no Distrito Federal

Em 3 e 4 de março, o Movimente 2026, do Sebrae, reunirá especialistas de 10 países e lideranças nacionais para articular políticas públicas e independência econômica. superintendente da entidade no DF, Rose Rainha, falou ao CB.Poder sobre o evento

Rose Rainha, superintendente do Sebrae-DF, falou sobre as novidades para a segunda edição do Movimente
       -  (crédito:   Bruna Gaston CB/DA Press)
Rose Rainha, superintendente do Sebrae-DF, falou sobre as novidades para a segunda edição do Movimente - (crédito: Bruna Gaston CB/DA Press)

A superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Distrito Federal (Sebrae-DF), Rose Rainha, afirmou, no CB.Poder — parceria entre o Correio e a TV Brasília — desta quarta-feira (11/2), que a capital federal será o palco, em 3 e 4 de março, do Movimente 2026, um debate global e gratuito sobre o empreendedorismo feminino. Às jornalistas Mariana Niederauer e Ana Maria Campos, Rose contou que a segunda edição do evento nasce de um diagnóstico realizado em 17 regiões administrativas para identificar as barreiras reais das empreendedoras. Confira, a seguir, os principais pontos da entrevista.

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Como surgiu a ideia da segunda edição do Movimente e do enfoque deste ano, que vai do regional ao internacional?

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Abrimos o Mês da Mulher trazendo ao debate as dificuldades, as soluções e as coisas boas que as mulheres têm feito. O Movimente é um evento que nasceu no Distrito Federal a partir de um debate interno no Sebrae, sobre a necessidade de irmos além das capacitações e mentorias. Fizemos uma grande pesquisa qualitativa, primeiro com grandes empresárias e depois em todas as regiões administrativas, para entender os desafios das mulheres para empreender. Vimos que precisamos fortalecer as políticas públicas para essa mulher ter menos dificuldade e mais sucesso. Fizemos um grande encontro e tivemos uma agenda recepcionada pelo Governo do Distrito Federal, que imediatamente publicou um decreto de apoio. Agora, o Movimente vira um evento de cunho nacional e internacional, trazendo contribuições de outros países, com a participação de Sebraes de todo o Centro-Oeste.

O que vocês identificaram como as maiores dificuldades aqui no DF?

Identificamos desde dificuldades com networking e tempo limitado até questões de segurança. A Secretaria de Segurança nos procurou porque vimos que, em uma mesma quadra, uma mulher com um salão de beleza fechava às 18h por medo, enquanto uma barbearia ao lado funcionava até as 20h. Essa pesquisa deu subsídio para um fórum com 97 especialistas que discutiram desde saúde até segurança. Um exemplo: não temos políticas públicas que ajudem a mulher a congelar óvulos para uma maternidade retardada. Sabemos que há um período em que ela tem mais dificuldades para a maternidade, e se ela se ausenta no auge do negócio, isso traz prejuízos. A mulher precisa desse apoio para escolher o momento em que estiver mais estável profissionalmente.

Fala-se muito que a independência econômica é a melhor forma de proteger a mulher da violência doméstica. O empreendedorismo seria esse caminho para a segurança?

Sem dúvida, o empreendedorismo é uma das formas — talvez a melhor — para que a mulher tenha independência econômica e oportunidade de escolha. Não é admissível, com o nível de tecnologia e organização que temos, que uma mulher ainda morra por ser mulher. A Maria da Penha (que vai participar do evento) vem recordar a situação em que ela chegou para que toda a sociedade, homens e mulheres, debata saídas. O empreendedorismo dá segurança para ela escolher seu futuro com dignidade.

Como será o evento?

O evento é um grande hub. Teremos reuniões fechadas de secretários de Segurança, Educação, Mulher e defensores públicos de todo o país para tirar pautas comuns. No auditório principal, teremos palestrantes como Neil Redding, especialista em futuro e inteligência artificial, e o encontro de mulheres do BRICS, coordenado pela Mônica Monteiro, com a presença da atual presidente do bloco, que é da Índia. Teremos rodadas de negócios e shows abertos aos inscritos. 

O Movimente foi construído coletivamente com as regiões administrativas. Como foi esse aprendizado nas RAs?

O decreto do GDF facilitou nossa ida às 17 regiões administrativas. Mobilizamos mais de 3 mil empresárias em encontros onde elas iam ao palco contar suas histórias. Foi um aprendizado de vida para nós. Vimos que a mulher costuma fazer tudo muito sozinha. Conseguimos conectar redes e fazer negócios acontecerem dentro das próprias regiões. Essas mulheres, agora, vêm para o grande evento.

O evento contará com um fórum mediado pela ONU Mulheres?

Exatamente. Teremos cerca de 120 especialistas e, com a mediação da ONU Mulheres, vamos tirar uma agenda de empreendedorismo feminino até 2030. Será uma agenda que a ONU também trabalhará nos países participantes. Além disso, o Movimente se torna, agora, um evento itinerante do Centro-Oeste. No próximo ano, será em outro estado da região, passando por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, voltando a Brasília daqui a quatro anos.

Assista à íntegra da entrevista:

 

 

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postado em 12/02/2026 05:00
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