
Durante a missa de sétimo dia de Rodrigo Castanheira, celebrada na noite desta sexta-feira (13/2), na Paróquia Nossa Senhora da Esperança, em Vicente Pires, o padre João Medeiros fez uma homilia marcada por reflexões sobre a vida interrompida do adolescente, a violência humana e a misericórdia de Deus. Diante de uma igreja tomada por amigos e membros da comunidade, o sacerdote destacou a tragédia da morte precoce do jovem.
O sacerdote falou diretamente sobre a dor causada pela interrupção abrupta da vida de um jovem. Sem citar nomes ou detalhes do crime, destacou que a morte de Rodrigo representa uma perda que atinge não apenas a família, mas toda a comunidade. “É triste quando uma vida é interrompida. Quando alguém é impedido de crescer, de caminhar e de ser aquilo que guardava no coração para o futuro”, disse, em referência aos sonhos interrompidos do adolescente.
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Padre João reforçou que a fé cristã não naturaliza a violência nem romantiza a morte. “Não foi Deus que quis isso. Deus criou o ser humano para viver em harmonia, em família, em sociedade”, afirmou. Segundo ele, atribuir tragédias à vontade divina é uma forma de negar a responsabilidade humana sobre atos de ódio e intolerância. “Quantas vidas foram ceifadas por pessoas que não amam a própria vida, nem a vida do outro?”, questionou.
Em um dos momentos mais fortes da homilia, o padre alertou para a banalização da violência. Ao mencionar a juventude, o sacerdote lamentou que jovens desistam da vida ou tenham seus caminhos interrompidos por ações violentas. “Jesus disse: ‘Eu vim para que todos tenham vida’. Não para que a vida seja interrompida por ódio, por brigas, por falta de amor”, afirmou.
Padre João também fez um apelo direto aos presentes para que a dor não se transforme em ódio. “Eu peço a todos vocês que não guardem ódio no coração. O mal não traz paz, não traz honra, não traz vida”, disse. Ele reconheceu a dimensão do sofrimento vivido pelos pais e familiares de Rodrigo. “A dor de perder um filho não é fácil para os pais, para a família e também para a Igreja, que sofre junto”, afirmou.
Encerrando a homilia, o sacerdote confiou Rodrigo à misericórdia divina e pediu conforto para os que ficaram. “Que Deus o guarde no Reino Celestial e conforte seus pais, seus irmãos, seus familiares e os jovens que sofrem com a ausência dele”, declarou. Em seguida, reforçou a confiança na justiça divina e humana. “Tudo tem o seu tempo e a ordem de Deus e do direito humano. Jesus fez bem todas as coisas e com certeza não ficará impune a perda desse jovem”, concluiu. A celebração terminou em silêncio e oração, com muitos fiéis visivelmente emocionados.
O caso
Em 23 de janeiro, Rodrigo Castanheira foi agredido por Pedro Turra, na saída de uma festa, em Vicente Pires, e sofreu traumatismo craniano severo. Ainda pela manhã, o ex-piloto foi preso em flagrante, mas acabou liberado após o pagamento de fiança de R$ 24,3 mil. Diante da gravidade do estado de saúde da vítima e dos indícios de que o agressor tentava interferir nas nvestigações, a Justiça decretou, em 29 de janeiro, a prisão preventiva dele, que foi detido na casa da mãe.
No Centro de Detenção Provisória (CDP) da Papuda, Turra está em uma cela individual, após alegações de risco à integridade física. Após 16 dias internado, Rodrigo morreu, em 7 de fevereiro, gerando comoção em todo o DF. O ataque, para a família do adolescente, não foi um incidente isolado, mas uma emboscada premeditada, tese que, se confirmada, descarta a versão inicial de um desentendimento por causa de um chiclete.

Cidades DF
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