
Três membros de um grupo criminoso acusado de utilizar credenciais vazadas de servidores públicos para manipular sistemas do Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) foram presos, nesta sexta-feira (27/2). A ação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) ocorreu em conjunto com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
Um adolescente de 15 anos, apontado como o responsável técnico pela inserção fraudulenta dos mandados, foi apreendido no Jardim Botânico III (DF). Um homem de 19 anos e uma mulher de 45 foram detidos em Caldas Novas (GO) e na mesma região administrativa de Brasília, respectivamente. Outros endereços ligados ao grupo foram alvos da operação. Ao todo, cinco ordens judiciais foram executadas nesta fase. Veja:
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Segundo os investigadores, o mesmo grupo teria participado da inserção de mandados de prisão forjados contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O delegado Marceleandro Silva, da PCMG, disse que, em depoimento, investigados indicaram que a ação teria sido feita “para mostrar a força que eles tinham”.
Além da manipulação de mandados, o grupo é investigado por tentar intimidar autoridades envolvidas nas apurações. Segundo a PCMG, houve tentativa de acesso à credencial de uma servidora de tribunal em Sergipe para promover ataques diretos a um juiz e a um delegado de Minas Gerais.
A apuração conduzida pela PCMG identificou que 92 mandados foram lançados como cumpridos, de forma fraudulenta, após o vazamento da credencial de um policial penal em Minas Gerais. Com isso, integrantes de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) teriam sido beneficiados.
Marceleandro Silva explicou a dinâmica: “Mesmo essas pessoas não tendo sido presas, eles lançavam no sistema, de maneira incorreta, que a prisão havia ocorrido. O objetivo era que elas se mantivessem em liberdade, quando deveriam estar encarceradas”.
Segundo o delegado, as negociações ocorriam em aplicativos de mensagens. “Esses falsos cumprimentos eram negociados em grupos de Telegram e Discord. Lá, eles fomentavam a venda, não só dessas liberdades, mas também de acessos indevidos ao Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud) para bloqueios judiciais indevidos”, detalhou.
Apesar das tentativas, as autoridades garantem que nenhuma liderança criminosa permaneceu em liberdade por causa da fraude. “Ninguém, efetivamente, teve o benefício concreto, porque houve atuação conjunta do Tribunal de Justiça e das polícias, que conseguiram reverter essas falsas inserções antes que surtissem efeito”, declarou Marceleandro.
O delegado João Guilherme, da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), da PCDF, destacou que não houve invasão direta aos sistemas institucionais. “O que houve foi utilização indevida de credenciais. Eles obtinham essas credenciais de servidores, conseguiam acessar os sistemas e lá tentavam fazer alterações no Banco Nacional de Mandados de Prisão”, explicou. Segundo os investigadores, há indícios de que os investigados recebiam valores para promover essas alterações.
Os suspeitos poderão responder por crimes como invasão de dispositivo eletrônico, organização criminosa, falsidade ideológica e, caso confirmada a movimentação financeira para ocultação de valores, lavagem de dinheiro. “Se somadas, essas penas podem ultrapassar 10 ou 12 anos de prisão”, afirmou o delegado da DRCC.

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