Segurança

Passarela da Asa Norte recebe câmeras, e moradores comemoram

A instalação de câmeras nas passagens subterrâneas do Plano Piloto começou entre as quadras 103 e 203, inclui outros três locais na Asa Sul e faz parte de um programa de videomonitoramento nas 35 regiões administrativas do DF

O projeto de revitalização das passarelas subterrâneas do Plano Piloto avança com a implementação de um sistema de videomonitoramento, cuja finalidade é aumentar a sensação de proteção de quem circula pela região e precisa atravessar o Eixo Rodoviário de Brasília (Eixão). Inicialmente, o projeto contempla uma passagem na Asa Norte e três na Asa Sul. A passarela da Asa Norte, localizada entre a 103 e a 203, já está com quatro câmeras funcionando e integradas ao sistema.

Na Asa Sul, outras 12 câmeras aguardam a conclusão da implantação para entrarem em funcionamento nas travessias que ligam as quadras 101/201, 103/203 e 105/205 Sul. Cada passarela possui quatro câmeras, posicionadas estrategicamente: duas voltadas para o lado de cima do Eixinho W e duas para o lado de baixo do Eixinho L.

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O projeto é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) e a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). "A Secretaria viu ali uma oportunidade de implementar esse monitoramento como forma de prevenção, aumentando a segurança da população que transita naqueles locais", pontua o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros do DF Rafael Fernandes Conti, subsecretário de Inovação Tecnológica da SSP-DF. 

O monitoramento dessas passagens, segundo a pasta, não é uma ação isolada, mas parte de um programa de videomonitoramento urbano que, hoje, cobre todas as 35 regiões administrativas do Distrito Federal. Segundo o subsecretário, as imagens capturadas são acompanhadas ininterruptamente e, em breve, serão compartilhadas com unidades locais das forças de segurança.

"Estamos implementando centrais de monitoramento remoto em todos os batalhões da Polícia Militar, dos grupamentos do Corpo de Bombeiros e nas delegacias de polícia. Assim, essas unidades terão a possibilidade de acompanhar todas as imagens das câmeras mais próximas das regiões atendidas por esses locais", detalha o tenente-coronel. Ainda não há previsão para o início do funcionamento das câmeras instaladas na Asa Sul. 

Mudança de hábitos

Antes da instalação das câmeras, a travessia da 103-203 funcionava da mesma forma que nas outras quadras da Asa Norte, onde os pedestres, devido à sensação de insegurança, são induzidos a atravessarem pelo Eixinho, para evitar problemas com a violência.

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A tosadora de animais domésticos Graziele de França Santos, 36 anos, preferia atravessar em local sem faixas de pedestre a descer as escadas da passarela. "Quando via pessoas em situação de rua, objetos de reciclagem ou até utensílios de uso de droga, preferia passar pelo Eixinho. Mas, agora, com a reforma e instalação das câmeras, estou passando por baixo", afirma.

Graziele passa diariamente pelo túnel da 103-203, no período da tarde, e afirma que a sensação de segurança do local mudou. Apesar de nunca ter sofrido qualquer tipo de violência, ela relata que, ao passar por outros pedestres na passarela, ocasionalmente ouvia histórias ruins. "Algumas pessoas me pararam e aconselharam que eu escondesse o celular. Diziam que o ambiente era perigoso e já tinham sido assaltados ali", conta.

Silvani da Conceição, 36, também passa todos os dias, pela manhã e à tarde, na passarela da 103, e relata ter se sentido menos insegura nos últimos dias. A doméstica trabalha na 303 e, vez ou outra, escutava relatos de conhecidos e frequentadores do mesmo ponto de ônibus, que já passaram por constrangimentos na travessia. "Algumas pessoas estranhas passavam encarando as mulheres. Outras chegavam a roubá-las", diz. Sobre as câmeras de vigilância, Silvani conta que, desde a implementação, a diminuição de estranhos no local foi visível. "Acho que as câmeras podem prevenir vários problemas nas passarelas. O lugar está bem livre e mais tranquilo", defende.

A especialista em segurança pública Ana Izabel Gonçalves de Alencar classifica a instalação das câmeras como uma medida essencial para enfrentar o histórico de periculosidade desses locais, que, frequentemente, sofrem com a depredação da iluminação pública para facilitar ações criminosas. Segundo ela, o videomonitoramento atua tanto na prevenção quanto na elucidação de delitos, visto que "o filme mostra exatamente o ocorrido. Então, as pessoas filmadas vão evitar cometer o crime novamente", diz a ex-presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF).

Mobilidade

Para o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), responsável pela gestão, manutenção e fiscalização do Eixão, o reforço tecnológico é uma peça-chave para devolver esses espaços públicos aos pedestres, que frequentemente evitavam as travessias por receio de assaltos e violência. O presidente do órgão, Fauzi Nacfur, destaca que a medida se soma a outros investimentos, como a modernização da iluminação, para garantir um trajeto mais seguro. "O problema das travessias de pedestres era a insegurança. Então, tudo o que puder ser feito para minimizar esses riscos, é positivo", reforça. 

Sob a ótica da mobilidade urbana, Wesley Ferro, dos Conselhos de Transporte Público do DF e de Trânsito do DF, pondera que, embora o videomonitoramento seja um avanço, ele não resolve sozinho o abandono histórico desses espaços. Para o especialista no tema, as passagens possuem falhas crônicas de concepção, como as curvas em "L" que impedem a visão do final do trajeto, e a falta de acessibilidade para cadeirantes e ciclistas. Ferro defende que a solução definitiva exige uma requalificação profunda que atraia vida para as passagens, transformando-as em áreas de convivência.

"Essa qualificação precisa avançar no sentido de esse espaço ser ocupado por atividades comerciais, culturais e serviços. É preciso dar vida às passagens subterrâneas", afirma. Além disso, o especialista em mobilidade destaca que a precariedade das travessias acaba empurrando o pedestre para a superfície, onde o risco de atropelamento é alto devido à velocidade dos veículos nos Eixos. Para Wesley, o investimento em tecnologia deve vir acompanhado de manutenção e presença policial.

*Estagiário sob supervisão de Tharsila Prates

https://www.correiobraziliense.com.br/webstories/2025/04/7121170-canal-do-correio-braziliense-no-whatsapp.html 

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