Caso Pedro Turra

Delegado se emociona e testemunhas rompem silêncio

A prisão de Pedro Turra encorajou testemunhas a falarem o que aconteceu; delegado e defensor reforçam a gravidade do crime

A investigação da agressão sofrida pelo estudante Rodrigo Castanheira gerou comoção em Brasília. O delegado Pablo Aguiar, titular da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), se emocionou durante coletiva de imprensa em 30 de janeiro, ao comentar o caso de agressão que deixou o adolescente de 16 anos, à época, em coma. O delegado chorou e falou sobre a "dor de um pai" ao abordar as consequências do ataque para a vítima e seus familiares.

Pablo afirmou que o impacto do crime vai além das lesões físicas e atinge profundamente a estrutura familiar da vítima. O delegado destacou, ainda, que o inquérito policial apura as circunstâncias do ataque e reúne depoimentos que apontam para um possível histórico de comportamentos violentos por parte do investigado.

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Com a prisão de Pedro Turra, novas testemunhas começaram a relatar versões diferentes daquelas apresentadas inicialmente. "Antes, a história era a do chiclete. Depois da prisão, as pessoas começaram a falar a verdade", afirmou o advogado da família de Rodrigo Albert Halex. Segundo ele, havia medo entre os adolescentes que presenciaram os fatos. "Com a pressão social e a prisão, essas testemunhas ficaram mais à vontade para dizer: 'A verdade não é essa que estão contando'."

Do ponto de vista jurídico, a defesa da família sempre sustentou que o crime deveria ser tratado como homicídio doloso, por dolo eventual. "Não era uma briga comum. Era uma briga de Davi contra Golias", afirmou Halex, ao destacar a diferença física entre Pedro Turra e Rodrigo. 

Segundo ele, houve escalada de violência e assunção consciente do risco de matar. "Ele continuou batendo mesmo quando o Rodrigo estava totalmente entregue. Ele assumiu o risco de matar", disse. Para a defesa, o histórico de conduta violenta do agressor reforça essa tese. "Ele sempre batia na parte mais sensível do corpo humano, que é a face. Isso não é acaso".

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