“Uma pessoa que filma um crime em andamento, incentiva ou auxilia a agressão responde por aquele crime com as mesmas penas previstas”, afirmou Hudson Maldonado, delegado-chefe da 13ª DP e responsável pelas investigações da morte de Leonardo Ferreira da Silva, 19 anos, vítima de uma briga em Sobradinho II. No CB.Poder — parceria entre o Correio e a TV Brasília —, o delegado destacou que, no caso da agressão de Leonardo, tanto o homem responsável pela violência física quanto o outro autor, que gravou a dinâmica com celular, foram presos e acusados pelo crime de homicídio.
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De acordo com o entrevistado, a prisão foi decretada pois, ao filmar a briga de rua, o espectador estaria instigando o crime de agressão, mediando a luta como uma espécie de árbitro. Maldonado também compara a morte de Leonardo a outro caso similar, o da agressão de Rodrigo Castanheira, 16 anos, também morto em uma briga presenciada por outros jovens: “Se duas pessoas estão brigando e outras estão filmando, sorrindo, há de se analisar até que ponto isso também pode servir de incentivo”, disse ele às jornalistas Ana Maria Campos e Mila Ferreira.
Apesar das duas tragédias mencionadas, o delegado destaca que cada caso tem a sua particularidade e seria necessário averiguar o caráter da gravação. Ele afirma que, em alguns casos, uma filmagem seria uma forma de registrar o crime para auxiliar em uma possível investigação, enquanto em outros casos poderia se caracterizar como crime de omissão, mas sem indícios de incentivo à luta. “As pessoas acham que, se as mãos dela não estão literalmente sujas de sangue, elas não podem ser responsabilizadas. Mas isso é mentira”, defende.
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Maldonado acrescenta, ainda, que a divulgação das filmagens de lutas podem propagar a prática de crimes semelhantes. Segundo o entrevistado, brigas são praticadas principalmente por adolescentes e jovens do sexo masculino, em busca de pertencimento social, e a gravação desses encontros pode intensificar essa dinâmica, já que os participantes se sentiriam constrangidos em abandonar uma briga e receosos de serem vistos como covardes nas redes sociais.
Assista à entrevista completa abaixo:
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