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Mercado imobiliário do DF encerra 2025 com 6 mil unidades vendidas

Com crescimento de cerca de 8%, setor registra valorização acima da inflação e estoque equilibrado de 15 meses; Gama lidera com alta de 20,29%, seguido pelo Setor de Clubes Sul (19,15%), Sudoeste (18,44%) e Ceilândia (17,50%)

O mercado imobiliário do Distrito Federal fechou o ano de 2025 com crescimento e valorização acima da inflação, com destaque para o aumento nas vendas de imóveis no Gama, Setor de Clubes Sul e Sudoeste. Ao longo do ano, foram comercializadas 6.009 unidades em todo o DF, que movimentaram R$ 4,85 bilhões no mercado primário. O valor médio do metro quadrado subiu de R$ 13.211 para R$ 14.254 — alta de 7,9% — enquanto o tíquete médio das unidades vendidas subiu para R$ 808.633. Os dados fazem parte do Anuário do Mercado Imobiliário do DF 2025, publicado pela Quadraimob Inteligência Imobiliária.

Em diversas regiões administrativas, a valorização superou a média do DF. Gama liderou com alta de 20,29%, seguido pelo Setor de Clubes Sul (19,15%), Sudoeste (18,44%) e Ceilândia (17,50%). Isso revela um crescimento mais difuso pelo território, ainda que três regiões concentrem o protagonismo do setor —  Noroeste, Águas Claras e Samambaia.

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No alto padrão, o Noroeste encerrou o ano com 976 unidades ofertadas e preço médio de R$ 19.129 por metro quadrado, sendo referência de imóveis de alto valor agregado na capital. Já Águas Claras tornou-se o principal polo do médio padrão, reunindo 2.238 unidades, cerca de 29% da oferta do DF, e preço médio de R$ 12.106/m². Além disso, Samambaia apresentou metro quadrado médio de R$ 7.492 e valorização de 12,83%.

Segundo o diretor da Quadraimob, Rogerio Oliveira, a alta de quase 8% no valor do metro quadrado resulta de um conjunto de fatores estruturais. “Tivemos uma oferta moderadamente restrita, já que o volume vendido superou o de lançamentos. Além disso, houve recuperação da demanda no segundo semestre, com maior previsibilidade das taxas de juros, e uma recomposição de preços que vinham defasados frente ao aumento dos custos de produção”, explica.

Em 2025, foram lançados 40 empreendimentos no DF, totalizando 4.913 unidades e Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 4,43 bilhões. O tíquete médio das unidades lançadas foi de R$ 901.342. No segmento Médio e Alto Padrão (MAP), 24 empreendimentos somaram 2.540 unidades e VGV de R$ 3,55 bilhões, com tíquete médio de R$ 1.397.915. Já o segmento econômico registrou 16 empreendimentos, 2.373 unidades e VGV de R$ 877,59 milhões, com tíquete médio de R$ 369.823.

O fato das vendas (6.009 unidades) terem superado os lançamentos (4.913) poderia indicar risco de escassez de estoque nos próximos anos. No entanto, no momento, o cenário ainda é positivo. Atualmente, há 7.717 unidades disponíveis para venda, o equivalente a cerca de 15 meses de oferta, considerando o ritmo de comercialização de 2025.

“Uma oferta entre 12 e 18 meses é vista como equilibrada. Não há risco imediato de falta de estoque. O mercado está operando em um nível confortável, sem excesso de lançamentos e com absorção consistente”, afirma Oliveira. 

Segundo ele, o momento não caracteriza superaquecimento, mas crescimento sustentado. “Os preços subiram um pouco acima da inflação, mas ainda abaixo do patamar de outras capitais de porte semelhante. O conjunto dos indicadores aponta para um mercado saudável.”

A segmentação geográfica também ajuda a explicar o resultado. No Noroeste, a escassez de terrenos nas Asas e no Sudoeste, associada ao perfil de renda mais elevado do público, mantém a região como última grande fronteira vertical do Plano Piloto. 

Em Águas Claras, a infraestrutura e a diversidade de oferta garantem liquidez no médio padrão. Já Samambaia se beneficia da disponibilidade de terrenos, da presença de empreendimentos enquadrados no Minha Casa, Minha Vida e da mobilidade urbana favorecida pelo metrô e vias de acesso.

O estudo também aponta novos caminhos de crescimento. O projeto do Setor Jóquei Clube é uma das principais apostas para os próximos anos, especialmente no médio padrão, por reunir localização central e infraestrutura consolidada. No alto padrão, o Jardim Botânico aparece como área de expansão, devido a aprovação de terrenos que favorecem condomínios verticais exclusivos e empreendimentos horizontais de luxo. A DF-140 e o Setor Tororó também avançam nesse perfil.

No médio padrão, além de Águas Claras, a região norte, com destaque para Sobradinho, ganha relevância, especialmente ao longo do corredor da BR-020, onde lotes e projetos como a Cidade Urbitá podem redefinir o perfil urbano local.

Já no segmento econômico, Recanto das Emas, Sobradinho II e Planaltina ampliam o potencial de crescimento, especialmente com empreendimentos vinculados ao Minha Casa, Minha Vida e à expansão do perímetro urbano.

Para o diretor da Quadraimob, o movimento não representa uma mudança no perfil do comprador, mas uma redistribuição territorial da oferta. “O que vemos é a consolidação de novos vetores de crescimento, acompanhando a disponibilidade de terrenos e a capacidade de pagamento das famílias. O mercado do DF está se tornando mais policêntrico e diversificado.”

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