CASO MASTER

Presidente do BRB avalia como "natural" rebaixamento do banco neste momento

Nelson de Souza afirma que avaliação da S&P Global Ratings é uma percepção negativa de momento. "Isso não impede o banco de operar normalmente. Estamos cumprindo todas as nossas obrigações com clientes", declarou ao Correio

Presidente do BRB negocia mais prazo com o Banco Central para apresentar plano de capitalização -  (crédito: Fotos: Ed Alves CB/DA Press)
Presidente do BRB negocia mais prazo com o Banco Central para apresentar plano de capitalização - (crédito: Fotos: Ed Alves CB/DA Press)

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson de Souza, minimizou o rebaixamento do rating de crédito da instituição pela S&P Global Ratings, na quinta-feira (19/3), de “brBB” para “brB-” na escala nacional. “Considerando o momento que estamos vivendo, é natural que haja uma percepção mais negativa. Isso não impede o banco de operar normalmente. Estamos cumprindo todas as nossas obrigações com clientes”, destacou.

A classificação foi mantida em CreditWatch negativo, sinalizando possibilidade de novo rebaixamento no curto prazo, diante das incertezas sobre a capacidade de capitalização do banco. Em entrevista ao Correio, Nelson afirmou que a avaliação é uma percepção de momento da instituição, e que as agências “acompanham o banco de forma prudente, como devem fazer”. “O BRB tem liquidez, vem melhorando sua reputação e já tem um plano de capitalização pronto, entregue ao Banco Central. O que falta agora é realizar o aporte”, completou.

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Na prática, com a nova classificação, o BRB deixa uma faixa de risco considerada especulativa moderada para um nível mais elevado de vulnerabilidade. Enquanto o rating anterior indicava uma instituição ainda capaz de honrar compromissos, mesmo que sensível a choques, a nova nota aponta uma situação mais frágil, com dependência de condições favoráveis e, sobretudo, de apoio externo para manter a estabilidade financeira.

O principal fator apontado para a decisão da agência foi a insegurança em torno do plano de capitalização, que depende do aporte de recursos pelo Governo do Distrito Federal (GDF), controlador do banco. Embora a Lei Distrital nº 7.845/2026 tenha autorizado o uso de ativos públicos para reforçar o capital da instituição, embates jurídicos colocam em dúvida a viabilidade prática da medida e atrasaram sua implementação.

Outro elemento apontado na análise é a deterioração da qualidade dos ativos, especialmente após a reavaliação da carteira adquirida do Banco Master. A expectativa de perdas mais elevadas deve exigir provisões significativas e pressionar ainda mais os indicadores de capital. Para sustentar as operações dentro dos parâmetros regulatórios, a estimativa é de que o banco precise de um aporte mínimo de R$ 6,6 bilhões.

Nesta sexta-feira (20/3), o BRB divulgou um Fato Relevante comunicando ao mercado que mantém diálogo regular com o Banco Central e demais reguladores, mas negou que haja “decisão definitiva sobre eventual adiamento do prazo para divulgação de balanço ou cobertura de perdas, como noticiado pela imprensa”. Segundo o banco, a publicação das demonstrações financeiras ocorrerá após a conclusão e validação das informações, em conformidade com as normas.

Ação popular

Uma ação popular foi protocolada ontem por membros do Partido Verde (PV) e do Partido Democrático Trabalhista (PDT) na Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Distrito Federal, no Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT), pedindo a suspensão imediata de qualquer uso, alienação ou operação envolvendo a Gleba A da Serrinha do Paranoá. A área, considerada estratégica para o equilíbrio hídrico da capital, foi incluída na Lei Distrital nº 7.845/2026 como ativo para capitalização do Banco de Brasília (BRB).

Os autores alegam risco de dano ambiental “grave e irreversível” e apontam que a medida pode comprometer o abastecimento hídrico da capital. O pedido é assinado pela senadora e presidente do PDT, Leila do Vôlei; pelo presidente do Partido Verde, Eduardo Brandão; pelo deputado federal Reginaldo Veras (PV); e pela dirigente e ambientalista Rayssa Tomaz contra o GDF, o BRB e o governador Ibaneis Rocha (MDB).

Procurados, o BRB afirmou que não se pronunciará sobre a ação e o governador Ibaneis respondeu que “é só mais uma”. A Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) alega que a “Gleba A”, de sua propriedade, “não possui recursos hídricos, tais como rios, nascentes ou mananciais, nem está inserido em Área de Proteção Ambiental (APA)”.

 

Quatro perguntas para

Nelson de Souza, presidente do BRB

 

O que pesa hoje na avaliação das agências?

Principalmente o fato de a capitalização ainda não ter sido efetivada. Isso é pontual. Quando houver a integralização do capital, essa percepção tende a melhorar. O plano de capitalização do BRB foi entregue ao Banco Central em fevereiro. Temos um prazo de até 180 dias para executar, mas queremos fazer o mais rápido possível. A expectativa é entre abril e maio. Não deve mais ocorrer em março por causa dos eventos recentes.

O que atrasou esse processo?

Houve questionamentos judiciais envolvendo a lei que permite usar imóveis para capitalizar o banco. Isso gerou insegurança jurídica e afetou investidores. Agora a lei já voltou a vigorar normalmente, e estamos retomando o processo.

O BRB negocia prazo com o Banco Central?

Não exatamente. O que pode acontecer é um ajuste no prazo de divulgação de balanços, algo aceitável diante do cenário atual. Se não houvesse a suspensão da lei, já teríamos avançado mais até o fim de março.

Quais alternativas de capitalização estão em curso?

Além dos imóveis, estamos estruturando outras frentes, como operações com o Fundo Garantidor de Crédito. Também faremos um novo roadshow para atrair investidores qualificados, ainda em março. A partir do momento em que fizermos a capitalização, com a integralização do capital, a percepção muda. O BRB é um banco forte, e isso será refletido no rating.

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postado em 20/03/2026 22:54 / atualizado em 21/03/2026 00:04
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