CB DEBATE

"Quando uma mulher morre, todos nós falhamos", afirma desembargadora

Durante a abertura do evento CB.Debate, Jaceguara Dantas comentou sobre a atuação do Estado na proteção à mulher

desembargadora e conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Jaceguara Dantas da Silva -  (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
desembargadora e conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Jaceguara Dantas da Silva - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Na sessão de abertura do CB.Debate com o tema O Brasil pelas mulheres — formação para uma cultura de proteção, promovido pelo Correio Braziliense nesta terça-feira (24/3), a desembargadora Jaceguara Dantas aprofundou questões relacionadas à violência contra a mulher.

"A proteção do Estado é fundamental. Quando uma mulher morre, é uma responsabilidade de todos, inclusive da sociedade", afirmou Jaceguara.

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A desembargadora apontou que uma boa educação é o caminho a ser seguido. "A raíz do feminicídio é a cultura, e a cultura se muda com educação. O Brasil precisa de uma mudança na educação primária", comentou.

Jaceguara também comentou que a barbaridade tem aumentado ao longo dos anos. "Todos os dias abrirmos os jornais e vemos mulheres sendo mortas das formas mais cruéis possíveis. Esse grau de violência impacta muito mais a nossa luta", disse.

Para a magistrada, a violência contra a mulher também possui caráter racista. "A violência tem cor e raça. 62,6% das vítimas de feminicídio são mulheres negras. Quando se amplia para toda violência letal, esse número chega a quase 70%", disse. Jaceguara também destacou que mulheres indígenas, sobretudo indígenas do Mato Grosso do Sul, também estão entre as maiores vítimas.

Segundo Jaceguara, muitas mulheres indígenas têm o direito da denúncia ferido. "Essa mulheres precisam da autorização do cacique para fazer o B.O. A medida protetiva, muitas vezes, não surte efeito porque ela e o agressor moram na mesma aldeia", cimentou.

CB DEBATE

O Correio Braziliense promove mais uma edição do CB Debate com o tema O Brasil pelas Mulheres — formação para uma cultura de proteção. Realizado durante o Mês da Mulher, o encontro reúne representantes do poder público, especialistas, profissionais da educação e integrantes da sociedade civil para discutir o papel das instituições na construção de ambientes mais seguros e igualitários para as mulheres. A iniciativa propõe o fortalecimento do enfrentamento à violência de gênero por meio de ações estruturais, apostando no diálogo e na formação como caminhos para mudanças duradouras. O evento integra uma série de debates promovidos ao longo do ano pelo Correio voltados à valorização das mulheres e à discussão de políticas públicas.

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postado em 24/03/2026 12:10 / atualizado em 24/03/2026 12:25
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