Prisão

Ex-colega fala sobre 'comportamento estranho' de fonoaudiólogo preso por suspeita de estupro

Thiago Oliveira Lima, 37 anos, foi preso de forma temporária após uma denúncia de abuso contra uma criança de quatro anos. Após a repercussão do caso, quatro novas denúncias foram feitas à polícia

Um ex-colega de faculdade de Thiago Oliveira Lima, fonoaudiólogo de 37 anos, preso de forma temporária na última quarta-feira (11/3) por suspeita de cometer ao menos cinco abusos sexuais contra crianças em uma clínica de Taguatinga, afirmou ter sido pego de surpresa pela notícia. “Ele tinha atitudes bem imaturas e estranhas, mas nunca achei que chegaria a esse nível", desabafou.

Ele relatou que, durante a graduação, Thiago fazia piadas sem graça e desrespeitosas. “Ele era uma pessoa de poucos amigos, principalmente por conta da postura que tinha com outros alunos”, afirmou. 

O ex-colega de turma também lembrou de comentários de que Thiago apresentava um comportamento insistente para sair com outra colega. "Minha amiga reclamou desse comportamento dele, da insistência em tentar sair com ela. Ela ficava bastante desconfortável", disse.

O amigo falou, ainda, sobre um áudio que Thiago enviou no grupo da sala e que causou desconforto em todos. "Sem contexto algum, ele mandou um áudio direcionado às mulheres do grupo que dizia: 'Mulheres, vocês gostam de homem tranquilo ou homem safadão? Porque eu sou safadão", relembrou.

Novas denúncias

Entre a noite da prisão e a manhã dessa quinta-feira (12/3), mais quatro denúncias contra Thiago Oliveira Lima surgiram. Todas relatando abusos sexuais contra crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma clínica em Taguatinga. 

Segundo a delegada responsável pelo caso, Elizabeth Frade, da 21ª DP (Taguatinga Sul), as outras mães também notaram uma mudança de comportamento dos filhos após consultas feitas com Thiago. “Elas demonstravam reação de choro ao vê-lo. Em três das quatro ocorrências, observamos esse comportamento: choro, resistência ao atendimento, crises de apreensão ao estarem na presença dele", afirmou.

A delegada ainda comentou que essa mudança de comportamento também foi filmada por câmeras de segurança do hall de entrada da clínica. "A sala onde ele fazia os atendimentos não possui câmera. A clínica forneceu as imagens e é possível ver as crianças chorando muito após os atendimentos", explicou. Entre os registros, Elizabeth Frade comenta que em uma das filmagens, uma criança é vista abrindo as pernas de forma repetitiva, como se algo estivesse incomodando-a. "Vamos analisar de forma mais profunda essas imagens que só foram fornecidas ontem [na terça]", acrescentou Frade.

Na denúncia realizada em dezembro de 2025, um fio de cabelo foi encontrado na fralda da primeira vítima, uma criança de quatro anos. Os laudos periciais ainda não foram concluídos, desse modo, esse fio de cabelo ainda não pode ser definido como pertencente a Thiago. A delegada afirmou que, motivada pela primeira denúncia, novas amostras de DNA foram coletadas no consultório do fonoaudiólogo. “Coletamos mais 45 amostras que encontramos no consultório. "Esses fluidos serão analisados e, só assim, poderemos identificar sua natureza, se é sêmen ou saliva, por exemplo", explicou Elizabeth.

Outro padrão que foi encontrado nas denúncias foi a percepção das mães que as fraldas voltavam frouxas após as consultas. “Quando as mães iam trocar as fraldas, percebiam que o elástico estava frouxo, como se alguém tivesse mexido", disse a delegada.

Entre outros comportamentos, a delegada frisou que uma das mães alegou que achou estranho o fonoaudiólogo, volta e meia, estar com os pacientes no colo. Esse não teria sido o único comportamento estranho percebido pelas mães. "Em outra ocasião, uma mãe comentou que, durante uma avaliação de atendimento, ele foi mexer na mochila de trabalho que leva para a clínica, ela caiu e, de dentro dela, uma camisinha também caiu", disse a delegada. Segundo o relato ouvido por Elizabeth, Thiago pegou a camisinha com naturalidade e não pediu desculpas pelo ocorrido. A mãe, após o episódio, não quis que o fonoaudiólogo atendesse a criança.

Thiago foi preso de forma temporária após a primeira denúncia. Somente após os resultados da perícia é que a prisão poderá sofrer algum tipo de alteração. A reportagem tenta localizar o contato da defesa de Thiago. O espaço está aberto para manifestações.

 

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