estupro de vulnerável

Advogado preso por estuprar jovem tinha mais de 10 passagens

Segundo registros policiais, o suspeito tem acusações de crimes de ameaça, injúria, falsificação de documentos, extorsão, entre outras

O homem de 53 anos preso por suspeita de dopar e estuprar uma jovem de 23 anos é advogado com registro ativo na Ordem dos Advogados do Brasil, na seccional do Distrito Federal (OAB-DF), e possui mais de 10 passagens por outros crimes, incluindo ameaça e extorsão. A informação foi confirmada à reportagem pela 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), que investiga o caso. 

Segundo registros policiais, o suspeito tem 13 passagens pelos crimes de ameaça, injúria, falsificação de documentos, extorsão e duas por parte ilegal de arma de fogo. O homem também é investigado em mais de um processo por violência doméstica e lesão corporal. Em outra denúncia, que corre em segredo de justiça, ele é acusado de uso ilegítimo de uniforme ou distintivo. 

Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, na manhã deste sábado (14/3), policiais encontraram, no carro do advogado, uniformes do Batalhão de Policiamento de Choque da Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO), além de medicamentos possivelmente usados para dopar a vítima e um soco inglês. Na ocasião do estupro da jovem, ocorrido na última terça-feira (10), o suspeito se apresentou como policial e empresário. 

Um caso semelhante ocorreu em 2019, quando outro homem foi preso por se passar por um delegado da Polícia Federal em Brasília. Segundo reportagens da época, ele extorquia dinheiro de um ex-detento, afirmando que o alvo da extorsão estava sendo investigado por tráfico e que iria concluir o inquérito contra ele. Na casa do criminoso, em Águas Claras, foram encontradas fardas militares e duas armas de pressão. No celular, ele usava como fundo de tela o símbolo da PF.

O Correio questionou a OAB-DF e a PMGO sobre quais medidas serão tomadas a respeito do registro do suspeito na Ordem e do uso indevido do uniforme da corporação, respectivamente, mas ainda não obteve retorno. 

Divulgação/PCDF -
Divulgação/PCDF -
Divulgação/PCDF -

O crime

O advogado preso atraiu a vítima para o local do crime, após oferecer a ela uma proposta de emprego. Segundo o depoimento da vítima, ela recuperou a consciência cerca de 24 horas depois do abuso, quando se viu nua sobre a cama do investigado, enquanto ele vestia apenas roupas íntimas.

Em um áudio compartilhado pela jovem durante o depoimento, o homem disse que precisava de uma funcionária nas áreas de estética, joias, roupas e salão de beleza. "Em Águas Claras, eu tenho lojas na beira da pista. E a 'mulherada' daqui consome grana 'para caramba', entendeu? É muita informação, não dá para ficar falando por áudio. Como você está de tempo hoje? Você tem tempo para a gente sentar e jantar? Pelo menos para bater um papo?", diz o homem.

Durante a falsa entrevista, o suspeito teria oferecido à jovem uma bebida contendo substância que a fez perder os sentidos. Cerca de 24 horas depois do abuso, ela acordou nua sobre a cama do investigado, enquanto ele vestia apenas roupas íntimas. Imagens internas do prédio mostram a vítima entrando no elevador cambaleando.

De acordo com o depoimento de um motorista de aplicativo, solicitado pela jovem para conduzi-la até sua residência, "ela entrou no veículo em estado de desorientação, não sabendo sequer em qual dia e horário estava. Esta testemunha a conduziu direto à delegacia de polícia, onde foi feito o registro do fato", afirma a delegada da 21ª DP, Elizabeth Frade.

Diante do registro da ocorrência, a 21ª DP representou ao plantão judiciário, que deferiu a prisão temporária e mandado de busca e apreensão na residência do suspeito. Ao ser surpreendido pela polícia, o autor se preparava para fugir com a ajuda de um conhecido, que foi autuado em flagrante pelo crime de favorecimento pessoal.

"No local, foram apreendidos celulares, além de diversos medicamentos que possivelmente foram utilizados para dopar a vítima. Ele foi preso por estupro de vulnerável. A ação contou com atuação da Seção de Atendimento à Mulher da 21ª DP (SAM), com apoio da Seção de Investigação de Crimes Violentos (SICVIO) e da Seção de Repressão às Drogas (SRD)", completa a delegada.

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