Moradores do Recanto das Emas se uniram na manhã deste sábado (14/3) em prol da caminhada Diga Não ao Feminicídio. Da Caixa Econômica Federal rumo ao estacionamento do Recanto Shopping, o público clamou pelo direito das mulhers e protestou contra a violência de gênero. A programação gratuita ainda incluiu aula de alongamento e dança, sorteio de brindes e materiais informativos com orientações sobre políticas públicas de prevenção ao feminicídio.
Acompanhada da irmã e dos sobrinhos, Daiana de Figueiredo, 37, foi uma das participantes da caminhada. “Já sofri agressão em um relacionamento passado”, revelou. “Isso me gerou um trauma, o que tornou muito difícil eu me relacionar novamente. Mas eu também fiquei mais atenta ao meu redor. Quando eu vejo alguém falando um pouquinho mais alto com as minhas amigas, por exemplo, eu já fico alerta. Infelizmente, quando foi comigo, eu não percebi”, lamentou.
“Sentimos medo de andar de ônibus, de estar na rua, de sentar na calçada… E isso é pavoroso”, continuou a moradora do Recanto. “É muito triste abrir as redes sociais e ver que todo dia tem feminicídio e violência contra mulher. Por isso, eventos como esse são tão importantes. É preciso nos conscientizarmos sobre o assunto”, exaltou.
Lourieves Alves, 57, pediu para que os homens “parem de tratar mulheres como propriedade”. “A gente não tem direito de usar uma roupa curta ou andar na rua sozinha”, pontuou a merendeira. “Nós somos livres, somos independentes. Podemos fazer o que quisermos das nossas vidas. E não precisamos de violência, e sim de amor, carinho, atenção e proteção”, afirmou.
O correspondente bancário Maicon Torres, 37, também esteve presente na caminhada de ontem, acompanhando a esposa Samantha Silva, 35, e as filhas Emanuelly, 13, Emilly, 12, e Mavi, 9, na caminhada de ontem. “É uma causa muito importante. A gente vive hoje em uma sociedade ainda muito machista, por isso é tão necessário que a gente apoie a mulher em tudo”, defendeu. “É preciso, inclusive, educar as crianças desde cedo. Também sou professor de futevôlei e sempre busco mostrar aos meus alunos que temos que proteger e defender as mulheres”, assegurou.
Apenas em 2026, o Distrito Federal já registrou cinco casos de feminicídio, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal — um deles aconteceu no Recanto das Emas, em fevereiro. Uma jovem de 23 anos foi encontrada morta dentro da própria casa, na quadra 105.
Onde pedir ajuda:
» Ligue 190: Polícia Militar (PMDF)
» Ligue 197: Polícia Civil (PCDF)
» Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres). Por esse canal, também podem ser feitas denúncias de forma anônima, 24 horas por dia, todos os dias.
Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam):
» Deam 1: EQS 204/205, Asa Sul (atende todo o DF, exceto Ceilândia)
» Deam 2: St. M QNM 2, Ceilândia (atende Ceilândia)
» Ouvidoria das Mulheres (Conselho Nacional do Ministério Público): para encaminhamento de denúncias diretamente ao Ministério Público.
WhatsApp: (61) 9366-9229
Telefones: (61) 3315-9467 / 3315-9468
» Ouvidoria Nacional da Mulher (Conselho Nacional de Justiça): para questões e denúncias sobre o andamento de processos judiciais.
Telefone: (61) 2326-4615
