Mais cinco mulheres procuraram a polícia nos últimos dias para denunciar André Luiz Alves da Fonseca, de 53 anos, acusado de dopar e estuprar uma jovem de 23 anos. Os novos relatos, que estão sendo investigados pela Polícia Civil (PCDF), vieram à tona após a denúncia contra o homem, no último sábado (14/3). A investigação também revelou que ele possui mais de 10 passagens por outros crimes, incluindo ameaça e extorsão.
O caso da vítima mais recente, que motivou as novas denúncias, começou de forma corriqueira, entre a noite de terça-feira (10/03) e quarta-feira (11/3). A jovem, que reside no Distrito Federal há cinco meses, recebeu o contato de um homem por meio de uma amiga. Ele se apresentou como empresário, dono de várias empresas, e disse estar precisando de uma atendente.
André teria sugerido um encontro presencial para tratar da vaga. Após certa relutância da vítima, que preferia marcar para outro dia, ele insistiu e disse que enviaria um carro de aplicativo para buscá-la, comprometendo-se a levá-la de volta em seguida. Por volta das 21h, a mulher foi deixada nas proximidades do Atacadão Dia a Dia, em Águas Claras, onde o homem a aguardava em um veículo de cor preta.
A jovem, que memorizou a placa do veículo e enviou a uma amiga, entrou no carro. O suposto empresário, no entanto, vestia uma calça preta, bota marrom e uma vestimenta camuflada com a inscrição "Forças Especiais". No banco do veículo, pendurado em um cabide, havia o que parecia ser uma farda policial. Ao sugerirem um restaurante na região, o homem recusou, alegando ser policial à paisana e que não seria adequado ser visto em certos locais.
Após cerca de uma hora circulando de carro, finalmente pararam em um restaurante, onde jantaram e conversaram. Durante o diálogo, ao comentar que estava precisando comprar uma cama, ela ouviu do interlocutor que ele tinha uma para vender, além de um micro-ondas. Ele a convidou para ir até o apartamento onde morava com a esposa e a filha, supostamente para que ela visse os objetos.
Armadilha
No estacionamento do prédio, ele mostrou um micro-ondas no porta-malas de um Citroën C3 vermelho e pediu que, ao entrar na residência, ela fizesse silêncio para não acordar a filha. No apartamento, ao ver a cama, a moça disse que pensaria no assunto. Foi então que o homem lhe ofereceu água, mas ao dizer que estava quente, sugeriu um refrigerante. Ela aceitou uma Coca-Cola.
Minutos depois, o crime começou. Ela relatou que, após ingerir a bebida, começou a “se sentir grogue e perdeu totalmente a consciência, não se recordando de mais nada”. Quando acordou, estava completamente nua, sem suas roupas, dentro do apartamento. O homem estava ao lado, vestindo apenas roupa íntima.
Desesperada, a vítima abriu a janela e, ao ver as luzes dos vizinhos acesas, questionou o que havia acontecido. A resposta foi evasiva: ele disse que ela mesma havia tirado a roupa e deitado. A jovem, que sofre de asma e afirma não ter o hábito de dormir de barriga para baixo, contestou a versão, mas, sem forças e confusa, apenas quis sair do local.
Foi no trajeto de volta que a história tomou um rumo decisivo para a investigação. O motorista de aplicativo que atendeu à corrida solicitada percebeu algo de errado. "A passageira estava visivelmente confusa. Ela não achava a maçaneta do carro, perguntou que horas eram e, em seguida, quis saber que dia da semana era. Quando eu disse que era quarta-feira, ela estranhou, achando que ainda era terça", relatou o motorista.
Em vídeo gravado no hospital, a vítima relatou o medo do que viveu. “Eu não sei o que ele fez durante as horas que eu fiquei dormindo. Eu poderia não ter saído de lá viva. Estou tentando me recuperar. Ainda não consigo andar direito”, disse.
A jovem ainda criticou a demora na resposta das autoridades após registrar a ocorrência. “Na delegacia, teve endereço, placa do carro, teve tudo que eu lembrava, e ninguém fez nada. Ninguém foi lá prender ele. Simplesmente fizeram o corpo de delito e me largaram no hospital. Já vai fazer 48h que estou aqui”.
Ela também afirmou esperar que o suspeito seja responsabilizado. “Espero voltar com a minha vida normal e que esse homem seja preso para que ele não faça novas vítimas”.
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