O Banco de Brasília (BRB) informou à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) que não possuía recursos aplicados diretamente no Banco Master ou no Will Bank no momento das liquidações dessas instituições. O banco explicou, porém, que adquiriu ativos do Banco Master e recebeu carteiras de crédito como dação em pagamento, parte delas originadas no Will Bank.
A instituição afirmou ainda que não pode divulgar valores detalhados dessas operações nem estimativas de eventuais perdas, pois as informações fazem parte de investigações e auditorias em andamento relacionadas à Operação Compliance Zero.
As informações constam em resposta ao Requerimento nº 2575/2026, apresentado pelos deputados distritais Chico Vigilante, Ricardo Vale e Gabriel Magno, da bancada do PT. No documento, os parlamentares pediram esclarecimentos sobre possíveis aplicações do BRB nas duas instituições, além de questionarem eventuais perdas financeiras, impacto nos índices de capital do banco e medidas de governança adotadas após as suspeitas de irregularidades.
De acordo com o BRB, investigações internas começaram em novembro de 2025, após a divulgação de notícias sobre possíveis fraudes na compra de carteiras de crédito do Banco Master e o afastamento de gestores da instituição determinado pela Justiça Federal. A Corregedoria do banco abriu um processo correcional e instaurou investigação preliminar para apurar os fatos.
Inicialmente, três ex-dirigentes passaram a ser investigados: o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa; o ex-diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia Júnior; e o ex-superintendente Robério César Bonfim Mangueira. No caso de Costa e de Garcia, o banco informou que as apurações foram encaminhadas à Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF), responsável por analisar eventuais processos disciplinares envolvendo ocupantes de cargos de direção em órgãos e empresas públicas do DF.
Segundo o BRB, a investigação preliminar aberta internamente foi suspensa temporariamente até a conclusão das auditorias externas em andamento. O banco informou que contratou o escritório Machado Meyer Advogados para conduzir uma investigação independente sobre os fatos relacionados à Operação Compliance Zero, com apoio técnico da consultoria Kroll. O trabalho é acompanhado por um Comitê Independente de Investigação.
A instituição afirma que novas medidas administrativas ou judiciais poderão ser adotadas após a conclusão dessas apurações. Até o momento, segundo o banco, foram ajuizadas ações judiciais com o objetivo de identificar ou recuperar ativos relacionados ao caso.
