GUERRA NO ORIENTE MÉDIO

Crise no combustível: Diesel sobe pelo segundo dia seguido; postos fecham

Medidas do governo não seguram alta e falta de produto já faz estabelecimentos interromperem vendas no Distrito Federal

As medidas adotadas pelo governo federal para conter a escalada do preço do diesel têm amenizado, mas não impedido a alta do combustível. Pelo segundo dia consecutivo, distribuidoras reajustaram os valores no Distrito Federal. Nesta terça-feira (17/3), o diesel já acumula aumento de R$ 0,89 desde o início do cenário de instabilidade internacional. A gasolina também registrou elevação, chegando a cerca de R$ 0,27 no mesmo período.

Além da alta de preços, o setor enfrenta dificuldades de abastecimento. Distribuidoras têm operado com cotas diárias, o que impacta o fornecimento. Há relatos de revendedores no DF que estão há três dias sem receber diesel de grandes companhias. No fim de semana, alguns postos chegaram a fechar temporariamente por falta de produto.

Na tentativa de ampliar a oferta, a Petrobras tem realizado leilões de diesel voltados a pequenas distribuidoras regionais. No entanto, o ágio nesses leilões já alcança até R$ 2,60 acima do preço de tabela.

O cenário é influenciado pela dependência de importações. Atualmente, cerca de 30% do diesel e 10% da gasolina consumidos no país são importados, o que expõe os preços internos às variações do mercado internacional. Em nota, o presidente do Sindicombustiveis do Distrito Federal, Paulo Tavares, afirmou que não há como evitar os impactos externos sobre os preços. “Não há como evitar os efeitos do preço do mercado internacional, já que as distribuidoras precisam importar cerca de 30% do diesel e 10% da gasolina para suprir o mercado brasileiro”, disse.

Tavares também destacou as dificuldades logísticas que afetam o abastecimento. “Com alta demanda e dificuldade de importar os produtos, as distribuidoras estão trabalhando com cotas. Isso tem impactado não só os preços, mas também a entrega”, afirmou.

De acordo com ele, a situação pode levar à falta de combustível em alguns pontos. “Pode acontecer de quem tem pouco estoque acabar ficando sem produto”, alertou. O representante ainda defendeu maior transparência por parte da Petrobras. “É preciso que a Petrobras venha a público esclarecer fatos relevantes, principalmente sobre os leilões de diesel, que têm impactado os preços acima do valor de tabela”, disse.

Sobre as medidas adotadas pelo governo federal, Tavares avaliou que a redução de impostos teve efeito limitado. “O governo tentou conter o aumento com a retirada de impostos, mas não é possível evitar a alta de custos, já que o país precisa importar para suprir o mercado”, concluiu.

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