ECONOMIA

Brasilienses estão pagando mais caro pelo combustível

Impacto da guerra no Oriente Médio pressiona mercado internacional e eleva preço do diesel e da gasolina no Distrito Federal. Motoristas se queixam do aumento dos custos no orçamento doméstico

Bruno Oliveira foi abastecer no SIG e teve de pagar mais caro -  (crédito: Fotos: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Bruno Oliveira foi abastecer no SIG e teve de pagar mais caro - (crédito: Fotos: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Motoristas do Distrito Federal foram surpreendidos, nessa quinta-feira (5/3), com um novo aumento no preço dos combustíveis. Apesar da queda registrada nas últimas duas semanas, as distribuidoras passaram a entregar combustíveis mais caros. Segundo o Sindicombustíveis-DF, o diesel sofreu aumento de R$ 0,20 por litro, enquanto a gasolina teve alta de R$ 0,03. Em alguns postos do DF, a gasolina passou de R$ 6,42 para R$ 6,45, enquanto o diesel saltou de R$ 6,69 para R$ 6,89.

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Segundo o presidente do sindicato, Paulo Tavares, os efeitos da guerra no Oriente Médio, após ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, já começam a refletir no mercado local. Na avaliação dele, o cenário internacional ainda é incerto e pode provocar novos aumentos em curto prazo. "Se a guerra continuar, muito provavelmente os valores continuarão em alta. Hoje, a defasagem da Petrobras é de R$ 1,60 no diesel e R$ 0,70 na gasolina frente ao mercado internacional", afirmou Tavares.

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O Sindicombustíveis-DF representa a maioria dos postos de gasolina, combustíveis e serviços automotivos localizados em todo o Distrito Federal, incluindo regiões como Brasília, Taguatinga, Ceilândia, Gama e Sobradinho. 

O reajuste começou a aparecer nas bombas logo nas primeiras horas do dia. O analista de TI Bruno Oliveira, 42 anos, abastece sua motocicleta em um posto do Setor de Indústrias Gráficas (SIG), que vende o litro da gasolina a R$ 6,42. Ele contou que percorre cerca de 400 km por semana para trabalhar e ressaltou que o impacto vai muito além do valor pago na bomba. "Acabei de abastecer a moto e deu R$ 114. Isso mostra como está pesado para quem depende do veículo. A gente acaba tendo que cortar outras coisas do orçamento para conseguir manter o básico", pontuou.

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Ainda segundo ele, o aumento do combustível acaba reduzindo o consumo em outros setores da economia. "Quando o combustível sobe, a gente para de consumir outras coisas. A pessoa deixa de viajar, deixa de sair mais, de comprar coisas que não são essenciais. Isso acaba afetando toda a economia, porque o dinheiro que poderia ir para o comércio, lazer ou investimento acaba indo para o tanque do carro", acrescentou.

Bruno também destacou que o diesel é o combustível que mais preocupa por causa do impacto no transporte de cargas. "O problema não é só quem dirige carro ou moto. O ponto de vista mais importante é o do caminhoneiro, do transporte de mercadorias. Tudo depende de diesel: caminhão, trator, avião, máquina de obra. Quando o diesel sobe, tudo sobe junto, desde alimento até material de construção."

O advogado Flávio Ramos, 53, abastecia, ontem, em um posto de Taguatinga, onde o aumento foi de R$ 0,30 o litro da gasolina, que chegou R$ 6,39. O diesel custava os mesmos R$ 6,09. Ramos acredita que o peso no orçamento doméstico é inevitável. "A gente sabe que tudo isso [a guerra] influencia no preço do petróleo e, consequentemente, nos combustíveis aqui. Mas, mesmo entendendo o motivo, pesa muito no bolso da população", afirmou. 

Ramos contou que o gasto mensal com combustível já era significativo e deve aumentar ainda mais com o novo reajuste. "Gasto, aproximadamente, R$ 500 por mês somente com combustível. Com esse aumento, com certeza, não vai ficar só nisso. Deve passar de R$ 600 ou até R$ 700. Isso impacta diretamente no orçamento doméstico, porque o combustível é uma despesa que não tem como cortar para quem precisa do carro no dia a dia", disse.

Para o motorista Wesley Ribeiro de Lima, 36, que trabalha com entregas, a alta no preço do combustível tem efeito direto nos custos do trabalho. "É muito ruim, principalmente, para quem trabalha todos os dias rodando. A gente depende do combustível para ganhar dinheiro. Quando o preço sobe assim, pesa muito", afirmou, durante abastecimento no Sudoeste. O posto não havia aumentado o valor, mas a gasolina estava a R$ 6,47, e o diesel, a R$ 6,59.

Instabilidade

O aumento no diesel foi maior do que o registrado na gasolina. Segundo Paulo Tavares, isso ocorre porque os derivados do petróleo possuem comportamentos diferentes no mercado internacional. "São commodities com preços de mercado. Petróleo, diesel e gasolina se comportam de forma distinta por causa da demanda", explicou.

Ele também afirma que ainda não tem como prever até onde os preços podem subir. "Acho que ninguém ainda sabe até onde esse conflito vai. Na minha perspectiva pessoal, ele deve durar bastante tempo e teremos tempos difíceis. Combustíveis são muito sensíveis e têm impactos imediatos na inflação, principalmente em um país de dimensões continentais como o Brasil, onde o transporte é praticamente todo rodoviário", acrescentou.

Em nota, a Petrobras informou que monitora, diariamente, os fundamentos do mercado internacional e seus possíveis desdobramentos para o mercado brasileiro, tendo como premissas a prática de preços competitivos com as principais alternativas de suprimento e o não repasse da volatilidade externa para os preços internos.

"Dessa forma, considerando as nossas melhores condições de refino e logística, proporcionamos períodos de estabilidade de preços para os nossos clientes evitando a prática de reajustes diários, para cima e para baixo, adotada no passado. Essa prática é especialmente importante em momentos de alta volatilidade, como o que vivemos agora", concluiu a refinadora.

  • Posto no Sudoeste não havia aumentado valor, mas Gasolina estava em R$ 6,47 e Diesel R$ 6,59
    Posto no Sudoeste não havia aumentado valor, mas Gasolina estava em R$ 6,47 e Diesel R$ 6,59 Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
  •  05/03/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF -  Aumento dos combustíveis. Setor Sudoeste. Wesley Ribeiro de Lima
    05/03/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF - Aumento dos combustíveis. Setor Sudoeste. Wesley Ribeiro de Lima Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
  •  Posto em Taguatinga pratica os novos preços
    Posto em Taguatinga pratica os novos preços Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
  • Flávio Ramos calcula gastar até R$ 200 a mais por mês
    Flávio Ramos calcula gastar até R$ 200 a mais por mês Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
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DC
postado em 06/03/2026 05:00
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