Patrimônio

Primeira parte da reforma da Praça dos Três Poderes será entregue até dezembro

A segunda parte, que inclui a restauração de monumentos e acabamentos, deve ser entregue no primeiro semestre de 2027

Manuela Sá*

O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass, falou durante o balanço de sua gestão no órgão, nesta terça-feira (17/03), que a entrega da parte de infraestrutura da Praça dos Três Poderes deve ser entregue até dezembro. A parte engloba a reforma do piso e de drenagem. Quando ela estiver concluída, a população pode voltar a circular pela área. O restauro dos monumentos e aspectos do acabamento e iluminação devem ser entregues no primeiro semestre de 2027. 

Além da reparação, o presidente também destacou o trabalho da atual gestão no reconhecimento de novos patrimônios. Foram 24 bens materiais tombados e 13 bens imateriais registrados. De acordo com Grass, a gestão priorizou “preservar, cuidar e valorizar bens culturais e expressões de patrimônio que foram historicamente excluídas e marginalizadas, em especial, o patrimônio cultural indígena e o patrimônio cultural afro-brasileiro”. 

Nesse sentido, o Iphan propôs tombamento constitucional dos quilombos. Em novembro de 2023, o Iphan editou uma portaria com o passo a passo para que as comunidades quilombolas possam registrar  documentos e sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos para o tombamento. 

Em 10 de março, foi tombado o primeiro quilombo por esse processo, o Tia Eva, localizado em Campo Grande (MS). Segundo Grass, há mais de 15 quilombos com solicitações em análise. Grass enfatizou o papel da comunidade nesse sistema. “É o chamado inventário participativo, em que eles mesmos indicam o que querem cuidar, e nós temos o papel de ajudá-los nessa missão”, afirmou. 

Outro destaque foi o Programa Conviver, iniciativa que capacita comunidades de baixa renda para preservar bens culturais protegidos pelo Estado. Por meio do programa, feito em parceria com universidades e institutos federais, professores e estudantes de cursos relacionados ao patrimônio trocam conhecimentos com a população, dando aos moradores ferramentas para a conservar casas, espaços públicos, práticas e saberes.

Muitas vezes considerada perda de tempo e um empecilho para o avanço da sociedade, Grass defendeu a importância da preservação do patrimônio. “A gente mostrou que patrimônio é emprego, é renda, é oportunidade e é investimento. Por meio das ações que o Iphan realizou em parceria com os estados e municípios, um novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), chegamos a 770 milhões em uma carteira de obras e projetos. O Iphan licenciou mais de 14 mil empreendimentos no Brasil desde 2023", disse. 

*Estagiária sob supervisão de Márcia Machado

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