OPERAÇÃO

Apartamento no Riacho Fundo revela tráfico milionário entre DF e Norte

Polícia Civil desencadeou a operação Resina Oculta, com 41 mandados de busca e apreensão e nove de prisão na capital, em Goiás, no Maranhão e no Amazonas

Em um apartamento vazio do Riacho Fundo, a apreensão de 47kg de haxixe por parte da Polícia Militar do DF (PMDF) serviu de ponto de partida para investigadores da Coordenação de Repressão às Drogas da Polícia Civil (Cord/PCDF) alcançarem uma complexa quadrilha criminosa que abastecia traficantes no DF e no Entorno e movimentava cifras milionárias por meio de empresas de fachada e plataformas digitais. Na manhã desta quinta-feira (19/3), a PCDF desencadeou a operação Resina Oculta, com 41 mandados de busca e apreensão e nove de prisão na capital, em Goiás, no Maranhão e no Amazonas.

Em outubro de 2025, policiais do Batalhão de Rondas Ostensivas Táticas Motorizadas (Rotam) receberam uma denúncia suspeita. O informante afirmou que uma casa no Riacho Fundo servia como depósito de drogas. No local, foram encontradas 490 placas de haxixe. A Cord identificou, de imediato, quatro pessoas por trás do esquema. Eles recebiam, armazenavam e difundiam os entorpecentes, afirma a PCDF.

A atuação da quadrilha, no entanto, extrapolava o eixo Brasília–Goiás A polícia identificou um rol de empresas que movimentaram milhões com o dinheiro oriundo do tráfico. Boa parte dos recursos obtidos com a venda de drogas era enviada em remessas milionárias para Manaus, capital do Amazonas, e outras localidades da região Norte — principalmente áreas de fronteira.

Na região de Manaus, uma velha conhecida da polícia reapareceu no radar da investigação. No Instagram, Mirian Viana se apresenta como empresária da loja de calçados “By Mirian Viana”. O estabelecimento fica na Rua Barroso, na Galeria Rio Negro, no Centro, e vende sandálias em atacado e varejo. Essa mesma loja recebeu, em 2025, dinheiro proveniente de traficantes, incluindo os 47 kg de haxixe que deram o pontapé para a operação.

O Correio apurou que Mirian foi presa em 15 de dezembro do ano passado, em Rio Verde (GO), depois de atuar como “batedora” do tráfico. Quem exerce essa função está nas principais rodovias do país como "escoltadores" de carregamentos de drogas e tem a função de detectar qualquer tipo de fiscalização ou blitz policial para avisar quem vem com a remessa de drogas. O veículo que ela “protegia” transportava 29,7 kg de skunk.

Desde 13 de março, Mirian cumpria a pena em regime domiciliar. Agora, ela foi alvo de outro mandado de prisão preventiva.

Movimentação financeira

Outras empresas espalhadas pelo país receberam dinheiro de traficante. Em São Luís do Maranhão, foram cerca de 20 instituições. Segundo a PCDF, em 45 dias, um único empresário movimentou R$ 30 milhões nas 22 empresas registradas em seu nome. Em Goiânia, uma jovem frentista de 19 anos aparecia como titular em 10 empresas, circunstância que demonstrou a utilização de “laranjas” para a movimentação financeira.

Em Manaus, três mulheres associadas a uma facção criminosa geriam um núcleo financeiro: elas recebiam dinheiro dos demais operadores e o pulverizavam rapidamente com transferências para diversas empresas, de forma a dificultar o rastreamento.

Plataformas de apostas online também eram usadas pelo grupo como instrumento de circulação e lavagem de dinheiro. Aproximadamente 15 empresas que operam nesse ramo entraram na mira da polícia.

Cinquenta empresas e 12 pessoas físicas investigadas no âmbito da operação tiveram as contas bancárias bloqueadas judicialmente na ordem de R$15 milhões cada, além do sequestro de diversos veículos de luxo.

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