INCLUSÃO

Dia Internacional da Síndrome de Down reforça inclusão no trabalho

Data chama atenção para a conscientização da diversidade e na luta por igualdade de oportunidades para pessoas com a trissomia 21

No dia 21 de março, é comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down, conhecida também como trissomia 21. A data é dedicada à conscientização, inclusão, combate ao preconceito e valorização da diversidade, com o objetivo de garantir direitos e oportunidades para pessoas a condição genétican. Ao contrário do que muitos pensam, a síndrome não é uma doença, mas sim uma alteração genética causada por uma cópia extra do cromossomo 21.

Projetos governamentais sem fins lucrativos, entre eles a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), são fundamentais para inclusão de jovens com deficiências intelectuais  sociedade e no mercado de trabalho. Além desses fatores a APAE também auxilia na saúde, educação, habilitação e reabilitação dos beneficiários do programa juntamente com as famílias.

Em entrevista ao Correio, a Coordenadora Geral de Educação da Apae-DF, Kelly Colares, comentou como a organização é importante na vida desses jovens. Ela explica que os principais objetivos dos programas desenvolvidos pela entidade visam garantir oportunidades reais de desenvolvimento para que essas pessoas tenham participação social e autonomia.

“Na prática, isso significa oferecer espaços de aprendizagem, convivência, escuta, acolhimento e também de construção de projetos de vida. Cada pessoa precisa ser vista para além do diagnóstico. Quando a sociedade oferece apoio, acessibilidade e expectativas positivas, a pessoa com síndrome de Down pode avançar muito, estudar, trabalhar, conviver e ocupar os espaços que são seus por direito.”, comentou Kelly.

A Apae-DF desenvolve esse trabalho de assistência em diálogo com políticas públicas locais, principalmente nas áreas da educação, saúde, assistência social e inclusão produtiva. “Essas parcerias são fundamentais para ampliar o alcance dos atendimentos e fortalecer a rede de proteção e promoção de direitos das pessoas com deficiência”, destaca a coordenadora.

Para ela, a principal dificuldade encontrada na inclusão profissional de pessoas com a condição é a desinformação e a resistência de parte do mercado de trabalho em enxergar essas pessoas como profissionais capazes. Kelly explica que muitas empresas ainda “olham a deficiência antes de olhar a pessoa”, ao invés das habilidades e o potencial do trabalhador, o que limita as oportunidades e perpetua as exclusões.

Participação na sociedade

Vinicius de Castro Alves, jovem de 21 anos com Trissomia 21, mostra que mesmo sendo portador da síndrome de down, é possível se incluir na sociedade de forma participativa. Recentemente, ele se tornou aluno do curso de teatro no Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB), onde estuda práticas importantes de interpretação, como fundamentos da voz, fundamentos da dança e jogos teatrais.

Material cedido ao Correio - Vinicius de Castro Alves Dias, jovem de 21 anos que ingressou no curso de teatro no IESB

Em entrevista ao Correio, a mãe do jovem conta que o filho se adaptado bem ao curso no período da noite e que a faculdade fez adaptações para melhor atendê-lo. “O IESB ofereceu uma grade fechada para ele, mas como era o primeiro contato dele com a faculdade, eu conversei com a coordenação e eles foram super abertos em deixar ele pegar quatro matérias ao invés de quatro”, disse Fabiana de Castro Alves, mãe de Vinícius.

A ideia de fazer parte do mundo das artes não é necessariamente novidade, pois Vinicius já participava de grupos e escolas de teatro desde 2019, chegando inclusive a integrar a companhia Néia e Nando, onde se apresentou em alguns musicais. Um dos sonhos do jovem artista é ser diretor como um de seus ídolos, Roberto Gomez Bolanos, ator e diretor do seriado mexicano Chaves.

Vinicius também produz vídeos para as redes sociais, com temas que vão desde a rotina até materiais sobre síndrome de down. 

O jovem artista conta que estudou a vida toda no período matutino, e que ainda está se adaptando aos novos horários. Vini é noveleiro, e as aulas acontecem bem no momento das novelas preferidas. “O curso é noturno, então, é algo novo, porque ele sempre estudou de manhã, agora a aula vai das sete horas às 10 horas.”, explicou Fabiana. Vini não perde nenhum capítulo, quando tem um tempinho livre ele maratona os episódios que perdeu nas plataformas de streaming. Somadas, as redes sociais do rapaz contam com quase 10 mil seguidores, que enxergam no Vinicius alguém que supera as limitações impostas pela sociedade diariamente.

 

*Estagiário sob supervisão de ...

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