Política

Eleições: Ibaneis Rocha deixa o governo do DF para concorrer ao Senado

Em despedida nesse sábado (28/3), Ibaneis destacou legado durante sete anos e três meses, criticou ex-governadores de esquerda e anunciou pré-candidatura ao Senado. Celina Leão assume nesta segunda-feira (30/3), em solenidade na Câmara Legislativa

A 190 dias das eleições gerais, em 4 de outubro, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), formalizou, nesse sábado (28/3), sua saída do cargo para se desincompatibilizar e concorrer a uma vaga ao Senado. Em cerimônias no Palácio do Buriti, ele passou o bastão do Governo do Distrito Federal (GDF) à vice-governadora Celina Leão (PP), a quem apadrinha como sua sucessora na disputa pelo Executivo local. Missa em ação de graças e o descerramento do retrato oficial do governante na Galeria dos Governadores marcaram o encerramento de um ciclo de mais de sete anos à frente do GDF.

"Eu quero, nesse momento, desejar à nossa vice-governadora, que assume o posto de governadora do Distrito Federal, que conduza os caminhos dessa cidade no rumo da paz, da manutenção, da alegria e do cuidado da população, porque é para eles que nós governamos", afirmou ao deixar missa no Salão Branco do Palácio do Buriti. Ibaneis saiu emocionado e sendo abraçado por muitos dos presentes.

A solenidade marcou a inclusão do retrato do chefe do Executivo no espaço que reúne os governadores responsáveis pela condução administrativa do Distrito Federal ao longo dos anos. Ibaneis Rocha foi o primeiro governador reeleito nos últimos 20 anos no Distrito Federal, após vencer as eleições de 2018 e 2022, consolidando um ciclo de mais de sete anos à frente do Executivo local. Antes dele, somente Joaquim Domingos Roriz (1936-2018) havia garantido a continuidade do mandato nas urnas, em 2002.

"A caminhada é árdua, a caminhada é dura, ela desgasta, mas ela nos deixa numa posição de muita satisfação pessoal", declarou, antes de descer a rampa do Palácio do Buriti.

Nesse período, o governador reeleito em 2022 ficou afastado do cargo por 64 dias, entre 9 de janeiro e 16 de março de 2023, por decisão do ministro Alexandre de Moraes após os atos de 8 de Janeiro.

 

 
Ed Alves CB/DA Press - Ibaneis Rocha se despede do governo com descerramento oficial da fotografia na Galeira dos Governadores do DF.

Transição

O termo de transmissão de cargo para a vice-governadora Celina Leão ocorreu no período da tarde, durante as comemorações de aniversário de Ceilândia, no tradicional Costelão. Em um discurso de mais de 35 minutos, Ibaneis Rocha fez um balanço dos dois mandatos, destacando ações nas áreas de segurança, saúde e educação.

Brasiliense criado no Piauí, Ibaneis frisou a escolha do local para se despedir, que está ligada às suas origens nordestinas e à história da região. "Escolhi encerrar essa caminhada como governador exatamente aqui em Ceilândia por ser a cidade mais nordestina do Distrito Federal, que tem a alma de quem construiu Brasília com as próprias mãos e suor", observou.

Em seu discurso, o governador também reservou espaço para fazer críticas diretas às gestões anteriores, aos ex-governadores Rodrigo Rollemberg (PSB) e Agnelo Queiroz (PT). Segundo ele, o governo que assumiu em 2019 enfrentava uma situação crítica. "Quando recebemos o governo no dia 1º de janeiro de 2019, Brasília era terra arrasada, destruída por dois ex-governadores de esquerda que não souberam valorizar o povo. Partimos ao trabalho e, hoje, chegamos ao fim desses sete anos e três meses com realizações. Firmes em todas as áreas de governo. Na segurança, na saúde, na educação. Nós fizemos um grande trabalho em Brasília", afirmou, sem citar os problemas relacionados ao Banco de Brasília (BRB) — um dos maiores desafios que deixa como herança para a sucessora.

Ao final do discurso, Ibaneis anunciou sua pré-candidatura ao Senado. "Eu deixo o GDF, mas não deixo a vida pública e nem vocês, porque amo cada um e cada uma. Que Deus abençoe a nossa caminhada e vamos em frente", declarou.

A renúncia ao cargo foi formalizada por meio de mensagem enviada à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), conforme previsto na legislação. O documento comunica oficialmente a saída do chefe do Executivo e dá início ao processo de transição de governo. A transição de governo será oficializada amanhã, quando Celina Leão assume o comando do GDF em cerimônia marcada para às 9h, no auditório da CLDF.

Celina Leão assume o comando do Palácio do Buriti nesta segunda-feira (30/3), ficando responsável por oficializar as novas nomeações no Diário Oficial do DF e conduzir a administração durante o período de campanha. Para atender à legislação eleitoral, que exige a desincompatibilização de ocupantes de cargos públicos até seis meses antes do pleito, o Governo do Distrito Federal estabeleceu um cronograma estratégico que antecipa a saída de secretários e administradores para 31 de março.

A reforma administrativa abrange nomes de peso do primeiro escalão, que deixam suas pastas para focar nas urnas. Estão confirmadas as saídas dos secretários Agaciel Maia (Relações Institucionais), Ana Paula Marra (Desenvolvimento Social), André Kubitschek (Juventude), Cláudio Abrantes (Cultura e Economia Criativa), Cristiano Araújo (Turismo), Gustavo Rocha (Casa Civil), Hélvia Paranaguá (Educação), José Humberto Pires (Governo) e Marcela Passamani (Justiça e Cidadania). Além do secretariado, a movimentação atinge administrações regionais politicamente influentes, como as de Ceilândia e do Recanto de Emas.

Ed Alves CB/DA Press - Ibaneis Rocha passa o bastão para Celina Leão em costelada na comemoração do 55º Aniversario de Ceilandia.

Passado e presente

O tabuleiro político do Distrito Federal apresenta um movimento que não era visto nos corredores do Palácio do Buriti há exatas duas décadas. Em 2026, a capital federal assiste ao retorno da estratégia de desincompatibilização: o gesto em que o governador renuncia ao mandato para disputar uma cadeira no Senado Federal.

A última vez que esse cenário se desenhou foi em 2006. Vinte anos atrás, Joaquim Roriz (MDB), o nome mais influente da política local por quase 30 anos, deixou o governo para buscar o Legislativo. Ele passou o bastão para sua vice, Maria de Lourdes Abadia (PSDB), com a expectativa de que a máquina pública garantisse a continuidade de seu grupo político. O desfecho, porém, não foi o esperado: mesmo com o apoio do governo, Abadia não conseguiu frear o avanço adversário e acabou derrotada nas urnas pela chapa composta por José Roberto Arruda e Paulo Octávio, ambos do DEM.

O que se seguiu após aquela transição foi um ciclo de instabilidade sem precedentes. Em 2010, o mandato de Arruda foi interrompido pela Operação Caixa de Pandora. Com o governador preso e o vice Paulo Octávio renunciando logo em seguida, o DF viveu um vácuo de poder. O governo passou brevemente para as mãos de Wilson Lima (PR), então presidente da Câmara Legislativa (CLDF), até que uma eleição indireta conduzisse Rogério Rosso (MDB) à cadeira máxima para um "mandato tampão" de nove meses.

Em outubro de 2010, Agnelo Queiroz (PT) foi eleito e governou por quatro anos, mas viu sua tentativa de reeleição naufragar em 2014 diante de Rodrigo Rollemberg (PSB). O roteiro se repetiu quatro anos depois: Rollemberg, apesar de ter a caneta na mão até o último dia, não conseguiu o segundo mandato e foi superado pelo então estreante Ibaneis Rocha, em 2018.

Agora, em 2026, o atual governador rompe com esse ciclo de mandatos completos sem reeleição para tentar o Senado, passando o bastão para a vice, Celina Leão (PP), que se lançará rumo ao Palácio do Buriti.

Ed Alves CB/DA Press -
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