FEMINICÍDIO

Envolvido no assassinato de Thalita Berquó é preso na Chapada

A prisão foi feita por agentes da 4ª Delegacia de Polícia (Guará); apesar de ter 18 anos, o acusado cometeu o crime aos 17 e, por isso, responde ao ato infracional análogo a homicídio

Thalita Berquó foi assassinada em 13 de janeiro de 2025 -  (crédito:  Ed Alves CB/DA Press)
Thalita Berquó foi assassinada em 13 de janeiro de 2025 - (crédito: Ed Alves CB/DA Press)

Policiais civis do Distrito Federal prenderam, nesta quarta-feira (8/4), um dos envolvidos no assassinato de Thalita Berquó, de 36 anos. O jovem — que atualmente tem 18 anos — era foragido da Justiça desde 16 de março e foi recapturado na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. O crime ocorreu no começo de 2025.

A prisão foi feita por agentes da 4ª Delegacia de Polícia (Guará). O jovem será apresentado à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) e deve ser, posteriormente, encaminhado a uma unidade socioeducativa.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Trâmite

O acusado cumpria o regime de semiliberdade desde outubro do ano passado, após o juiz Márcio da Silva Alexandre entender que o suspeito agiu sob "domínio de violenta emoção, em seguida a injusta provocação da vítima". Em 11 de fevereiro, o Ministério Público do DF obteve sucesso no recurso de apelação que solicitava o retorno dele à unidade socioeducativa.

O Tribunal de Justiça do DF (TJDFT) reformou a sentença judicial, reconheceu o homicídio triplamente qualificado, excluiu o privilégio e determinou a internação do acusado.

Apesar de ter 18 anos, o acusado cometeu o crime aos 17 e, por isso, responde ao ato infracional análogo a homicídio. Mesmo assim, permanecia em uma unidade de internação. Ele foi apreendido em 12 de setembro pela Polícia Civil do DF. Além dele, estão reclusos um adolescente e João Paulo Teixeira da Silva, de 36 anos.

Crueldade

A cabeça e as pernas de Thalita foram localizadas por um funcionário terceirizado da Caesb, em 14 e 15 de janeiro de 2025, respectivamente. O trabalhador era encarregado pela limpeza do local e executava o serviço três vezes ao dia. Os membros estavam em um tanque onde são escoados resíduos de esgoto provenientes do Guará, Núcleo Bandeirante, área central de Brasília e parte do Riacho Fundo.

A identificação da vítima só ocorreu quase um mês depois, em 13 de fevereiro, após a família registrar o desaparecimento de Thalita.

A polícia concluiu que a mulher foi morta em 13 de janeiro, uma segunda-feira. Segundo a família, Thalita passou o fim de semana na casa de um amigo e de familiares dele, mantendo contato constante com a mãe, por meio de mensagens. No sábado (11/1), fez uma ligação de cerca de 40 minutos para tranquilizá-la, afirmando que estava bem, na companhia desse amigo. Durante a chamada, inclusive, Thalita perguntou se a mãe gostaria de falar com ele, o que de fato ocorreu.

Na manhã de domingo (12/1), mãe e filha voltaram a se falar, já que haviam combinado de ir ao cabeleireiro, acompanhadas da tia. No dia da morte (13/1), a mãe novamente conversou com Thalita, ocasião em que ela disse que iria para casa. A partir desse momento, o contato foi perdido. Estranhando o silêncio da filha, a mãe iniciou buscas por informações junto ao mesmo amigo, que afirmou não saber do paradeiro dela.

Segundo a investigação, na data do crime Thalita embarcou em um carro de transporte por aplicativo, com destino à QE 46 do Guará 2, próximo ao Edifício Valentina, distante poucos metros do Parque Ezequias, onde se encontraria com um colega. Essa foi a última informação do paradeiro dela.

O delegado-chefe da 1ª DP, Antônio Dimitrov, explicou à época que a polícia usou técnicas avançadas para traçar a rota feita pela vítima. De acordo com o investigador, da QE 46, Thalita se dirigiu a um local próximo de invasão para comprar entorpecentes. “Ela foi atraída até o parque e, lá, pagou a droga, dando o celular em troca. Logo em seguida, a vítima pediu o aparelho de volta e isso gerou um desentendimento entre ela e os autores”, esclareceu.

O homem e os dois adolescentes teriam dado várias facadas em Thalita e batido no rosto dela com uma pedra. Depois, a esquartejaram. A polícia chegou à localização do tronco após o adolescente levar as equipes à cova, em 17 de março. O corpo estava envolto por um cobertor. Equipes do Corpo de Bombeiros trabalharam mais de seis horas na escavação. Os braços da vítima não foram encontrados, e os suspeitos não souberam responder sobre a localização dos restos mortais.

 

 

  • Google Discover Icon
postado em 09/04/2026 00:15
x