CB Debate

Brasília representa construção diária de um sonho, diz Swedenberger Barbosa

Apesar da fama de burocrática e fria, por ser a sede da máquina pública federal, autoridades que adotaram Brasília como casa destacam a cidade como exemplo de participação popular, cidadania e possibilidade de diálogo entre as esferas de Poder

O chefe de gabinete adjunto da Presidência da República, Swedenberger Barbosa, defendeu a valorização da cidade e o fortalecimento de políticas públicas para o futuro da capital federal -  (crédito: Fotos: Ed Alves/CB/D.A Press)
O chefe de gabinete adjunto da Presidência da República, Swedenberger Barbosa, defendeu a valorização da cidade e o fortalecimento de políticas públicas para o futuro da capital federal - (crédito: Fotos: Ed Alves/CB/D.A Press)

Por ser uma capital jovem, construída para sediar a atividade política federal, Brasília tem a fama de ser fria, impessoal, dominada pela burocracia do Estado. Não é essa a visão, porém, de autoridades que deixaram seus estados para firmar raízes aqui. A história da capital, na verdade, retrata exemplos de cidadania, de participação popular e de diálogo próximo entre as diferentes esferas do poder público. Foi o que relataram participantes do CB Debate: Brasília, 66 anos — Uma Cidade em Constante Transformação, realizado nesta terça-feira (14/4) pelo Correio em preparação para o aniversário da capital, na terça-feira que vem.

O chefe de gabinete adjunto da Presidência da República, Swedenberger Barbosa, defendeu a valorização da cidade e o fortalecimento de políticas públicas para o futuro da capital federal. "Brasília, além da cidade dos sonhos dos brasileiros, é um território de cidadania, e a gente deve, cada vez mais, ampliar esse conceito na prática", comentou.  Com mais de cinco décadas de relação com a cidade, Swedenberger relembrou sua trajetória e a participação em momentos históricos. "Eu tive a oportunidade de chegar cedo em Brasília. Vi a luta e participei da redemocratização, da construção dos espaços, da emancipação política de Brasília e de movimentos importantes no país, como as Diretas Já e o fim do regime militar", disse.

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O representante do Planalto destacou, ainda, os investimentos federais no DF. Segundo ele, no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), estão previstos R$ 6,4 bilhões para a capital. Ele também citou a ampliação da Farmácia Popular. "É um programa que iniciou com quatro medicamentos distribuídos gratuitamente. Hoje, temos 41, beneficiando mais de 300 mil pessoas em Brasília", afirmou.

Swedenberger mencionou, além disso, a reforma da Praça dos Três Poderes, com investimento de cerca de R$ 35 milhões, que busca reorganizar o espaço e garantir melhor uso pela população. "É uma obra importante, gigantesca. É uma praça que tem em torno de 30 mil metros quadrados. A praça não é estacionamento de viaturas, nem local onde se instala estruturas metálicas que danificam o piso", argumentou. Com o aumento da tensão política nos últimos anos, as grades de proteção viraram elemento comum da paisagem ao redor do Supremo Tribunal Federal (STF), do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, além de alguns ministérios.

Ele explicou que a proposta inclui a criação de um modelo de governança compartilhada entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e os Três Poderes. "Criar uma governança na qual o Distrito Federal, que administra, e os poderes federais — Executivo, Legislativo e Judiciário — reúnam-se para estabelecer uma nova forma de uso da praça", afirmou. "Brasília está cheia de praças. Aquela é só uma delas. Vamos resgatar as nossas praças, que são o local de acolhimento e de organização da comunidade, onde ela se encontra e vive", completou.

Ao encerrar, Swedenberger fez um apelo à ação coletiva e deixou uma mensagem de reconhecimento à capital. "A nós resta, para Brasília, apenas um tipo de posicionamento final: gratidão".

Cidade exuberante

Por sua vez, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas combinou memória, trajetória pessoal e crítica social em seu discurso, tecendo elogios à capital. "Hoje posso dizer que sou muito mais brasiliense do que baiano. Brasília é o sonho dourado para  todos os brasileiros, uma cidade de oportunidades e menos desigualdades", disse. O ministro chegou a Brasília aos 19 anos, vindo de Feira de Santana. "Na mala, trouxe poucas roupas, mas muitos sonhos", disse. Ele associou o crescimento pessoal às oportunidades abertas pelo serviço público, que classificou como uma das principais ferramentas de mobilidade social da cidade.

Ministro do TCU, Bruno Dantas
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas combinou memória, trajetória pessoal e crítica social em seu discurso (foto: Reprodução )

Ao mesmo tempo, ponderou que o modelo de acesso aos órgãos públicos ainda precisa avançar. "Processos republicanos e impessoais abrem caminhos, mas é preciso garantir igualdade real de condições", argumentou, ao defender políticas públicas que reduzam desigualdades estruturais.

O ministro da Corte de Contas, em seu discurso, resgatou a origem histórica do nome do jornal, citando o pioneirismo de Hipólito da Costa, que fundou, em 1808, o primeiro Correio Braziliense, no contexto da fuga da corte portuguesa diante das tropas de Napoleão Bonaparte. O periódico era impresso em Londres e enviado de navio para o Brasil. "Era a ideia de  um país que ainda não existia", ressaltou o ministro, ao traçar um paralelo entre o passado e a construção simbólica de Brasília.

Dantas destacou o papel do jornal como "instituição republicana" que acompanhou não apenas os bastidores do poder, mas a evolução econômica, cultural e social da capital. Para ele, Brasília tem uma característica singular: embora frequentemente descrita como uma cidade "sem esquinas", é um espaço de encontros e de construção coletiva, algo representado, segundo ele, pelos debates promovidos pelo Correio.

Na reta final, o ministro recorreu à poesia Sinfonia da Alvorada, de Vinicius de Moraes, escrita a pedido de Juscelino Kubitschek para celebrar a nova capital, para contrastar o cenário inicial do Cerrado com a cidade que emergiu ao longo das décadas. "No princípio era o ermo. Eram antigas solidões sem mágoa. O altiplano, o infinito descampado. No princípio era o agreste. O céu azul, a terra vermelho-pungente. E o verde triste do Cerrado", declamou. "O que Vinícius não comentou em seu poema é exatamente essa cidade exuberante que todos nós fomos capazes de construir, e que todos nós temos a responsabilidade de conduzir a um bom lugar", comentou Dantas em seguida.

Setor produtivo quer mais investimentos

Conhecida pela predominância do setor público, Brasília ainda tem dificuldades para desenvolver e divulgar sua atividade econômica. A geração de riqueza, porém, é essencial para a sustentabilidade da capital federal nas suas próximas décadas de existência. É o que defende o presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Jamal Jorge Bittar, que participou, nesta terça-feira (14/4), do CB Debate: Brasília, 66 anos — Uma Cidade em Constante Transformação, realizado pelo Correio.

 14/04/2026. Debate "Brasília 66 Anos".Jamal Jorge Bittar, presidente da Federaçao das Industrias do Distrito Federal (Fibra)
O presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Jamal Jorge Bittar, destacou que Brasília ainda tem dificuldades para desenvolver e divulgar sua atividade econômica (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

"O Distrito Federal tem uma dificuldade, porque ele, culturalmente, isolou o que seria o desenvolvimento industrial do DF como uma fonte alternativa fundamental. Ficamos muito, aqui, no viés do setor público, e isso tem feito faltar uma contribuição muito mais positiva para a população do DF. E nós insistimos sempre, obviamente, nessa tecla", declarou Bittar no evento.

Citando uma fala do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas, que contou sua trajetória como servidor na capital, o presidente da Fibra enfatizou que é preciso olhar além. "Eu compreendo a mobilidade social, mas nós ficamos muito retidos ao concurso público, e esquecemos de cuidar da cidade como uma geradora de riqueza, não como uma absorvedora de recursos, somente", enfatizou.

De acordo com Bittar, o DF abriga quase 6 mil indústrias, sendo a grande maioria de pequeno porte, que geram 130 mil empregos e ficam "escondidas" nas regiões administrativas. Na visão dele, fortalecer o setor industrial é essencial para o crescimento de Brasília, e não há sociedades desenvolvidas no mundo sem indústrias fortes. "Cada R$ 1 investido em indústria, voltam R$ 2,64 para a sociedade. Isso é quase 50%, 60% maior do que a média do que os outros setores devolvem para a sociedade", declarou.

O representante da indústria também celebrou a fala da governadora do DF, Celina Leão, de que Brasília precisa procurar alternativas para diminuir a dependência do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) no futuro. "E a produção de receita? Com essa inteligência que vocês têm aqui? E o desenvolvimento da cidade como um polo de riqueza industrial, como um centro de pensamento, de desenho, de qualificação? Nós nos acostumamos, me perdoem aqueles que pensam diferente, com a mesada do governo federal. E filho com mesada, vocês sabem, só passa a produzir na hora que sai para fora de casa", brincou. (VC)

  • Ministro do TCU, Bruno Dantas
    O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas combinou memória, trajetória pessoal e crítica social em seu discurso Foto: Reprodução
  • O presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Jamal Jorge Bittar, destacou que Brasília ainda tem dificuldades para desenvolver e divulgar sua atividade econômica
    O presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Jamal Jorge Bittar, destacou que Brasília ainda tem dificuldades para desenvolver e divulgar sua atividade econômica Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
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postado em 15/04/2026 03:00
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