
A prática de corrida como estratégia para uma boa saúde física e mental motivou milhares de pessoas no último dia da Maratona de Brasília, realizada ontem (21/4), na Esplanada dos Ministérios. Em meio ao aniversário de 66 anos da capital, a diversidade de participantes, de iniciantes a atletas experientes, entregou superação, inclusão e parceria acima de tudo.
Com provas de 3km, 5km, 10km, 21km e 42km, o percurso foi tomado por corredores fantasiados, idosos, crianças, famílias com carrinhos de bebê e pessoas com deficiência (PcDs). Em comum, todos carregavam histórias que iam muito além da linha de chegada.
A corrida mudou completamente a vida do empresário Doron Guelman, 70 anos. Após chegar a pesar 150 kg, ele encontrou no esporte uma nova forma de viver. "São 20 anos correndo, comecei a correr com 50 anos", contou, antes de encarar os 42km.
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Para ele, que chegou à Esplanada antes de o Sol nascer, a corrida também serviu de instrumento para conhecer sua esposa, que embora não estivesse na maratona, é uma aficcionada pelo esporte.
"Nos conhecemos há 20 anos, correndo. Juntos, disputamos maratonas internacionais, como em Nova York (EUA), Boston (EUA) e Tóquio (Japão)", afirmou o aposentado, que veio de Belo Horizonte para Brasília com o objetivo de disputar a Maratona de Brasília.
Outro destaque foi o aposentado Lorisvaldo Brandão, 63, que impressionou pela disposição e entusiasmo. Ele também encarou o desafio de 42km com o bom humor e energia de um veterano das corridas. Mesmo admitindo o cansaço nas pernas, após correr 21km no dia anterior, ele manteve a confiança. "O psicológico está muito bom, mas a perna está meio travada, vou me soltando aos poucos. Vai dar certo. Treinei bastante, isso ajuda a manter o ritmo. Agora é enfrentar os 42km, que é o mais pesado".
Recomeços
A prova também foi espaço de inclusão e recomeços. O professor de educação física João Victor Bezerra, 23, que tem paralisia cerebral, encontrou na corrida uma forma de superação diária. "Corro na Maratona de Brasília desde 2021. Faço isso para manter o corpo e a mente sãos", afirmou. "A corrida mudou tudo na minha vida, é um meio de me superar dia após dia".
O militar da reserva Ideberto Carvalho, apelidado carinhosamente de Betinho, 78, correu empurrando a cadeira de rodas do filho, Thiago André Carvalho, 36, que tem síndrome de Down, e ainda distribuiu doces ao longo do percurso para quem o assistia. Reunido com a família para viver esse momento, ele se emocionou agradecendo o apoio. "Nós nos sentimos muito felizes por fazer essas coisas em família. É um privilégio correr", disse.
O maratonista Cleiton Conceição, 44, destacou-se na prova dos 42km não apenas pelo desempenho de 2h50min, mas também pela fantasia de Homem-Aranha que chamava atenção no percurso. O corredor participou pela terceira vez da prova e conseguiu superar um obstáculo que o atrapalhou no ano passado, quando precisou desistir no km28, devido a uma lesão na coxa.
Desta vez, completou o desafio com um tempo pouco acima de seu recorde pessoal de 2h44min, mas suficiente para celebrar a superação. "Graças a Deus consegui concluir. Eu esperava um tempo melhor, mas está ótimo terminar. Era o meu objetivo principal", afirmou.
Mais do que desempenho, Cleiton contou que carrega um propósito. Há seis anos, ele promove eventos esportivos em sua cidade natal, Vazante, em Minas Gerais, e incentiva crianças a praticarem atividade física. A fantasia do super-herói não é apenas estética, mas representa esse trabalho social.
Com cerca de uma década de dedicação ao esporte, ele reforça que a evolução veio com disciplina e orientação profissional. "Antes era hobby, agora treino direitinho. A ideia é continuar evoluindo e voltar ainda mais forte no próximo ano", disse.
Saiba Mais
Vitória Torres
RepórterRepórter na editoria de Cidades. Jornalista em formação pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Atuou nas editorias de Política, Economia e Brasil.
Davi Cruz*
EstagiárioEntusiasta do mundo do entretenimento: música, filmes e séries. Escreve para Diversão e Arte e Divirta-se Mais

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