
A van que protagonizou a tragédia que deixou oito mortos na BR-020, na terça-feira, operava de forma clandestina. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o veículo não possuía o Termo de Autorização de Fretamento desde 2023, tampouco o Certificado de Segurança Veicular exigido para o transporte de passageiros. A van saiu de Buritirama (BA) com destino a São Paulo.
A autarquia federal confirmou que o utilitário não estava cadastrado na frota de nenhum transportador habilitado. O acidente de trânsito envolvendo a van matou cinco pessoas de uma mesma família que retornavam de um velório na Bahia para São Paulo.
O cenário de irregularidade e dor repete, em menos de dois meses, o enredo de outro desastre na região. Em 17 de fevereiro, durante o feriado de Carnaval, uma van também clandestina saiu de Santa Rita de Cássia (BA) com destino a Brasília e colidiu na traseira de uma carreta na altura de Planaltina. Naquela ocasião, seis pessoas morreram e 11 ficaram feridas. O motorista responde por homicídio culposo e lesão corporal.
- Dois sobreviventes de sinistro em Formosa seguem em estado grave
- Empresária de Sobradinho é a oitava vítima de tragédia na BR-020
- Motoristas que se revezavam na direção de van eram irmãos
Dinâmica
A colisão desta semana ocorreu no Km60, em Formosa (GO). A van, que levava 13 ocupantes, perdeu o controle, invadiu a pista contrária e atingiu a lateral de um Fiat Toro antes de bater frontalmente em um caminhão. No carro de passeio, a empresária Valdivina Lourenço Ferreira, 60 anos, morreu no local.
Dos 13 ocupantes da van, sete morreram na hora: os motoristas João Rodrigues de Oliveira, 53, e Agnaldo Rodrigues de Oliveira, 64, que se revezavam e eram irmãos; e os familiares Johnes Rodrigues, 34, filho da mulher que havia sido velada na Bahia; Onildo Rodrigues, 36, e Ivan Rodrigues, 53, irmãos e primos das demais vítimas; Jacoeleni Mota, 36; e Benilde Rodrigues, 69, tia dos familiares.
A Polícia Civil de Goiás, por meio da 2ª Delegacia de Polícia (Formosa), conduz o inquérito. O delegado Jandson da Silva ressaltou que a conclusão dos laudos periciais será fundamental para determinar se a falha foi mecânica ou humana. O motorista do caminhão envolvido, Carlos Francisco de Queiroz, 42, não sofreu ferimentos.
Enquanto a investigação avança, a preocupação volta-se para os sobreviventes que permanecem em estado crítico. Dois ocupantes da van lutam pela vida em unidades de saúde de Goiás. Uma adolescente de 14 anos está internada no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. Segundo o último boletim, ela encontra-se no pronto-socorro em estado geral grave, mas consciente e respirando espontaneamente.
Outra vítima, um homem de 25 anos, permanece na sala vermelha do Hospital Estadual de Formosa (HEF). Seu quadro é considerado grave e ele já foi regulado para a especialidade de neurocirurgia, aguardando transferência ou intervenção específica. Além deles, um idoso de 79 anos, que estava no Fiat Toro, segue internado em estado estável com múltiplos ferimentos, mas não corre risco de morte.
Luto
O clima em Sobradinho, onde vivia dona Divina — como era conhecida Valdivina — é de consternação. A oitava vítima da tragédia, foi sepultada ontem em Hidrolândia (GO), sua cidade natal. Empresária conhecida na RA, ela administrava uma loja de roupas com as filhas e viajava para Prado, na Bahia, com o marido, uma das filhas e o genro.
Pelas redes sociais, familiares e amigos lamentaram a morte. O prefeito de Hidrolândia, José Délio Jr., sobrinho de Divina, comentou: "Ficam em nossa memória os momentos e o respeito por tudo o que ela representou em nossa família, deixando lembranças que serão sempre guardadas com carinho".
Uma amiga da família também compartilhou a dor da partida da empresária. "Comecei a trabalhar com 15 anos, foi quando conheci dona Divina, a pessoa que me ensinou a ser vendedora. Parte de mim devo a ela. Só quem esteve próximo sabe o impacto da partida dessa matriarca", disse.
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