MEIO AMBIENTE

Lagartas venenosas recolhidas no Lago Sul acendem alerta da vigilância

Neste ano, 97 exemplares já foram coletados; espécie pode causar hemorragias graves e até mortes

Lagarta Lonomia é o gênero que apresenta maior perigo às pessoas -  (crédito: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF)
Lagarta Lonomia é o gênero que apresenta maior perigo às pessoas - (crédito: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF)

Nas últimas semanas, dezenas de espécies de lagartas venenosas foram recolhidas em um quintal de uma residência no Lago Sul. O morador acionou a Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) após identificar os animais peçonhentos em uma área verde próxima de casa. A ação mobilizou equipes da Secretaria de Saúde do DF, responsáveis pela coleta e encaminhamento dos espécimes, considerados perigosos para a população.

De acordo com a pasta, somente em 2026, já foram recolhidas 97 lagartas. O número reforça a importância do monitoramento e da participação da população na identificação desses animais, que podem causar acidentes graves. “Um acidente vai acontecer, então o serviço de saúde precisa ter sempre o soro antiveneno disponível. A matéria-prima é a própria lagarta. Por isso, é preciso recolher o maior número desse animal. Ao mesmo tempo em que ela é o problema, é a solução”, explicou Israel Moreira, biólogo da Dival.

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Acidentes com lagartas ocorrem pelo contato do indivíduo com o animal
Acidentes com lagartas ocorrem pelo contato do indivíduo com o animal (foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF)

O especialista destacou que a lagarta do gênero Lonomia é considerada a mais perigosa para os seres humanos. O contato com suas cerdas pode inocular veneno capaz de provocar complicações severas, como hemorragias e, em casos extremos, até a morte.

Antídoto

Após a coleta realizada no Lago Sul, o material foi rapidamente transportado para o Instituto Butantan, em São Paulo, onde é utilizado para a produção de um soro antilonômico. Esse antídoto é específico para tratar envenenamentos causados por esse tipo de lagarta, e o Brasil é o único país responsável por sua fabricação.

O processo de produção do antiveneno envolve o corte e a maceração das cerdas do animal. Diferentemente de outros peçonhentos, como serpentes e escorpiões, que podem ser mantidos em ambientes controlados para extração de toxinas, as lagartas precisam ser constantemente repostas. “Precisamos do apoio da população para realizar a coleta desses animais. Essa é a única forma de produzir o soro. Por isso, cada lagarta recolhida é tão importante”, reforçou o biólogo.

Cuidados

Os acidentes com lagartas geralmente acontecem quando há contato direto com o animal, que costuma viver em árvores ou vegetações. Por conta da coloração, elas se camuflam com facilidade nos troncos, o que dificulta a identificação. Um dos indícios da presença da espécie são as folhas parcialmente consumidas e fezes acumuladas.

A pasta recomenda que atividades comuns, como colher frutas, encostar em árvores ou circular por áreas com vegetação, sejam realizadas com atenção redobrada. Uma das medidas recomendadas é o uso de luvas, medida simples que pode reduzir o risco de acidentes.

Serviço

Para a identificação e recolhimento de animais peçonhentos, a recomendação é entrar em contato com os Núcleos Regionais de Vigilância Ambiental em Saúde. Em caso de acidente, a vítima deve ser encaminhada imediatamente a uma unidade de saúde e também deve ser acionado o Centro de Informação e Assistência Toxicológica. Sempre que possível, o registro fotográfico do animal pode ajudar no tratamento.

Os soros antivenenos são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com fornecimento organizado pelo Ministério da Saúde conforme a ocorrência de casos em todo o país.

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DC
postado em 29/04/2026 11:55
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