Realizada pela Orquestra Brasileira de Arte, Cultura e História (Obach), a apresentação de Páscoa do grupo lotou o Santuário Dom Bosco, na Asa Sul, na tarde deste domingo (12/4). O concerto especial encantou o público, com a execução de trechos da obra Paixão segundo São Mateus, do renomado artista alemão Johann Sebastian Bach.
O maestro Rafael Abreu explicou sobre o processo de preparação, que envolveu estudos e um mergulho na obra do compositor. "Fazer uma obra tão complexa como essa requer muito esforço. Preparamos os textos, os momentos que iremos apresentar e temos todo um estudo durante os ensaios para sair tudo perfeito", disse.
Para Abreu, todo o sacrifício valeu a pena quando os artistas viram a igreja lotada. "Fazer a música é muito bom, mas ter muitos ouvintes para essa música é melhor ainda", acrescentou ele. Os organizadores estimaram cerca de duas mil pessoas presentes.
Além de alimentar a cultura e a audição dos espectadores, a orquestra também pratica caridade com a doação de alimentos e itens de higiene pessoal. A entrada para o grande espetáculo foi de apenas 1 kg de alimento não perecível. Mesmo parecendo pouco, vai fazer uma enorme diferença na vida das pessoas que mais precisam. A maestrina e violinista Kathia Pinheiro comentou sobre o engajamento do público com a solidariedade. "Eu fiquei muito feliz que as pessoas atenderam ao nosso pedido de colaborar com a nossa doação", afirmou a musicista.
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Mesmo lotada, o clima na igreja foi de paz, tranquilidade e concentração. A funcionária pública Anne Ígnea, 36 anos, ficou muito feliz por ter ido ao local. "É satisfatório conhecer a obra de Bach no contexto da Páscoa, achei muito interessante e muito bem executado", comentou.
Assim como Anne, a aposentada Ana Maria, 67, se emocionou com os trechos escolhidos. "Eu achei sublime", disse. Para ela, Brasília é um palco propício para receber mais concertos. "É uma cidade linda, que já tem uma arquitetura maravilhosa. Então, a ópera conversa com a obra de arte que é a cidade", finalizou.
O aposentado Rinaldo dos Santos, 70, é um amante declarado da cultura erudita. Ele também julga necessário mais clássicos na cultura do brasiliense. Eu sinto falta das óperas bufas aqui em Brasília. Iria combinar muito com o espírito do nosso povo, que é alegre e descontraído", comentou. Santos acredita que há espaço para todas as manifestações culturais. "A capital deveria ter um destaque muito particular, um destaque muito especial para a música erudita, sem desfazer das demais manifestações populares", finalizou.
