Durante participação no programa CB Poder nesta quarta-feira (22/4), o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou que uma auditoria interna identificou fragilidades relevantes nas operações de compra de carteiras de crédito do Banco Master, incluindo ativos sem lastro e possíveis inconsistências na origem de títulos.
De acordo com Nelson de Souza, parte dos ativos analisados — estimada em cerca de R$ 2,6 bilhões — “não tem lastro, não tem título que possa ser executado e foi totalmente construída sem nada”, classificando o montante como um “ativo que virou pó”.
Segundo o dirigente, a auditoria foi estruturada em três frentes principais: a análise do processo de capitalização do banco em 2024, a avaliação das transações de compra e venda de carteiras e a identificação de pessoas envolvidas nas operações. O foco central, no entanto, recaiu sobre a qualidade dos ativos adquiridos.
A auditoria também apontou que, inicialmente, as carteiras adquiridas apresentavam conformidade. Contudo, ao longo do tempo, houve deterioração na qualidade dos ativos. “Em determinado momento, começaram a surgir títulos que não eram de origem Master, mas que passaram a ser registrados como se fossem”, afirmou. Segundo ele, posteriormente foi identificado que alguns desses títulos eram inexistentes ou considerados frágeis.
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Ainda conforme o presidente, essa perda de qualidade levou à realização de trocas de ativos com o objetivo de recompor carteiras com algum nível de lastro. O processo, no entanto, resultou em um volume maior de operações problemáticas, que chegaram a cerca de R$ 12,2 bilhões em movimentações.
O dirigente destacou que houve alertas internos sobre os riscos dessas operações, mas que eles não foram devidamente seguidos. “A esmagadora maioria dos empregados do BRB tem compromisso com a governança e o compliance, mas houve alertas que não foram observados dentro do que se espera de uma boa governança”, disse.
Nelson de Souza afirmou ainda que os resultados da auditoria foram encaminhados, de forma sigilosa, a diferentes órgãos de controle e investigação, incluindo a Polícia Federal, o Banco Central do Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários, a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal.
Apesar das conclusões, o presidente ressaltou que não cabe ao banco determinar se houve crime. “Esse papel não cabe a mim nem ao BRB”, afirmou, acrescentando que a responsabilização deve ser conduzida pelas autoridades competentes.
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