turismo

Ermida Dom Bosco é um refúgio entre a natureza e a profecia do santo

Com primeira construção de alvenaria de Brasília, a Ermida Dom Bosco é ponto de pertencimento para moradores e turistas que chegam atraídos pela paisagem e tranquilidade à beira do Lago Paranoá

Gabriela Cidade*

A Ermida Dom Bosco é um dos principais pontos turísticos de Brasília e uma das melhores vistas da cidade. Tanto para quem vive na capital federal quanto para quem vem de fora, é um lugar que reúne o melhor da cidade: lazer, natureza e arquitetura. E, claro, um entardecer de causar inveja e encantar qualquer um que por ali passa.

Entre tantas histórias que existem no espaço, há uma profecia que atravessa gerações. Projetada por Oscar Niemeyer, a capela, que tem formato de pirâmide, foi a primeira construção de alvenaria da cidade, inaugurada em 1957. Ela homenageia o santo italiano João Belchior Bosco, o Dom Bosco, que, em 1883, teve um sonho profético sobre uma terra de riquezas entre os paralelos 15 e 20, onde surgiria uma nova civilização. Brasília foi erguida exatamente sobre essa coordenada, servindo como um ponto de conexão entre a profecia e a realização urbanística de Juscelino Kubitschek.

Localizada dentro do Parque Ecológico Dom Bosco, a capela recebe, por mês, mais de 38 mil visitantes, segundo dados da Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF). O local também faz parte da Rota do Cicloturismo e reúne percursos que passam por pontos emblemáticos da cidade, como o Eixo Monumental, Memorial JK, Praça dos Cristais, Rota do Eixão, Parque da Cidade, Jardim Botânico, Parque Nacional da Água Mineral, Floresta Nacional, Parque Vivencial do Lago Norte, Parque Ecológico das Copaíbas e o Parque Ecológico Península do Lago Sul.

O Parque Ecológico da Ermida Dom Bosco oferece, ainda, uma trilha de 2km com vista panorâmica para o centro de Brasília e o Palácio da Alvorada. A grande atração em destaque nos arredores do parque é o Lago Paranoá, com tamanho de aproximadamente 37,5km².

A estudante Thainá, de 18 anos, moradora da Asa Norte, adora se banhar no lago com os amigos e contou que vem ao parque com frequência. "A gente vive em um mundo tão automático o tempo todo, e você poder parar assim, em um local com uma paisagem tão bonita, é essencial", destaca.

Ester, 21, e João Lucas, 27, em meio a um piquenique, ressaltaram que o diferencial do parque para outros pontos turísticos do DF é a vista e a possibilidade de se banhar no lago, caminhar e ver a fauna local. "A vista é fenomenal, de outro mundo", sublinhou João Lucas. 

Stefanny, 26, trouxe a visitante Lícia, 48, tia de seu namorado, para conhecer a Ermida Dom Bosco. "Aqui é lindo. A mata é bem verdinha", apontou a paraibana Lícia, de passagem por Brasília. Ela confessou que, com certeza, visitaria o parque novamente na sua próxima vez na capital. Stefanny vem ao Parque Ecológico Dom Bosco sempre que pode e relata que a vista e o frescor do espaço são as características que mais chamam a atenção. 

Fauna e flora

O Parque Ecológico da Ermida Dom Bosco está incluído no roteiro de turismo ecológico, náutico e religioso. É coberto por fauna e flora típicas do Cerrado, possui 131 hectares e fica na QL 30 do Lago Sul. Além da capela e do monumento Ermida Dom Bosco, o espaço possui um anfiteatro a céu aberto com capacidade de 10 mil pessoas, onde já se apresentaram nomes como Capital Inicial e Natiruts.

O parque funciona todos os dias da semana, das 6h às 20h, com entrada gratuita. Em 2020, durante a pandemia de covid-19, o espaço passou por obras, recebendo limpeza e revitalização geral, como da área verde e das estruturas que fazem parte do monumento. O local ganhou nova pintura, reposição de vidros, trocas de fechaduras e reformas de calçadas.

Os três conjuntos de banheiro tiveram a parte hidráulica reformada e louças trocadas. Além disso, foram instaladas novas lixeiras e houve substituição da iluminação. A Ermida Dom Bosco também ganhou acessibilidade, como guarda-corpo, corrimão e construção de rampas.

Devido ao seu valor histórico, cultural e arquitetônico, a Ermida Dom Bosco foi protegida por meio de tombamento. A medida de preservação patrimonial visa manter as características originais do monumento e do seu entorno, essenciais para a integridade da paisagem planejada de Brasília. O tombamento ocorreu por meio do Decreto nº 11.032, de 2 de março de 1988, emitido pelo governo do Distrito Federal. 

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press -
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press -
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press -
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press -
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press -
Fotos: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press -

A onça era um gato

No dia 12 deste mês, um domingo, uma suposta onça-preta foi avistada na Ermida Dom Bosco, mas, de acordo com o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), era, na verdade, um gato. Após o registro em vídeo, moradores da região acionaram o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) para localizar o animal. O BPMA realizou um patrulhamento na região, mas não foram encontrados vestígios para confirmar a presença do felino de grande porte. Em nota, o Ibram destacou que, até o momento, não há registros recentes de onças na região informada. Porém, segundo o Batalhão Ambiental, o espaço está inserido em uma região com ampla cobertura de vegetação nativa próximo a áreas de mata contínua e isso favoreceria o deslocamento de animais silvestres, mesmo com a presença de pessoas. Em caso de avistamento de animal silvestre, a população deve acionar o 190 ou o BPMA. A polícia ambiental é responsável por garantir a segurança da população até a chegada dos órgãos competentes, como o Ibram e o Ibama, que devem capturar, conter e manejar os animais de forma especializada.

*Estagiária sob a supervisão de Patrick Selvatti

 


Mais Lidas

A onça era um gato

No dia 12 deste mês, um domingo, uma suposta onça-preta foi avistada na Ermida Dom Bosco, mas, de acordo com o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), era, na verdade, um gato. Após o registro em vídeo, moradores da região acionaram o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) para localizar o animal. O BPMA realizou um patrulhamento na região, mas não foram encontrados vestígios para confirmar a presença do felino de grande porte. Em nota, o Ibram destacou que, até o momento, não há registros recentes de onças na região informada. Porém, segundo o Batalhão Ambiental, o espaço está inserido em uma região com ampla cobertura de vegetação nativa próximo a áreas de mata contínua e isso favoreceria o deslocamento de animais silvestres, mesmo com a presença de pessoas. Em caso de avistamento de animal silvestre, a população deve acionar o 190 ou o BPMA. A polícia ambiental é responsável por garantir a segurança da população até a chegada dos órgãos competentes, como o Ibram e o Ibama, que devem capturar, conter e manejar os animais de forma especializada.

Tags