Com a promessa de enfrentar os gargalos da saúde pública, o Governo do Distrito Federal (GDF) lançou, na manhã desta quarta-feira (29/4), o programa Saúde Mais Perto do Cidadão, voltado à ampliação de consultas, exames e procedimentos na rede pública. Durante o evento, a governadora Celina Leão (PP) afirmou que a iniciativa faz parte de um esforço para reorganizar o sistema e dar respostas mais rápidas à população.
“É impossível você não escutar as reclamações. Eu não tenho medo de problemas, porque problema foi feito para ser resolvido”, declarou a governadora, ao destacar que a saúde pública exige atenção prioritária da gestão.
O programa prevê investimento inicial de R$ 58 milhões, vindos principalmente de emendas parlamentares, com a expectativa de atender mais de 200 mil pessoas e realizar aproximadamente 780 mil procedimentos, entre consultas, exames laboratoriais e de imagem, além de atendimentos especializados.
De acordo com Celina Leão, a proposta busca corrigir falhas históricas no atendimento, especialmente a fragmentação do cuidado. “Muitas vezes a pessoa fazia uma consulta e precisava de exames, mas o atendimento parava ali. Nós estamos solucionando isso”, afirmou.
A governadora ressaltou que a redução das filas depende da integração com a rede complementar e do apoio de parlamentares. “Era impossível zerar as filas sem o apoio da suplementariedade e das emendas. Agora, vamos enfrentar isso de frente”, disse.
Entre as áreas contempladas pelo programa estão ortopedia, cardiologia, oftalmologia, otorrinolaringologia, urologia oncológica, saúde da mulher, reabilitação e odontologia.
Outra frente anunciada é a ampliação da transparência na gestão das filas. Segundo a governadora, os dados deverão ser disponibilizados em tempo real. “Vai ser tão transparente que qualquer pessoa poderá consultar como está a fila. Nem vai precisar ligar para o secretário”, afirmou.
Integração
O secretário de Saúde do DF, Juracy Cavalcante, explicou que o programa foi estruturado para atuar de forma integrada, evitando sobrecarga em diferentes etapas do atendimento. “Quando a gente fala de saúde, estamos falando de eixos. Temos o eixo ambulatorial, com consultas e exames, e o eixo cirúrgico. Não adianta atacar apenas um deles, porque você pode gargalar o outro”, afirmou.
Segundo ele, a estratégia do governo é atuar simultaneamente nas duas frentes. “Se atacarmos só a fila ambulatorial, isso vai gerar uma demanda cirúrgica e talvez a gente não esteja preparado para receber. Por isso, nos planejamos para trabalhar essa linha de cuidado completa do paciente”, explicou.
O secretário destacou que o programa de cirurgias em andamento tem ajudado a reorganizar a rede. “O Opera DF é justamente para tirar cirurgias de menor complexidade da rede pública e enviar para a rede privada. Já foram cerca de 20 mil procedimentos, permitindo que nossos centros cirúrgicos foquem em casos de média e alta complexidade”, disse.
Com o novo programa, a expectativa é avançar nas filas de consultas e exames, especialmente em áreas como ortopedia, oftalmologia e outras especialidades com alta demanda. “A partir do momento que esse paciente tem o diagnóstico, ele pode gerar uma cirurgia, e nós estaremos preparados com outro programa para dar continuidade ao atendimento”, completou.
