
O suposto esquema de lavagem de pelo menos R$15 milhões por um servidor da agência do Banco de Brasília (BRB), em Ceilândia, operava com uma estrutura tão audaciosa que envolvia saques e depósitos milionários em espécie, conforme revelaram delegados do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor) e da Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCor), nesta quinta-feira (7/5).
Durante a coletiva da Operação Insider, os investigadores detalharam que a organização criminosa, composta dois funcionários do BRB, um servidor público federal, empresários e pessoas jurídicas são suspeitos de integrar o esquema, funcionava como uma engrenagem de "pulverização" de dinheiro ilícito, chegando a negociar ilegalmente carteiras de ativos financeiros da instituição em troca de propina.
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A polícia apura crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva. “Esse dinheiro entrava nas contas desses investigados e depois era pulverizado entre outros núcleos de pessoas físicas e jurídicas. Havia muitos saques e depósitos em espécie, inclusive milionários”, afirmou o delegado-chefe da Delegacia de Repressão à Corrupção, Diogo Cavalcanti.
Entre as suspeitas está a atuação de um empregado público ligado à Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) do banco, que teria negociado partes de carteiras de ativos financeiros da instituição e recebido percentuais pelas operações.
A polícia foca justamente no núcleo que operava dentro da DTVM, onde o empregado público teria consolidado um cenário de corrupção ativa e passiva sob o pretexto de movimentações legais.
Prejuízos
Os investigadores ressaltaram, porém, que não há indícios, até o momento, de prejuízo direto a correntistas ou ao próprio banco. Segundo Cavalcanti, os valores investigados seriam provenientes de contas de outras instituições financeiras e utilizados para lavagem de dinheiro. investigação no BRB
“Não houve, a princípio, prejuízo para correntistas comuns ou para o banco. Eram valores de outras contas, de outros bancos, que acabavam sendo movimentados nessas operações”, explicou o delegado.
Compliance do BRB
A investigação começou no fim de 2025, após a própria gerência de compliance do BRB identificar irregularidades e comunicar à Polícia Civil. Segundo o delegado Leonardo Cardoso, do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), a delegacia abriu inquérito, solicitou quebras de sigilo e conseguiu identificar “um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção ocorrido por meio de funcionário daquela agência do BRB”.
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Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Apesar da operação, ninguém foi preso até o momento. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias, a indisponibilidade de oito veículos de luxo e de um imóvel no DF.

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