
O Setor de Oficinas Norte amanheceu, nesta quinta-feira (7/5), tomado pela tristeza, pelo medo e pela perplexidade após a morte do empresário Flávio Cruz Barbosa assassinado dentro da própria oficina pelo funcionário Eduardo Jesus Rodrigues, 24. Entre comerciantes, funcionários e frequentadores da região, o sentimento é de choque diante da violência e da frieza do crime que ocorreu na manhã de quarta (6).
Apesar de parte das lojas terem aberto normalmente, comerciantes relatam medo e dificuldade para lidar com a brutalidade do caso. Um dos lojistas, que preferiu não se identificar, contou que convivia diariamente com Flávio e descreveu o empresário como uma pessoa acolhedora, comunicativa e muito querida no setor. “Desde quando eu cheguei aqui, ele sempre dava bom dia, boa tarde. Na saída, também fazia questão de cumprimentar todo mundo. Era um cara tranquilo e amigável”, relatou.
Segundo ele, Flávio era conhecido por ajudar outros comerciantes e trabalhadores da região. “Ele ajudava muita gente aqui. Passava orientação do que seria melhor fazer e acolhia as pessoas. Não tenho nada negativo para falar dele, só coisas positivas”, afirmou.
Som
O comerciante contou ainda que estava ocupado com o recebimento de uma mercadoria nos fundos da loja, no momento do crime, e ouviu apenas um barulho estranho, sem imaginar o que estava acontecendo.
“Parecia alguma coisa caindo, tipo panela. A gente jamais imaginava que seriam facadas ou agressões com rodas de carro”, disse.
Pouco tempo depois, segundo o relato, o suspeito passou em frente à loja com tranquilidade. “Ele passou com semblante normal, como se nada tivesse acontecido. Ficou olhando para um funcionário nosso e depois foi pedir água e cigarro no bar”, contou.
O lojista afirma que apenas as mãos do homem estavam sujas de sangue, mas ninguém desconfiou inicialmente da gravidade da situação. “Depois ele falou no bar: ‘Acabei de matar o Flávio’. Foi uma frieza absurda”, relembrou.
De acordo com o empresário, um policial à paisana que estava nas proximidades conseguiu abordar e imobilizar o suspeito até a chegada da Polícia Militar. “Foi tudo muito rápido. O policial chegou, deu voz de prisão e colocou ele no chão. Sem agressão. Depois os policiais chegaram”, relatou.
Abalado, o comerciante afirmou que não conseguiu dormir após presenciar as cenas. “A gente fica revoltado. O convívio era diário e, do nada, acontece uma coisa dessas. É um choque muito grande”, disse.
Comércio
No bar, silêncio, tristeza e tensão prevaleciam. No local onde o suspeito entrou logo após o crime, funcionários e frequentadores ainda tentam processar o que aconteceu. Segundo relatos, o estabelecimento estava cheio e funcionava normalmente quando o homem chegou pedindo água e cigarro.
Ele aparentava tranquilidade, apesar de estar com partes do corpo sujas de sangue. “Não prestei muita atenção devido ao movimento. Ainda estamos tentando entender”, disse o responsável pelo estabelecimento.
Um dos funcionários ressaltou que o clima no setor é de profunda tristeza e revolta. “Está todo mundo muito assustado. Ele era um cara muito gente boa que nós perdemos. Foi tudo muito rápido. Hoje, o setor amanheceu mais triste”, contou.

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