
Uma criança de um ano e seis meses precisou que ser transferida de helicóptero após ser picada por um escorpião em São Sebastião apresentou melhora no quadro clínico e foi extubada na manhã de ontem. A informação foi confirmada pela família, mas a vítima segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O caso aconteceu na manhã de domingo. Inicialmente, a criança foi socorrida pela própria família e levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região. No entanto, devido à gravidade do estado de saúde, houve necessidade de transferência para o Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib).
O transporte foi realizado pelo helicóptero do Corpo de Bombeiros (CBMDF), com apoio de uma equipe médica que acompanhou a paciente durante todo o trajeto aéreo. Até o momento, não foram divulgadas informações detalhadas sobre as circunstâncias em que ocorreu a picada do escorpião nem o local exato do acidente. O estado de saúde da criança segue monitorado pela equipe médica.
A técnica de enfermagem Daniela Santos, de 36 anos, avó paterna da criança, relatou momentos de desespero vividos pela família desde o início do acidente. "Os pais acordaram com ela chorando muito. O dedinho da mão estava inchado, ela gritava bastante, e a mão começou a ficar vermelha", contou.
De acordo com Daniela, ao verificarem a cama e a coberta, a família encontrou o escorpião. A criança foi transferida para o Hmib em estado grave. "Ela estava com dificuldade de respirar", lembrou a avó. Segundo Daniela, o transporte aéreo foi necessário para agilizar o atendimento especializado. "Foi um impacto emocional muito grande, foi desesperador ver ela daquele jeito. Eu clamei pela vida dela", disse.
Após passar por atendimento intensivo, a criança apresentou melhora e foi extubada na quarta-feira. Apesar da evolução positiva, ela segue internada na UTI sem previsão de alta. "O coração dela está ótimo, mas ainda tem secreção no pulmão e um quadro gripal. Ela ficou um pouco sedada e segue em observação", explicou Daniela.
Cuidado urgente
Segundo o infectologista pediátrico e professor de Medicina do Centro Universitário de Brasília (Ceub), Alexandre Paz Ferreira, crianças pequenas estão entre os grupos mais vulneráveis. "Uma criança de um ano pesa entre 9 e 12 quilos. Então, a quantidade de veneno suficiente para causar um envenenamento sistêmico é muito menor", explicou. O médico destacou que sintomas como vômitos, suor frio, dificuldade para respirar, irritabilidade intensa e choro inconsolável são sinais de alerta.
O especialista também alertou que, após a picada, os responsáveis devem evitar práticas caseiras e procurar rapidamente uma unidade de saúde. "O principal cuidado é não fazer nada além de lavar o local com água e sabão. Não se deve passar álcool, chá, tentar sugar o veneno ou fazer torniquete", afirmou.
Alexandre Paz Ferreira ressaltou, ainda, que o aumento dos casos no Distrito Federal e em outras regiões do país está relacionado ao crescimento urbano desordenado e ao acúmulo de lixo e entulho, que favorecem a proliferação de insetos e servem de abrigo para os escorpiões. "Fechar ralos, vedar frestas e evitar restos de obra próximos das casas são medidas importantes para prevenir acidentes", completou.
A pediatra Thatyana Turassa Ernani, da plataforma Inki, alertou que os quadros graves de picada de escorpião em crianças podem evoluir rapidamente e provocar complicações cardíacas e pulmonares potencialmente fatais. Segundo a especialista, nos casos mais severos, a criança pode apresentar choque circulatório e edema pulmonar agudo, situação em que há acúmulo de líquido nos pulmões e dificuldade intensa para respirar. "O risco de morte é real", explicou.
A especialista ressaltou também que hospitais particulares não costumam disponibilizar o medicamento e, por isso, os pacientes devem ser encaminhados à rede pública. "O escorpionismo grave é marcado por alterações cardíacas e pulmonares potencialmente reversíveis quando o tratamento é iniciado precocemente", completou.
Casos crescentes
Dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) mostram que os acidentes envolvendo animais peçonhentos cresceram significativamente no DF. Em 2025, foram contabilizados 5.549 registros desse tipo, número 24,55% maior do que o observado no ano anterior. A maior parte das ocorrências aconteceu em áreas urbanas, concentrando mais de 90% dos casos.
Os escorpiões seguem como os principais responsáveis pelos acidentes. Nos últimos quatro meses de 2025, período marcado pelo aumento das chuvas e também pelas queimadas, a média foi de 42,8 ocorrências por semana. Desse total, cerca de 86,4% envolveram picadas de escorpião. Os demais registros foram relacionados a serpentes, aranhas e lagartas.
Ao longo do ano, 328 pacientes precisaram receber soro antiveneno na rede pública de saúde. Atualmente, o medicamento está disponível em 10 hospitais da Secretaria de Saúde. Em muitos casos, no entanto, o tratamento é voltado principalmente para controle da dor, febre e outros sintomas provocados pelo veneno.
O atendimento especializado é realizado com apoio do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), vinculado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A unidade funciona 24 horas por dia e presta orientações tanto para profissionais de saúde quanto para a população em situações envolvendo intoxicações e acidentes com animais peçonhentos.

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