Com manhãs e noites começando a esfriar no Distrito Federal, comerciantes preparam os estoques para aquecer os clientes e estão otimistas para as vendas deste ano. Nas vitrines e araras das lojas, é possível encontrar peças para aquecer o inverno. Entre as mais comuns, estão os casacos, moletons, toucas, cachecóis e luvas. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista-DF), a expectativa de crescimento neste ano é de 4,2%. No ano passado, os produtos mais procurados foram os tradicionais gorros, meias de lã, cobertores, bonés e luvas. Neste ano, a versatilidade pode dar o tom.
"Os lojistas estão investindo em peças flexíveis, ou seja, que podem ser usadas em mais de uma estação. Itens de sobreposição também estão vendendo bastante", explica Sebastião Abritta, presidente do Sindivarejista. Ele explica que, devido à imprevisibilidade das temperaturas na capital, os vendedores se adaptam. "O foco é, justamente, essa versatilidade. Mas o nosso comércio está muito bem preparado para a frente fria", acrescenta.
Apesar do otimismo, há motivos para a cautela com o período. Para o presidente, a alta dos combustíveis é um dos motivos, mas ele afirma que o crescimento do varejo em 1,7% mantém alto o ânimo dos comerciantes. "Existe, sim, uma cautela, mas esse período do ano sempre vende bem. Todos os comerciantes que a gente conversou estão com estoques preparados e diversos, oferecendo muitas opções para os clientes", disse.
O professor e coordenador em gestão de negócios, Lindomar Miranda, explica que o frio em Brasília sempre é um gatilho de negócios. Entretanto, ele afirma que o efeito é mais psicológico do que climático. "Não falamos de temperaturas extremas como as do Sul do país. O que aciona o desejo de compra é a percepção da mudança de estação: a primeira manhã mais fria, os comentários nas redes sociais e a cena do casaco na vitrine proporcionam isso", explica.
Para o especialista, o ideal não é esperar um "sinal claro", uma vez que isso pode fazer o empresário perder a janela de oportunidade. "Observar o comportamento do consumidor nas primeiras oscilações de temperatura, e não o calendário, é o melhor termômetro para agir", aconselha.
Antecipação
A Feira dos Goianos, em Taguatinga, já está recheada de opções. O trabalho, que terá um grande retorno neste meio de ano, começou bem cedo. A lojista Tina Pilcomayo começou a montar o estoque ainda no início de 2026. "Deixo tudo organizado, esperando o inverno chegar."
Para a lojista, um estoque previamente preparado é importante por diversos motivos, entre eles movimentar o comércio para clientes em outros estados. "Eu tenho clientes no Rio Grande do Sul. Lá, o frio é maior e acontece em uma época diferente", afirmou. Essa clientela, segundo ela, possui necessidades diversas, exigindo outros modelos de roupas. "Eles procuram peças mais grossas, sempre com mais camadas. Aqui em Brasília, as pessoas procuram tecidos mais finos, principalmente para se proteger da chuva e do vento", acrescenta.
O estoque da loja onde Rute, 26 anos, trabalha está preparado para o início da temporada mais fria. Ela conta que o patrão encheu um quarto da casa dele com as roupas mais quentes. "A gente tem moletom, casacos, calças e jaquetas. Estamos esperando um movimento muito grande."
Rute também comenta que os clientes costumam chegar certos de sua escolha. "Muitos chegam e perguntam diretamente por casacos e moletons. Alguns, entretanto, ficam com dúvida por causa da quantidade de opções", disse. Entre os mais procurados, estão as jaquetas e os bobojacos — também conhecidos por puffer. "Esses modelos mais estilosos saem bastante. Muitos clientes unem o aquecimento com a beleza", acrescenta.
O especialista em empreendedorismo Rafic Júnior diz que investir em um grande estoque também pode ser um risco. "Para quem tem dados de sazonalidade, investir de forma segmentada em itens que já mostraram ter uma boa capacidade de giro faz sentido. Entretanto, para quem não tem esses dados, uma postura conservadora é essencial."
Pechincha
Tanto comerciantes quanto clientes procuram as melhores estratégias para esse período. Lojistas procuram maximizar os lucros, e a clientela tenta gastar o menor valor possível sem abrir mão do aquecimento. A servidora pública Gisele Ximenes, 40, sabe muito bem o que fazer para economizar nas compras. "Eu começo a procurar bem antes do inverno para evitar pagar caro", disse.
Entre as táticas para pagar mais barato, a escolha do lugar é essencial. "Eu prefiro ir à feira para procurar essas roupas. Como compro para mim, meu marido e filhos, o preço compensa e a qualidade não é tão inferior que as roupas do shopping", contou.
Outras pessoas, como a massoterapeuta Leonilda Costa, 57, prefere reter os gastos e continuar com as roupas que já têm. "Eu saio pouco de casa, e o frio não me afeta muito. Tenho algumas roupas que ainda aguentam o tranco do frio", afirmou. Apesar da postura econômica, Leonilda não fechou totalmente as portas para roupas novas. "Algumas vezes, como agora que vim à feira, acabo vendo algo que gosto e compro, mesmo já tendo em casa. Não tenho essa loucura de renovar todo o meu guarda-roupa", brincou.
Uma das estratégias apontadas por Rafic é a diversificação dentro do próprio setor. "Peças versáteis que funcionam em temperaturas amenas têm menor risco de encalhe", afirmou. Além disso, utilizar outras plataformas de vendas é essencial para atrair clientes de outras regiões. "Use canais alternativos como marketplace para alcançar regiões com frio mais intenso", acrescentou.
Estilo
O frio não é um impeditivo de estilo. Para quem busca uma roupa mais estilosa para enfrentar o inverno, consegue encontrar opções em lojas de departamento de shoppings. As lojas Levi’s e Taco, no Taguatinga Shopping, prepararam coleções novas para os clientes.
Há dois anos trabalhando na Levi’s do shopping, Cássia Rocha, 29, diz que a nova coleção focou bastante em modelos que estão na moda. “O que entrou bastante em nossa loja agora foram as camisas flaneladas, casacos de parka e também modelos para um frio mais ameno. Temos para todos os gostos”, disse.
A lojista está com as expectativas altas para esse inverno. Ela comentou que, a partir do meio de maio, os clientes devem procurar mais roupas desse tipo. “Nesse período o fluxo costuma crescer bastante. Eu acredito que esse ano vai se repetir. Em julho, vamos vender ainda mais”, afirmou.
Gerente há 11 anos da loja TACO, Daiana Santos, 30, explica que a loja investe muito em moletom e jaqueta jeans. Uma das novidades deste ano, são camisas no estilo work. Otimista, ela comenta que prevê um crescimento de 30% em relação ao ano passado. “Virando o mês, os clientes começam a procurar mais. Estamos muito ansiosos”, apontou.
Essa época do ano é muito esperada pela loja, Daiana destaca que costuma vender mais do que o normal no período. “Estamos vendo até o fluxo de clientes aumentar para esse segmento. É uma época muito boa e que sempre rende boas vendas”, enfatizou.
